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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 87

“Homens como ele não amam. Decidem.”

A porta se fechou atrás de Alessandro com aquele clique seco que sempre precedia assuntos que ninguém queria nomear. Lá fora, o escritório seguia com o ruído abafado de teclas, passos rápidos e telefonemas que se encaixavam no ritmo da empresa, mas ali dentro, o som cessava. O escritório presidencial não era apenas uma sala, era um campo de batalha onde nada era sentimental e tudo era estratégia.

Alessandro segurava a pasta de couro com a ponta dos dedos, e caminhou até a mesa com o tipo de lentidão calculada que irritava homens impacientes. Damian desviou os olhos dos relatórios por dois segundos, apenas o suficiente para medir o cunhado, não como família, mas como alguém que traz problemas embalados em papel timbrado.

— Quer começar pelo corporativo ou pelo pessoal? — Alessandro perguntou, deixando a pergunta no meio-fio entre a provocação e a formalidade.

Damian entrelaçou os dedos sobre a mesa. Não era um gesto defensivo, era um lembrete de comando.

— Corporativo — respondeu. — Primeiro se elimina o que dá dinheiro. Depois o que dá dor de cabeça.

O canto da boca de Alessandro se moveu, mas não chegou a formar um sorriso. Entre os dois, sorrisos eram economia de guerra.

— Certo. — abriu a pasta. — Fusão com o grupo Romano confirmada, mas só se o teu conselho parar de tratar a operação como se estivesse casando com um inimigo.

— O conselho não casa. — Damian rebateu. — Ele negocia. E Romano não é inimigo, é imprevisível. O que é pior.

— E a imprensa? — Alessandro provocou.

— Um cão faminto que eu não alimento.

Aquilo encerrou a pauta.

— Próximo.

— Setor financeiro estabilizado. Resultados acima do previsto. Você vai anunciar agora ou guardar para o trimestre?

— Guardar. Informação cedo demais cria especulação. E especulação faz idiotas acharem que têm opinião.

Alessandro assentiu.

— Justo.

Fechou a pasta e ergueu os olhos com o peso de quem vai mudar a categoria da conversa.

— Agora a parte que te irrita.

Damian recostou na cadeira, não para relaxar, mas para impor uma hierarquia de quem decide de onde olha as coisas.

— Fala.

Alessandro respirou, o que já era suficiente para denunciar que a pauta não era financeira.

— É sobre ontem, no hospital.

Damian não respondeu. Não precisava. Seu olhar endureceu o suficiente para Alessandro entender que tinha atenção total.

— Você não faz ideia do que aquela criança fez quando viu o quarto decorado.

Damian não moveu o rosto, mas sua postura ficou tensa por um momento.

— Ela parou na porta. Ficou quieta por uns segundos, como se estivesse tentando decidir se podia entrar. Depois avançou devagar, e tocou tudo com a ponta dos dedos, como se tudo fosse um sonho.

O olhar de Damian desviou por meio segundo e Alessandro continuou, porque sabia exatamente onde atingir.

— Ela perguntou se podia mesmo ficar naquele quarto… e quando disseram que sim, sorriu. Mas não foi um sorriso de criança ganhando brinquedo. Foi daqueles que parece que o mundo devolveu alguma coisa que ela nem lembrava que tinha perdido.

Damian se acomodou melhor na cadeira, apenas para não perder nenhuma informação.

Levantou-se, o bar no canto da sala recebeu os passos dele com o som discreto da sola contra o mármore. A garrafa tocou o cristal com um baque curto, e o uísque caiu no copo com aquele som lento que sempre parece mais antigo do que deveria. Nada ali era casual, nem a escolha da bebida, nem o silêncio que veio depois. Ele analisou o conteúdo do copo, e depois bebeu em silêncio.

— Quando o contrato chegar ao fim… Pretendo deixá-la ir.

Alessandro não reagiu de imediato. Apenas se manteve ali parado, encarando o cunhado como quem analisa uma equação que definitivamente não fecha.

— E se ela quiser ficar? — perguntou enfim.

Damian virou-se devagar. E o olhar finalizou a sentença antes da voz.

— Ela fica. Mas eu quero que fique porque escolheu.

O advogado sorriu. Não um sorriso amplo, nem eufórico, apenas satisfeito.

Parecia que finalmente, depois de anos de guerra interna, Damian Cavallari tinha desistido de lutar contra seus demônios e, pela primeira vez, tinha decidido acreditar em algo que valia a pena.

Alessandro fechou a pasta, pronto para encerrar a reunião, quando o celular de Damian vibrou sobre a mesa.

Ele olhou para a tela e pela primeira vez naquela manhã, o mundo de negócios saiu de cena.

O nome na notificação não era do conselho. Não era do hospital.

Era dela.

“Ela dormiu tranquila. Obrigada.”

O impacto foi mínimo para qualquer observador distraído. Para ele, suficiente para alterar o eixo da manhã.

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