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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 97

“Alguns homens vencem todas as guerras até encontrar aquelas que não desejam ganhar.”

A sala de reuniões estava cheia demais. Mas o que incomodava, não eram as pessoas, essas Damian sabia administrar com a mesma disciplina com que administrava crises. O que incomodava naquele dia, eram os ruídos que não pertenciam a ele. Vozes precisas, números projetados, expectativas alinhadas como trincheiras. Tudo estava no lugar certo e funcionava como deveria.

Exceto ele.

Damian mantinha a postura ereta, as mãos apoiadas sobre a mesa de vidro, e o olhar firme, impassível, incisivo. Era o suficiente para que todos ali acreditassem que estava presente, atento e no comando.

O comando sempre foi dele. Era o tipo de ambiente onde homens como ele nunca duvidavam do próprio poder.

Mas, por dentro, algo falhava e não era técnico, não era financeiro, nem falta de informação. Era ausência. Uma ausência que não deveria existir, não ali, não naquele território que ele dominava com disciplina quase militar.

— Com esse ajuste, conseguimos absorver o impacto sem comprometer o fluxo do próximo trimestre. — informou um dos diretores, satisfeito com a própria precisão.

Damian assentiu. O gesto saiu no tempo exato, automático demais para ser humano, ensaiado demais para ser espontâneo.

Damian imaginou o restante sem esforço. Elena não era mulher de esconder reações, tentava, claro, mas o corpo denunciava antes que a mente organizasse defesa. Ele visualizou o exato momento em que ela tocou nas pétalas brancas, e o rubor subiu-lhe às bochechas devagar, começando pelo pescoço, como quem não estava acostumada a ser notada daquela forma.

Ela ficaria ligeiramente corada, como se o sangue tivesse pressa de aparecer antes que pudesse controlá-lo. Não por vaidade, nem por constrangimento, mas porque Elena era uma mulher emotiva, não exagerada.

E ele quase sorriu ao imaginar a doçura involuntária daquele gesto. O modo como sua boca se curvaria num sorriso pequeno, íntimo, reservadíssimo, daqueles que ninguém tinha direito de assistir de perto. Elena sorria com o olhar antes de sorrir com a boca, e Damian sabia disso porque prestava atenção em coisas que não deveria.

A caneta girou entre os dedos uma vez. Depois outra. Alessandro, que estava sentado ao seu lado, percebeu imediatamente. Homens como ele aprendem a ler o que não é dito. E ninguém conhecia tão bem as pequenas rupturas no controle de Damian quanto ele, eram fissuras discretas nos muros que Cavallari passou a vida inteira construindo.

— Damian? — chamou um dos conselheiros, cauteloso, como quem pressente terreno instável. — Precisamos da sua validação nesse ponto.

Validação…

A palavra atravessou o ar e morreu antes de encontrá-lo. Ele piscou, não porque não sabia o que responder, mas porque sua mente estava distante. Foi aí que percebeu que o problema não vinha da reunião. Vinha do fato de estar onde não deveria, longe do que realmente importava. Vinha da tentativa de racionalizar quando tudo dentro gritava em outra direção.

Empurrou a cadeira para trás e se levantou, sem pedir licença. O som seco do atrito cortou o ambiente como faca, silenciando todas as vozes.

— Alessandro. — disse, já caminhando. — Assuma.

Sem explicações, sem gestos conciliatórios e sem qualquer cuidado com aparências.

Alessandro se levantou também, com aquela elegância estudada dos homens que conhecem o peso dos bastidores.

— Claro. — respondeu, sereno. — O senhor Cavallari teve um compromisso pessoal inesperado.

Ninguém questionou. Ninguém jamais questionava. Porque homens como Damian não justificam, decretam.

No elevador privativo, soltou o primeiro botão da camisa. Depois passou a mão pela nuca, como se precisasse de mais ar do que a gravata permitia. Não havia ligação urgente, nem alarme ou qualquer catástrofe externa.

Havia apenas o limite interno.

E limites internos, quando se rompem, não avisam.

No estacionamento, abriu o carro com mais força do que o necessário. Jogou o paletó no banco traseiro, arrancou a gravata e a jogou ao lado, desabotoando mais dois botões enquanto subia as mangas até os antebraços, num gesto rápido, irritado, quase agressivo.

Dirigiu sem música ou sem qualquer outra distração.

A cidade passava pelos vidros como paisagem que não importava. O pensamento era único, insistente, inegociável:

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