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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 93

“Não há estratégias perfeitas quando o coração já escolheu um lado.”

Elena Rossi

A noite sempre demora mais para passar em hospitais.

O relógio de parede marcava um horário indecente, daqueles em que metade da cidade já está dormindo e a outra metade finge que não está cansada. No San Michelle di Firenze, porém, ninguém fingia nada. Enfermeiras atravessavam o corredor com passos calculados, médicos conferiam prontuários com olhos cansados, e máquinas piscavam luzes que pareciam pequenos planetas tentando se manter acesos.

Sofia dormia e esse era o milagre da vez.

Ela estava deitada de lado, com o urso Mel encaixado entre os braços, e a touca de panda aquecia sua cabeça, alguns fios ruivos, já surgiam o que deixava tanto Elena quanto ela animadas.

Os exames da tarde tinham sido bons, estava sem febre há dois dias, e a médica saiu do quarto com aquele sorriso contido que aprendeu a ter para não prometer o que não podia garantir. Tudo indicava que a alta estava próxima e o pesadelo de tudo o que tinha acontecido parecia cada vez mais distante.

Eu sentei na poltrona ao lado da cama.

A posição era familiar. Já tinha decorado a dobra do tecido no braço direito e a marca do meu corpo no assento. Era o tipo de intimidade que ninguém deseja ter com uma cadeira, mas eu tinha.

Passei a mão pelo rosto, sentindo o peso do dia grudar nos dedos.

Beatrice tinha ido embora há algumas horas, levando consigo metade do barulho e um pouco da culpa. Ela me abraçou antes de sair, cheirando a perfume caro e biscoito de manteiga, e disse que voltava em dois dias. Não conseguiria vir amanhã porque teria um compromisso importante, mas fez questão de deixar claro que se eu o Sofia precisasse de algo, ela viria correndo.

Sorrio. É incrível como a vida é uma caixinha de surpresas. Jamais imaginei que conheceria alguém como Beatrice e que ela acabaria se tornando uma grande amiga.

Minha madrinha havia mandado mensagem:

“Tô rezando. Se precisar, pode chamar. Amo vocês.

Eu respondi com um “te amo” curto para a quantidade de sentimento, mas era o que cabia nos dedos naquele momento.

Depois a tela ficou vazia.

Deslizei o dedo pelo visor uma, duas, cinco vezes, como se isso tivesse o poder de puxar notificações de algum lugar. Mas nada de novo. Nenhuma mensagem… dele.

Damian não escreveu nem um “como ela está”, nem um “houve alteração?”, nem um “estou indo aí”. Ele sumiu do meu telefone com a mesma eficiência com que entrou na minha vida: sem pedir licença, sem anunciar, sem explicar. O que não queria dizer, necessariamente, que ele tinha sumido de verdade.

Olhei para Sofia.

O peito dela subia e descia num ritmo que eu decoraria mil vezes se isso garantisse que nunca iria parar. Fiquei alguns segundos contando mentalmente as respirações, como um ritual que já não separava mais fé da realidade.

Trinta e duas. Trinta e três. Trinta e quatro.

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