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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 86

“Homens não confessam. Eles agem.”

Damian acordou antes do alarme, o que, para ele, não era exatamente novidade. Seu corpo tinha o hábito de reagir ao mundo antes que o mundo pudesse reagir a ele.

Abriu os olhos devagar, respirou fundo e levou alguns segundos para processar o detalhe mais inconveniente da manhã: não estava no próprio quarto.

Virou a cabeça no travesseiro, observando o espaço vazio ao lado. O tecido estava marcado, levemente amassado, e ainda guardava o perfume dela. Um perfume discreto, doce e impossível de ignorar quando se tem memória, e pior ainda quando se tem desejo.

A lembrança veio inteira, como se a mente não precisasse de permissão para reviver: Elena nua nos seus braços, o corpo pequeno e suave, a pele quente que reagia ao toque dele com uma precisão quase irritante. Não havia drama, não havia esforço, apenas o modo com que ela se entregava, silenciosa, como quem entende que o silêncio às vezes é a forma mais alta de confissão.

O membro pulsou, pesado, exigindo atenção que ele não pretendia conceder tão cedo. Damian virou o rosto para o teto, fechou a mão no lençol e respirou fundo, irritado com a própria falta de controle.

Levantou, empurrando o cobertor de lado, e sentiu os músculos protestarem levemente, não pelo cansaço, mas pelo tipo de tensão que ele se sabia o motivo.

Precisava relaxar. E não sabia relaxar.

Caminhou até o próprio quarto com passos firmes, retirando a calça de flanela e depois a cueca, deixando tudo cair no meio do quarto, como se pudesse despir o pensamento antes do corpo.

No banheiro, girou o registro.

A água quente caiu nos ombros, desceu pelas costas e acumulou no chão em um vapor denso. Damian apoiou as mãos na cerâmica fria e manteve a cabeça baixa, deixando a respiração controlar o resto.

Relaxe.

Ele nunca relaxava de manhã. Quase nunca relaxava à noite. Relaxar parecia um verbo que não lhe pertencia.

Fechou os olhos.

Deveria ter sido o bastante para afastar qualquer imagem inconveniente. Mas Elena apareceu, insistente: o modo como ela arqueou as costas quando ele a segurou pela cintura, a forma como se entregou e o seu corpo reagia ao toque dele, o seu sabor doce…

Abriu os olhos irritado, como quem rompe um pensamento por orgulho. Era cedo demais para pensar nisso e pior ainda sentir, porque ela não estava ali e só Deus sabe se ela tivesse o que ele seria capaz de fazer.

Terminou o banho, desligou a água com menos delicadeza do que o necessário e saiu molhando parte do piso. Pegou a toalha, secou o corpo com pressa e jogou o tecido úmido na bancada. Caminhou até o closet, pegou a cueca, a calça social, e uma camisa branca. Abotoou devagar, vestiu o paletó cinza-escuro, ajustou a lapela e depois os punhos.

Passou perfume e conferiu o relógio, eram sete e doze. Pegou o celular, colocou na parte interna do paletó e saiu do quarto.

Desceu as escadas.

As empregadas já circulavam pela casa, e Teresa apareceu logo depois, como se soubesse medir o tempo dele melhor do que qualquer agenda.

— Bom dia, senhor Cavallari.

Ele assentiu.

Não era um homem que gastava palavras de manhã. Retirou o paletó e sentou-se à mesa. Teresa fez um gesto para os empregados e o café surgiu. Antes de tocar em qualquer coisa, pegou o celular discando sem hesitar.

— San Michele di Firenze, diretoria clínica. Bom dia.

— Doutora Patrícia Arquette, por favor. — disse, direto.

A transferência foi quase imediata. O hospital aprendeu a não deixá-lo esperando.

— Signor Cavallari. — a médica disse assim que entrou na linha. — Acredito que esteja telefonando para saber sobre a pequena Sofia.

— Como foi a noite?

— Estável. Ela dormiu bem. Não teve febre, nem dor, nenhuma queixa. — respondeu a doutora. — A enfermagem relatou que se alimentou bem e isso é muito satisfatório, tendo em vista que as últimas sessões de quimioterapia, tendem a deixar os pacientes enjoados.

Ele soltou o ar lentamente. Um detalhe pequeno, mas para quem presta atenção, dava para perceber que o corpo dele mudou. Só um pouco.

— E fizeram tudo o que eu solicitei para Elena?

A médica respirou curto, o suficiente para ajustar o tom.

— Sim, senhor. A enfermagem organizou a troca de roupas de cama, deixaram a luz acolhedora durante a noite, e colocaram água na temperatura que a senhora Elena preferiu. Perguntaram se ela precisava de algo e ela disse que estava bem.

Damian passou a ponta do polegar pelo relógio, como se precisasse conferir algo que não tinha relação com horas.

— Certo. Garanta que ela esteja confortável — disse, sem pausa entre uma ordem e outra. — E procurem saber se há algo pessoal que ela precise. Roupas, higiene, qualquer coisa que a faça se sentir menos… visitante.

— Claro. Posso solicitar a lista diretamente à própria senhorita Rossi.

Capítulo 86 - O Homem que Não Admite 1

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