CLÁUSULA III: DA EXCLUSIVIDADE (A POSSE)
3.1. A PARTE B renuncia a qualquer contato com figuras masculinas externas, salvo familiares diretos sob supervisão.
3.2. A PARTE A detém o direito de exclusividade sobre o corpo, o tempo e os pensamentos da PARTE B. O que o Don deseja, ele toma.
— O que o Don deseja, ele toma... — repeti as palavras, sentindo um arrepio que era um misto de tesão e pura fúria. Massimo era um homem possessivo, eu já tinha sentido isso na pele, no formato das suas mãos e nas ordens que ele me dava na cama. Mas se ele achava que a exclusividade seria uma via de mão única, ele estava redondamente enganado. — Você quer exclusividade sobre o meu corpo, Massimo? Pois saiba que eu também terei exclusividade absoluta sobre o seu. Você não está autorizado a tocar em nenhuma outra mulher neste mundo. Se você é meu Don, eu sou a sua única dona.
Meus pensamentos involuntariamente voaram para longe, cruzando com a imagem de Elettra.
Voltei os olhos para a última parte do documento, onde os termos tornavam-se ainda mais sombrios.
CLÁUSULA IV: DA RESCISÃO
4.1. Este contrato não possui cláusula de rescisão por vontade da PARTE B.
4.2. A única forma de dissolução deste acordo é por decisão unilateral da PARTE A ou pelo falecimento de uma das partes.
4.3. Em caso de tentativa de fuga, a PARTE B aceita que a "vida por vida" prometida será cobrada de seu ente protegido.
Terminei de ler e fechei os olhos por um segundo, sentindo o peso daquela última frase esmagar qualquer resquício de ingenuidade que eu ainda tivesse. "Vida por vida". Se eu tentasse fugir, meu pai pagaria com a própria vida. O contrato era, na verdade, uma sentença de vinculação eterna. Eu estava presa a Massimo Capone por laços de sangue, dinheiro e poder.
Ainda perdida no turbilhão de emoções que o papel me causou, o silêncio do escritório foi abruptamente quebrado. O som da maçaneta girando ecoou forte e a porta se abriu de uma vez.

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