POV: Chiara
O som suave e compassivo das ondas do mar quebrando contra as estruturas de pedra parecia ditar o ritmo lento daquela manhã perfeita. Doze dias haviam se passado desde a noite em que unimos nossos destinos diante do altar e, honestamente, eu ainda sentia como se estivesse flutuando em uma realidade paralela. O turbilhão de emoções da festa, os olhares tensos do conselho e a intensidade deliciosa de nossas primeiras horas como marido e mulher tinham dado lugar a uma calmaria que eu nunca imaginei encontrar nos braços do chefe da máfia.
Neste exato momento, estávamos sentados lado a lado, aproveitando um maravilhoso café da manhã na varanda privativa do resort mais exclusivo e romântico da região: o Hotel Cipriani, A Belmond Hotel, em Veneza. Estávamos rodeados pela atmosfera de uma verdadeira ilha paradisíaca, onde o luxo se misturava perfeitamente com a sensação de isolamento do resto do mundo.
Devido a algumas responsabilidades inadiáveis de Massimo com o trabalho e os negócios da organização, nós não pudemos viajar para um continente distante ou cruzar o oceano dessa vez. Precisávamos estar a uma distância segura caso alguma emergência exigisse a presença física dele. Então, ciente das limitações de tempo, ele simplesmente se sentou comigo no dia seguinte ao casamento e pediu que eu escolhesse, dentro da Itália, o lugar exato onde eu gostaria de passar os nossos primeiros dias de casados. E eu não consegui pensar em outro lugar se não este. Sempre achei o Cipriani um refúgio absolutamente maravilhoso através das fotos e das histórias que ouvia, mas a realidade superava qualquer expectativa. Eu nunca na minha vida inteira havia me sentido tão livre, protegida e genuinamente feliz quanto nos dias em que estávamos aqui.
A partir do momento em que colocamos os pés no hotel, tudo parecia ter sido extraído diretamente do cenário de um sonho. O tempo que passávamos aqui dentro estava sendo simplesmente mágico, como se os relógios tivessem parado apenas para nos servir. A cada manhã, éramos recebidos com uma mesa impecável, farta de iguarias típicas italianas preparadas especialmente para nós. Nossos cafés da manhã eram um banquete: havia cornetti fresquinhos e crocantes recheados com creme de pistache, fatias delicadas de crostata de frutas vermelhas que derretiam na boca, além de uma seleção fina de queijos como a mozzarella de bufala e o parmigiano-reggiano, acompanhado por fatias transparentes de prosciutto di Parma. Para completar, o aroma do café expresso forte misturava-se ao suco de laranja siciliana espremido na hora.
Massimo tomou um gole de seu café preto, os olhos semicerrados enquanto observava a linha do horizonte sobre as águas venezianas. Ele mantinha a postura relaxada, algo que eu raramente via quando estávamos na mansão. Ver aquele homem implacável desarmado, vestindo apenas uma camisa de linho leve e focado apenas em mim, era o meu maior privilégio.
À tarde, a nossa rotina mantinha o mesmo tom de intimidade absoluta. Fazíamos questão de ignorar o mundo exterior e curtíamos a piscina privativa que a nossa suíte master tinha disponível. O deck de madeira era cercado por uma vegetação alta que garantia total privacidade, permitindo que esquecêssemos até a presença dos seguranças que vigiavam o perímetro distante.
Nadávamos juntos sem pressa, sentindo o frescor da água contrastar com o calor da tarde. Massimo me puxava pela cintura no meio dos mergulhos, suspendendo o meu corpo com a sua força habitual. Brincávamos, trocávamos confissões sussurradas entre as braçadas e, inevitavelmente, o desejo acumulado falava mais alto. Fazíamos amor ali mesmo, ao ar livre, sob o sol forte que aquecia a nossa pele molhada, deixando que os nossos gemidos fossem abafados pelo barulho da água e pela brisa que sobrava do mar. Não havia pressa, não havia ameaças, éramos apenas nós dois testando os limites da nossa paixão.
À noite, o cenário mudava para algo ainda mais sofisticado. Depois que saíamos para caminhar pelas ruas exclusivas e jantávamos em algum restaurante reservado à luz de velas, fazíamos questão de retornar cedo para o nosso santuário no hotel.
Ao voltarmos para a suíte à noite, a atmosfera já estava perfeitamente preparada. Abrimos uma garrafa de um encorpado vinho tinto italiano de uma safra especial. Massimo serviu cuidadosamente duas taças de cristal e me guiou pela mão de volta para a área externa da piscina iluminada por luzes embutidas e pelo luar. Ficamos lá sentados nas espreguiçadeiras confortáveis, bebendo devagar e aproveitando a raridade daquele momento de paz.
Depois de alguns minutos em silêncio apenas apreciando a companhia um do outro, Massimo bateu de leve no próprio peito e me chamou para deitar ao lado dele. Levantei-me da minha espreguiçadeira com a taça na mão e me acomodei no espaço ao seu lado. Deitei-me na mesma espreguiçadeira com ele, acomodando a minha cabeça confortavelmente no seu peito largo, sentindo o pulsar compassado do seu coração. Passei o meu braço livre ao redor da sua cintura, ficando completamente abraçada com ele, enquanto ele passava a sua mão grande pelos meus fios, fazendo um carinho suave no meu cabelo que me dava uma sensação absurda de segurança.
— Chiara — ele começou, a voz grave vibrando contra as minhas costas. — Eu quero que você saiba que, assim que as coisas se acalmarem com os assuntos da máfia nas próximas semanas, nós vamos passar uns quinze dias em qualquer outro lugar do mundo que você queira. Dessa vez as circunstâncias não permitiram que fôssemos mais longe por causa do meu cargo, mas eu vou organizar toda a logística. Basta você me dizer para onde quer ir.
Eu sorri contra o tecido da sua camisa, sentindo os meus olhos brilharem com a promessa.

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