POV: MASSIMO
O vento morno da noite veneziana trazia consigo o cheiro do mar, batendo suavemente contra as cortinas de linho claro da nossa varanda privativa. Aquela era a nossa última noite no Hotel Cipriani. Doze dias haviam passado, e olhar para o cenário montado diante de mim me dava uma mistura de profunda satisfação e uma ponta de tristeza por saber que o nosso isolamento estava chegando ao fim. Para marcar a despedida desse refúgio que havia se tornado o nosso santuário, ordenei que um jantar especial e exclusivo fosse servido na varanda privada da suíte, bem de frente para o mar, sob o manto de um céu completamente estrelado.
A mesa estava impecável, iluminada apenas por velas baixas que dançavam com a brisa e pela luz do luar que se refletia nas águas escuras logo adiante. Chiara estava sentada na minha frente. Ela sorria de uma maneira totalmente relaxada, uma expressão leve que ela só exibia quando estávamos completamente sós, longe do peso do meu sobrenome e das obrigações da máfia. Ela esperava pacientemente que nos fosse servido um verdadeiro banquete de despedida, preparado minuciosamente pelos melhores chefes do hotel.
Os funcionários haviam acabado de trazer o prato principal: um legítimo risotto al nero di seppia com frutos do mar grelhados e raspas de limão siciliano, exalando um aroma que preenchia o ar. Chiara olhou para o prato com os olhos brilhando e, soltando uma risada baixa, admitiu que já estava com água na boca só de imaginar o tiramisù artesanal que viria como sobremesa logo depois.
Eu, no entanto, mal conseguia prestar atenção na comida refinada ou no luxo que nos cercava. Eu estava com a minha boca cheia d’água e com o corpo tenso só de observá-la. Os dias passados sob o sol da costa italiana haviam deixado a sua pele com um tom dourado claro e irresistível. Seus olhos verdes pareciam ainda mais brilhantes sob a luz trêmula das velas, e os seus cabelos escuros e levemente ondulados estavam espalhados de forma natural pelos ombros. Minha esposa era linda, uma verdadeira perdição que eu tinha a honra de chamar de minha.
Percebendo a intensidade do meu olhar, Chiara inclinou o corpo sutilmente para a frente. Ela esticou a sua mão por cima da mesa e entrelaçou os nossos dedos, prendendo o meu olhar com o seu.
— No que você está pensando com tanta seriedade? — ela perguntou, a voz saindo mansa, os dedos acariciando as costas da minha mão.
Levei alguns segundos para responder, apenas desfrutando do calor do seu toque. Eu não era um homem de meias palavras, e com ela, eu não precisava esconder absolutamente nada do que se passava na minha mente.
— Estou pensando no quanto eu sou sortudo por ter uma esposa gostosa, dona dos olhos verdes mais bonitos que eu já vi em toda a minha vida, e no fato de que estou totalmente disposto a dar tudo o que tenho para sempre ver você sorrir assim — confessei, a minha voz saindo grave e sincera.
Chiara corou levemente, as bochechas ganhando um tom rosado adorável antes de soltar um suspiro fingidamente exasperado.
— Massimo, você está me mimando tanto nesses últimos dias, que vai acabar me estragando desse jeito — ela rebateu, embora o sorriso nos seus lábios entregasse o quanto adorava ouvir aquilo.

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