POV: Massimo
O motor da van blindada roncava baixo, um som rítmico e abafado que cortava a névoa densa da madrugada enquanto deixávamos os limites de Pavia para trás. O banco de couro sob o meu corpo parecia rígido, refletindo a tensão que ainda dominava cada músculo do meu pescoço. Olhei pela janela de vidro escuro, observando as silhuetas dos campos de oliveiras sumirem gradativamente na escuridão, substituídas pelos contornos cinzentos da rodovia secundária que nos levaria de volta a Milão. A caçada externa havia terminado com um sucesso cirúrgico, mas, para mim, o verdadeiro trabalho estava apenas começando.
No chão da van, aos meus pés, Moretti emitia um som sôfrego, um gemido agudo misturado com o borbulhar do sangue que insistia em escorrer pelo seu nariz quebrado. Ele estava com as mãos presas para trás pelas algemas táticas de nylon, os joelhos encolhidos contra o metal do assoalho e a cabeça totalmente coberta por um capuz de lona preta. O terno caro que ele usava agora estava rasgado, sujo de poeira e manchado pelo vermelho escuro que brotava do seu ombro baleado. Era patético ver o homem que se considerava o arquiteto do ataque ao Palazzo reduzido a um volume trêmulo e indefeso dentro do meu carro.
Matteo estava sentado no banco oposto, segurando sua submetralhadora com uma das mãos enquanto usava a outra para ajustar o comunicador. Sua expressão era de pura indiferença, a apatia típica de um executor que já cumpriu a sua cota de sangue na linha de frente e agora apenas aguarda o desfecho.
— O comboio secundário já mudou de rota três vezes na entrada da província, Massimo — Matteo quebrou o silêncio, a voz saindo baixa para não ecoar demais no espaço fechado. — Enzo confirmou que nenhuma patrulha da polícia local foi acionada. A fazenda em Pavia já está sob o comando da equipe de incineração. Em duas horas, nem a perícia forense vai conseguir provar que Moretti um dia teve uma propriedade rural ali. Tudo virando fumaça.
— Excelente — respondi, sem desviar os olhos do corpo trêmulo no chão. — E a van de vigilância? Onde está o Adrian?
Antes que Matteo pudesse responder, o chiado característico do rádio ecoou diretamente no meu ouvido. A voz de Adrian surgiu limpa, carregada de um cansaço físico que ele tentava disfarçar, mas mantendo a precisão técnica de sempre.
— Massimo, já estou cruzando o perímetro sul de Milão na van de comando — Adrian relatou, mantendo o tom profissional. — As rotas estão completamente limpas. O rastreamento dos celulares secundários dos homens de Moretti parou por completo; o apagão que causei nos servidores deles foi definitivo. Ninguém está procurando por ele porque ninguém sobrou para dar o alarme. Estou indo direto para o subsolo da mansão para preparar a sala de isolamento.
— Bom trabalho, Adrian. Nos encontramos lá em vinte minutos — falei, desligando o canal com um toque no botão do colete.
Moretti deu um solavanco no chão quando a van passou por uma ondulação mais forte na pista. O movimento brusco o fez soltar outro gemido de dor por causa do ombro perfurado pela bala de Matteo. O capuz de lona preta subia e descia rapidamente, denunciando a sua respiração descontrolada e o pânico que o consumia na escuridão. Ele sabia exatamente o que o esperava. Na nossa linha de negócios, ser capturado vivo pelo novo Don após a morte do patriarca era o pior destino que um homem poderia cavar para si mesmo. A morte rápida no escritório de Pavia teria sido uma misericórdia que ele definitivamente não merecia.
Inclinei-me para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, e estiquei a mão para segurar o tecido grosso do capuz com força, puxando a cabeça dele para cima de forma violenta.
— Você está confortável aí embaixo, Moretti? — perguntei, a minha voz saindo em um sussurro gélido, quase sussurrado, que preencheu o interior do veículo. — Aproveite o silêncio da viagem. É a última parte pacífica que você terá na sua existência.
Ele tentou articular algumas palavras por trás do pano, a voz saindo abafada e trêmula, misturada com o choro contido.
— Massimo... por favor... os negócios... seu pai sabia... nós podemos fazer um acordo... eu divido o controle das rotas orientais... tudo o que você quiser...
Soltei um riso curto, um som seco e desprovido de qualquer traço de humor, e empurrei a cabeça dele de volta contra o chão de metal com um baque surdo.
— Você ainda não entendeu a sua situação, seu verme. Você não tem rotas, não tem homens, não tem dinheiro e, o mais importante, você não tem tempo. O Tabuleiro agora é meu. Cada pedaço de calçada em Milão responde ao meu comando a partir de hoje. Você achou que matar Vittorio Capone dividiria a Tríade, mas você apenas uniu os três irmãos sob um único propósito: ver a sua carne ser arrancada pedaço por pedaço.

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