⚠️ ALERTA DE GATILHOS
Este capítulo contém cenas de violência física, tortura e situações potencialmente perturbadoras.
A leitura é recomendada apenas para leitores que se sintam confortáveis com esse tipo de conteúdo. Caso você seja sensível a esses temas ou perceba que eles podem causar desconforto emocional, considere pular este capítulo ou prosseguir com cautela.
Cuide do seu bem-estar e tenha uma boa leitura. 🖤
POV: Massimo
O ar dentro daquela sala de isolamento subterrânea era espesso, frio e cheirava a concreto úmido misturado com o ferro do sangue que já começava a pingar no chão. As lâmpadas fluorescentes no teto emitiam um zumbido baixo, constante, iluminando cada detalhe do rosto desfigurado de Moretti. Ele estava preso àquela cadeira de metal pesado, com os pulsos e tornozelos esmagados pelas abraçadeiras de aço. Ele nos olhava de baixo, os olhos esbugalhados saltando da órbita, o peito subindo e descendo num ritmo frenético de quem sabe que entrou no próprio matadouro.
Aproximei-me da mesa de metal onde Matteo organizava os instrumentos. Lâminas cirúrgicas, alicates de pressão, maçaricos portáteis e cabos de aço estavam dispostos de forma milimétrica. Peguei uma faca de caça de lâmina escura, sentindo o peso do cabo texturizado na palma da minha mão. Virei-me devagar na direção do prisioneiro.
— Vamos pular a parte em que você chora e implora por uma clemência que nós dois sabemos que não existe, Moretti — falei, a minha voz saindo baixa, quase calma, o que parecia aterrorizá-lo ainda mais. — Você vai nos dar cada conta numerada, cada nome dos seus aliados restantes e cada rota de contrabando que ainda funciona. E mesmo depois de me dar tudo isso, você ainda vai morrer. A única coisa que você pode escolher aqui é o nível de dor que vai sentir até lá.
— Massimo... eu já disse... as contas da Suíça... eu dou os códigos... — ele começou a gaguejar, a saliva misturada com o sangue do nariz quebrado escorrendo pelo queixo. — Mas o ataque ao Palazzo... não fui só eu... Tomasso me deu apoio... os outros conselheiros sabiam...
Dei um passo à frente e, sem aviso, cravei a ponta da faca de caça na coxa esquerda dele, girando a lâmina um quarto de volta. O grito de Moretti foi um som agudo, rasgado, que bateu nas paredes de isolamento acústico e morreu ali dentro. Ele arqueou as costas contra a cadeira, as correntes tilintando desesperadamente.
— Isso é pelo meu pai — sussurrei, puxando a lâmina de volta e observando o sangue fresco jorrar pelo tecido rasgado da calça dele.
Adrian manobrou a sua cadeira de rodas para mais perto, parando do lado esquerdo de Moretti. O semblante dele era uma máscara de gelo. Ele não tinha a força física para ficar de pé e desferir golpes brutos, mas a sua mente calculava a dor com uma precisão matemática. Ele segurava um tablet conectado aos sistemas de monitoramento e, com a outra mão, pegou um par de fios de cobre desencapados conectados a uma bateria automotiva que Enzo havia trazido.
— Você achou que tinha sido um plano perfeito, não foi, Moretti? — Adrian perguntou, a voz saindo tão fria quanto o metal da sua cadeira de rodas. — A sabotagem no sistema de pressurização do meu jatinho particular. A pane elétrica que me fez cair no meio do nada e quase me custou as pernas. Você achou que apagando o cérebro da Tríade, o Massimo e o Matteo seriam fáceis de abater.
Moretti arregalou os olhos, tentando afastar a cabeça quando Adrian aproximou os fios da sua pele exposta e suada do pescoço.
— Não... o avião... eu não... — ele tentou mentir, mas o pânico o entregou.
— Os registros de manutenção da pista em Turim tinham as assinaturas digitais de uma das suas empresas de fachada, seu verme — Adrian sibilou. Ele encostou os fios desencapados diretamente no peito de Moretti, bem em cima da ferida do tiro no ombro.
A descarga elétrica fez o corpo de Moretti se contrair em uma convulsão violenta. Seus dentes se chocaram, os olhos viraram para trás e um som sufocado saiu da sua garganta enquanto o cheiro de pele queimada começava a empestear a sala. Adrian manteve o contato por longos dez segundos antes de afastar os fios, deixando o homem ofegante, babando e com os músculos tremendo sem controle.
— Isso é pelas minhas pernas. E por cada dia que passei naquele hospital — Adrian disse, guardando os fios no colo com uma frieza assustadora.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Massimo - A Obsessão do Don