Ela deixou a taça sobre a mesa e ajeitou a postura, encarando-me com seriedade.
— Eu gostaria de trabalhar, Massimo. Não consigo me ver apenas trancada em casa sem uma ocupação — ela respondeu com franqueza.
Uma linha dura se formou na minha testa imediatamente. A ideia de Chiara trabalhando não me incomodava, mas o formato sim.
— De hipótese nenhuma você retornará para trás de uma mesa como secretária de alguém — afirmei, a minha voz saindo com uma autoridade cortante que não aceitava réplicas.
Chiara abriu a boca, o cenho franzido, claramente prestes a questionar a minha imposição. Antes que ela pudesse formular a primeira palavra de protesto, eu levantei a mão e a complementei, deixando tudo muito claro:
— Você agora carrega o sobrenome Capone, Chiara. Você é a minha esposa. Se você quiser uma empresa, qualquer que seja, você poderá ter. Mas você jamais voltaria a ser funcionária de outra pessoa ou a cumprir ordens de terceiros.
Ela me olhou completamente surpresa, os olhos verdes arregalados processando a dimensão do que eu estava dizendo. Ela piscou algumas vezes, chocada com a facilidade com que eu lidava com algo que, para a maioria das pessoas, levaria uma vida inteira de sacrifícios para alcançar.
— Massimo... quer dizer que eu posso ter a minha própria empresa? — ela perguntou, a voz quase sumindo em um sussurro desacreditado.
— Sim — respondi sem hesitar, dando de ombros como se fosse a coisa mais natural do mundo. — Basta você me dizer exatamente o que você quer, a empresa que for, e eu darei a você. O mercado é seu, escolha o ramo e eu cuidarei de toda a estrutura.
Chiara ficou em silêncio por alguns instantes, desviando o olhar para o mar enquanto digeria a proposta. Vi quando uma determinação bonita e madura tomou conta da sua expressão. Ela voltou a me encarar, os olhos marejados de uma forma diferente.
— Se for assim... eu gostaria de construir algo para ajudar pacientes oncológicos, Massimo — ela confessou, a voz carregada de uma emoção profunda. — Eu sei muito bem a luta que foi durante esses últimos meses para o meu pai passar por todo o processo de tratamento. E eu tenho total consciência de que é graças a você, ao seu dinheiro e ao seu poder, que hoje o meu pai está tendo a oportunidade de um tratamento de ponta, muito melhor do que a maioria das pessoas pode sonhar em ter. Então, se eu tiver essa chance, eu quero fazer algo real para ajudar outros pacientes que não têm os mesmos recursos a enfrentarem essa doença com dignidade.

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