POV: Chiara
Depois de muito chorar, meus olhos ardiam e minha garganta parecia seca como o deserto. Olhei para o meu pai, que continuava em seu sono frágil, e senti uma pontada no peito. Levantei-me com as pernas pesadas, inclinei-me e beijei sua testa fria. Eu precisava de ar. Precisava de cafeína para não desabar ali mesmo.
Caminhei até a cafeteria do hospital, um lugar de luzes brancas demais e rostos cansados. Pedi um café preto, sem açúcar, e me sentei em um canto isolado. O copo de plástico queimava minhas mãos, mas eu mal sentia. Foi quando meu celular começou a vibrar. Era Giulia.
— Chiara? Como estão as coisas? — a voz dela era um sopro de normalidade que quase me fez desmoronar de novo.
— Eu estou no hospital, Giu... — respondi, e minha voz quebrou. — As notícias são péssimas. O câncer se espalhou. Metástase.
As lágrimas voltaram a cair, silenciosas, pingando dentro do meu café.
— O médico disse que tem um tratamento novo, mas o valor... Giu, é uma fortuna. Eu não sei o que fazer. Eu não tenho esse dinheiro, não tenho onde conseguir. Eu estou desesperada, Giu. Completamente desesperada. Se eu não pagar, ele... ele não vai conseguir.
Desabafei tudo, soluçando baixo ao telefone enquanto minha melhor amiga tentava me consolar com palavras que eu não conseguia processar. Eu só conseguia pensar nos números que o Dr. Arcuri tinha escrito naquele papel. Eles pareciam uma sentença de morte.
Depois de desligar, lavei o rosto no banheiro e respirei fundo três vezes. Voltei para o quarto do meu pai com outro café na mão, tentando montar uma máscara de força. Mas, ao abrir a porta, o café quase escorregou dos meus dedos.
Massimo Capone estava parado ali, ao lado da cama do meu pai.
O terno escuro e a postura imponente faziam o quarto de hospital parecer pequeno demais, quase sufocante. O choque percorreu meu corpo como uma descarga elétrica.
— O que você está fazendo aqui? — perguntei, a voz saindo em um tom de urgência e confusão.
Ele se virou para mim e um sorriso lento, quase predatório, surgiu em seus lábios.
— Querida, eu vim visitar o meu sogro.
Sogro? Meus pensamentos entraram em curto-circuito. Ele só podia estar ficando maluco. Um dia ele me convida para jantar — um convite que eu aceitei, mas que ele nem chegou a concretizar com um telefonema — e agora ele aparece no hospital chamando meu pai de sogro? Meu Deus, onde foi que eu me meti?
— Podemos conversar lá fora rapidinho? — perguntei, fuzilando-o com o olhar, meu sangue fervendo de indignação e medo.
Em vez de sair, Massimo se aproximou de mim. Antes que eu pudesse recuar, ele me puxou para os seus braços. O cheiro dele — uma mistura de sândalo, fumo e algo metálico — invadiu meus sentidos. Ele inclinou a cabeça e beijou minha testa com uma ternura que me deixou paralisada.

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