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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 98

“Alguns gestos não pedem resposta. Eles apenas permanecem.”

Elena Rossi

Os lírios tinham perfume demais para um quarto de hospital.

Os lírios exalavam uma fragrância suave e bela, presente o bastante para preencher o quarto e persistir ali mesmo quando a porta se fechava.

Elena apoiou o queixo na borda da cama de Sofia e ficou observando as pétalas brancas por tempo demais. Aqueles lírios não eram flores de cortesia nem de protocolo, não tinham sido enviados por obrigação.

Eram um gesto. E gestos, quando vêm de certos homens, dizem muito mais do que palavras.

O cartão continuava dentro do envelope, dobrado e quieto. Elena tinha lido apenas uma vez e rápido demais, como quem comete um pequeno erro e tenta corrigi-lo antes que deixe marcas. Mas o corpo tinha memória própria, e essa parte ela nunca soube controlar.

Sofia estava abraçada ao ursinho Mel e o tórax subia devagar. Ela não dormia, apenas apreciava o carinho da irmã, que acariciava seu rostinho delicado. Elena ajeitou o cobertor infantil com um cuidado exagerado, como se qualquer movimento pudesse quebrar o silêncio interno que ela tentava sustentar.

Pensou nele.

Não da forma que uma mulher pensa num homem que deseja, mas da forma que alguém pensa em algo que não sabe nomear e por isso tenta esconder. O incômodo estava justamente aí, porque Damian surgia sem pedir permissão, sem contexto, sem justificativa, como se já tivesse conquistado um território que ela nem sabia que existia.

Por um momento fechou os olhos e lembrou do restaurante. De como ele com um gesto, fez todos desaparecerem, apenas para que ela se sentisse confortável e aceitasse dançar com ele. Lembrou do toque dele em sua cintura, do beijo no seu pescoço e de como ele capturou seus lábios, com delicadeza e com fome.

Sua mente foi ainda mais além. E Elena lembrou do banheiro, do toque cuidadoso em seu corpo, da maneira que ele a beijou e a fez sentir prazer.

Passou os dedos pelo rabo de cavalo e puxou alguns fios atrás da orelha. Era o seu gesto de tentar colocar os pensamentos em ordem e naquela manhã, ordem era impossível.

Ela olhou para os lírios outra vez.

— Você vai continuar encarando as flores até elas responderem? — veio a voz baixa e risonha de Sofia.

Elena arregalou os olhos, surpresa.

— Eu não estava encarando coisa nenhuma.

— Estava sim. — insistiu Sofia, virando de lado. — Você fica meio vermelhinha quando pensa nele.

— Sofia! — Elena sussurrou, mas a repreensão veio sem força. — Eu não sei de quem esta falando.

— Ora o moço alto e bonito. Aquele que todo mundo tem medo e que fica olhando para mim pelo espelho.

— Nã-não inventa. — respondeu corada.

— Não preciso inventar — retrucou a menina, apoiando o rosto na mão. — É só a verdade.

Elena sentiu o calor subir pelo pescoço e odiou o próprio corpo por ser tão transparente.

— Ele veio hoje? — perguntou Sofia, sem rodeios.

A pergunta ficou suspensa no espaço, entre o perfume dos lírios e o som de ambas respirações.

Elena abriu a boca para responder, mas nada veio. E isso já era resposta suficiente.

Capítulo 98 — Onde as Flores Dizem Mais que a Voz 1

Capítulo 98 — Onde as Flores Dizem Mais que a Voz 2

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