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Massimo - A Obsessão do Don romance Capítulo 166

POV: CHIARA

A vida, aos poucos, seguiu o seu curso de uma maneira que eu jamais poderia ter previsto. Se alguns meses atrás me dissessem que eu estaria vestindo um terno de alfaiataria impecável, prestes a cortar a fita de inauguração de um dos projetos mais ambiciosos e humanos da minha vida, eu provavelmente riria. Mas o tempo passa, as feridas se transformam em força e as promessas de Massimo Capone nunca são feitas em vão. Ele cumpriu exatamente o que me prometeu naquela última noite em Veneza. Tive à minha disposição uma equipe de excelência — desde os melhores arquitetos até os advogados e gestores mais renomados do país — que me ajudou incansavelmente durante meses.

E hoje, finalmente, é o dia da inauguração da minha clínica especializada em oncologia.

O espaço ficou simplesmente impecável. Pensamos em cada detalhe para afastar aquela atmosfera fria e assustadora que a maioria dos hospitais carrega. As paredes têm tons calorosos, a iluminação é natural e há jardins internos que trazem um pouco de paz. Nós estruturamos o lugar para que o paciente encontre absolutamente tudo o que precisa em um único endereço. Temos médicos especialistas de ponta, equipamentos de última geração para diagnóstico, uma farmácia interna para facilitar o acesso às medicações de alto custo e, acima de tudo, um suporte integral de psicólogos e assistentes sociais. Eu não queria apenas tratar a doença; eu queria acolher a pessoa.

Para me ajudar a administrar toda essa estrutura, montei uma diretoria de confiança. E, claro, fiz questão de convidar pessoalmente o Dr. Arcuri para vir trabalhar conosco como o chefe da equipe médica. Afinal, ele contribuiu imensamente para o progresso do meu pai.

Pensar no meu pai me trazia um aperto de gratidão no peito que quase me fazia chorar. Graças a Deus, ao apoio financeiro e à proteção de Massimo, e à dedicação incansável do Dr. Arcuri, o meu pai se recuperou. Ele finalmente retornou para casa, no seu cantinho. Ele ainda continua fazendo o acompanhamento de rotina e tomando algumas medicações preventivas, mas está ótimo, esbanjando saúde. Hoje, nós podemos dizer com a boca cheia e o coração aliviado que ele se recuperou e venceu a sua batalha contra o câncer, o que parecia impossível.

O saguão principal da clínica estava repleto de convidados. Havia jornalistas, médicos renomados, membros da sociedade e, estrategicamente misturados à multidão com seus ternos escuros e posturas alertas, os homens de Massimo, garantindo que nada saísse do controle.

Olhei para o lado e vi o meu pai, Marco, conversando animadamente com o Dr. Arcuri perto da mesa de canapés. Ele parecia tão vivo, tão cheio de energia, que a minha alma se acalmou. Logo atrás dele, com as mãos guardadas nos bolsos da calça social e uma postura imponente que comandava o respeito de qualquer sala, estava o meu marido. Massimo me observava de longe. Quando os nossos olhares se cruzaram, ele deu um quase imperceptível aceno com a cabeça, um gesto que era o seu equivalente a me dizer que estava orgulhoso e que eu estava segura.

O mestre de cerimônias anunciou o início do protocolo e me chamou até o pequeno púlpito montado em frente à placa de inauguração. Senti as minhas mãos suarem de leve, mas respirei fundo, ajeitei a postura e caminhei até o microfone sob os aplausos educados do público.

Olhei para todas aquelas pessoas e decidi deixar os papéis com o discurso pronto de lado. Eu precisava falar com o coração.

— Boa noite a todos — comecei, e a minha voz ecoou clara pelo sistema de som. — Quero agradecer a presença de cada um de vocês que tirou um momento do seu dia para celebrar este início conosco. Quando idealizei este espaço, eu não estava pensando em números, estatísticas ou em um negócio. Eu estava pensando em pessoas.

Fiz uma pequena pausa, sentindo o peso das lembranças voltando.

— Todos nós sabemos que o diagnóstico de câncer dentro de uma família é um dos momentos mais avassaladores que o ser humano pode enfrentar. É uma notícia que chega sem aviso e que tem o poder de paralisar tudo ao redor. Esse diagnóstico não mexe apenas com o corpo do paciente; ele mexe profundamente com o psicológico de toda a família. A incerteza do amanhã, o medo da perda, a dor de ver quem amamos enfraquecer... é um fardo pesado demais para se carregar sozinho. Eu vivi isso na pele muito recentemente, com o meu próprio pai, Marco Rossi. Lembro perfeitamente do chão sumindo sob os meus pés e das noites em claro sem saber se o teria comigo no dia seguinte.

Olhei na direção do meu pai, que sorria para mim com os olhos marejados.

— E foi atravessando essa tempestade que eu entendi a importância vital de uma rede de apoio sólida. O paciente precisa de remédios, sim, mas a família e o doente precisam de um porto seguro. É por isso que fiz questão de que esta clínica tivesse um departamento psicológico robusto. O acolhimento com psicólogos não é um luxo, é uma necessidade para que a mente não adoeça enquanto o corpo luta. Infelizmente, nós sabemos o quanto é difícil para a maioria das pessoas ter acesso rápido a profissionais capacitados, preparados e, acima de tudo, humanos. As burocracias, as filas para exames e a falta de recursos acabam tirando a esperança de muitos. É para preencher essa lacuna que hoje eu tenho o maior prazer e a honra de anunciar a abertura da Clínica Oncologia Esperança.

O público acompanhou as minhas palavras em um silêncio absoluto e respeitoso. Algumas pessoas na plateia limpavam lágrimas discretas, tocadas pela verdade nas minhas palavras.

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