“O contrato nunca mencionou amor. Mas também não proibiu.”
Coloquei o tecido de volta no lugar com cuidado para um objeto que não deveria significar nada. Virei as costas antes que o quarto me dissesse algo que eu não estava preparado para ouvir.
Fui para o banho, deixei a água quente bater na nuca e descer pelas costas enquanto respirava pelo nariz e soltava pela boca, tentando convencer meu corpo a abandonar alguma parte da tensão que parecia ter se instalado ali como hóspede permanente. Quando saí, vesti apenas uma calça de flanela e desci para o escritório.
Servi a dose de uísque e deixei o líquido descer com a lentidão calculada de quem está acostumado a medir efeitos antes de medi-los em consequência. Fechei a mão ao redor do copo, sentindo o peso do cristal, e por um instante inteiro minha mente voltou ao banheiro da noite anterior, como se aquela lembrança tivesse sido programada para emergir exatamente quando eu não podia fazer nada a respeito.
Ela estava encostada no box, o vapor quente subindo, grudando nos cabelos molhados e deixando a pele vermelha, úmida, implorando para ser tocada. Eu a beijei devagar no começo, não por falta de tesão, mas porque naquele momento não se tratava de mim, e sim dela. Quando ela abriu a boca para gemer baixo, eu a segurei firme pela nuca, sentindo os dedos dela cravarem nos meus ombros, e o corpo se render antes mesmo de ela admitir que queria.
Desci beijando o corpo dela com calma. Quando me ajoelhei, percebi que ela se assustou, mas não me impediu. Minha mão subiu pela parte interna da sua coxa, apertando a carne macia, sentindo os músculos tremerem. Levantei os olhos e ela estava entregue. Eu desci a boca devagar, lambendo a pele quente, sentindo o gosto salgado da sua excitação misturado com o vapor. O abdômen dela se contraiu, os quadris se mexeram sozinhos, e ela soltou um gemido rouco que tentou abafar mordendo o lábio. Os dedos dela se enroscaram nos meus cabelos, implorando por mais, me deixando cada vez mais louco.
A lembrança veio inteira, afiada como uma lâmina, o cheiro dela, o jeito que sua intimidade pulsava contra minha língua, o tremor nas suas coxas, o jeito que ela gozou.
Meu corpo reagiu antes da cabeça. A respiração ficou pesada, meu membro latejou dentro da calça, e uma raiva me consumiu.
Encostei o copo na mesa e passei a mão pela mandíbula, sentindo o músculo pulsar de leve.
Droga.
O celular vibrou na mesa e o nome de Alessandro apareceu na tela. Não atendi, mas ouvi a mensagem assim que ele desligou.
— Ela amou o quarto. — disse ele. — Está completamente enlouquecida com as luzes, com o castelo e com o urso. Elena não parou de sorrir. Achei que gostaria de saber.
Eu prendi a respiração por meio segundo.
Saber.
Só deletei a mensagem depois que escutei de novo, para confirmar se a palavra “sorrir” era mesmo real ou se eu havia inventado. Elena sorrindo no hospital não era uma cena comum, e eu sabia disso porque vivi anos cercado de gente que sorria por etiqueta, não por emoção.
Tomei a segunda dose de uísque e o rosto da Sofia surgiu na memória, com aquela curiosidade incômoda que só crianças conseguem manejar sem saber o poder que têm. Ela não piscava, apenas observava. Era o mesmo tipo de olhar que homens perigosos usam em negociações que não podem falhar, exceto que nela havia inocência, e isso tornava tudo ainda mais eficaz.
Eu a vi me analisando na porta do hospital, pequena demais para a poltrona, a touca de gatinho na cabeça e os olhos verdes fixos em mim como se estivesse tentando encaixar meu rosto em algum lugar conhecido. E quando ela perguntou se eu era quem ela achava que eu era, tive que conter uma vontade absurda de sorrir, coisa que eu não fazia com adultos havia anos.
— Nada de ruim vai acontecer com você, nem com ela. — eu disse naquela ocasião.
Foi uma promessa.
Eu só tocaria nela se ela quisesse.
Se ela pedisse.
Se ela olhasse para mim da mesma maneira como olhou naquela noite no banheiro, como se o mundo inteiro pudesse esperar, menos nós dois.
Passei a língua pelos dentes, numa irritação baixa, quase cômica, e soltei o ar devagar.
— Não adianta negar. — murmurei, baixo, como se a casa pudesse ouvir. — Eu quero você. Mais do que deveria.
Fechei os olhos, a respiração desceu e a tensão subiu. E ainda assim, eu sabia a verdade mais incômoda de todas:
Eu só a teria se ela me quisesse também.
E esse pensamento, mais do que qualquer lembrança do corpo dela, era o que me mantinha desperto, perigoso e completamente vivo.
Adormeci com essa certeza. E ela era, ironicamente, a única forma de paz que me restava.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário