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Massimo - A Obsessão do Don romance Capítulo 167

POV: Chiara

O tempo tem uma forma bonita de colocar as coisas no lugar quando finalmente encontramos a paz. Já estávamos há um ano casados, vivendo a nossa vida da melhor forma possível, construindo uma rotina que misturava a intensidade avassaladora do sentimento de Massimo com a calmaria que eu tanto precisava. O primeiro ano de matrimônio costuma ser de adaptação para qualquer casal, mas para nós, vivendo sob a sombra e o poder de uma organização, foi o período em que fincamos as nossas raízes e provamos que nada seria capaz de nos abalar.

A Clínica Esperança já estava há meses funcionando a todo vapor, indo perfeitamente bem. Cada vez que eu caminhava pelos corredores iluminados e via o semblante aliviado de uma mãe de família recebendo o suporte psicológico, ou um paciente oncológico conseguindo sua medicação de alto custo sem burocracia, o meu peito se enchia. Eu sentia um orgulho imenso do trabalho humanitário que estávamos fazendo ali, salvando e acolhendo tantas vidas.

Aqui na mansão, as coisas também mudaram bastante durante esse último ano. Eu assumi de vez as rédeas da casa e decidi fazer algumas alterações necessárias na estrutura dos funcionários. A principal delas foi trazer a Bellina definitivamente para morar e trabalhar conosco; ela agora era a nova governanta oficial da mansão. Bellina sempre foi um doce comigo, leal e extremamente competente.

Por outro lado, havia a Francesca. A minha verdadeira vontade era demiti-la e colocá-la para fora das nossas propriedades no mesmo instante, mas eu não sou boba. Eu sabia perfeitamente que uma demissão dessa iria causar falatório e confusões desnecessárias com a parte mais tradicional da família de Massimo, que tinha ligações antigas com ela. Agindo com a cabeça fria, decidi mandá-la para bem longe de mim. Chamei Massimo para conversar e informei que, a partir daquele dia, Francesca ficaria encarregada de tomar conta da cobertura dele na cidade, ocupando o antigo lugar de Bellina.

Massimo, fiel à promessa de que eu mandava na casa, não questionou a minha decisão por um único segundo. Ele apenas me olhou com aquele jeito firme e disse que eu tinha total autonomia para fazer as mudanças que achasse necessárias para o meu próprio bem-estar. E assim foi feito. Francesca arrumou as malas dela cheia de desgosto, mas engoliu o seco e foi embora. Por enquanto, não vi a menor necessidade de trocar outros funcionários da mansão; as coisas estavam rodando perfeitamente bem depois que ela saiu do meu caminho.

Eu e Massimo estávamos vivendo praticamente sozinhos naquela imensidão de propriedade, aproveitando cada segundo da nossa intimidade. Agora que já havíamos passado do nosso primeiro aniversário de casamento e eu estava com vinte e sete anos, uma vontade nova começou a florescer dentro de mim. Decidi que já estava mais do que na hora de darmos o próximo passo e termos um filho. Eu queria construir uma família com ele, queria ver a mistura dos nossos traços correndo pelos jardins. Por conta própria, já fazia exatamente um mês que eu havia parado de tomar os meus remédios anticoncepcionais, iniciando as tentativas silenciosas para engravidar.

Massimo nunca me cobrou publicamente sobre ter filhos. Ele me respeitava demais para me pressionar a qualquer coisa, mas eu não nasci ontem. Eu sabia muito bem que, na posição que ele ocupava dentro da máfia como o chefe absoluto, a cobrança por herdeiros de sangue era uma engrenagem pesada e constante nos bastidores. O conselho queria a continuidade da linhagem Capone. E, acima de tudo, pelas conversas e pelo jeito que ele olhava para as crianças na rua, eu sabia perfeitamente o quanto ele desejava ser pai.

O peso dessa cobrança oculta ficou ainda mais claro para mim ontem à noite. Eu estava descendo as escadas para pegar um copo de água na cozinha quando percebi que Massimo ainda estava tendo uma reunião no escritório com alguns de seus homens de confiança. Ao passar pelo corredor silencioso, a porta ligeiramente entreaberta deixou vazar o som das vozes graves lá dentro. Acabei parando os meus passos e escutando quando um dos soldados mais velhos questionou o chefe de forma direta, pontuando que ele já estava há um ano casado e que a organização ainda não tinha um herdeiro legítimo. Logo em seguida, outro homem complementou com uma voz firme, dizendo que já estava na hora da esposa dele engravidar para garantir a estabilidade do território.

Eu não fiquei para ouvir a resposta de Massimo. Dei meia-volta e subi as escadas com o coração batendo mais rápido, não por raiva, mas pela certeza absoluta de que a minha decisão de parar o remédio era a mais certa a se tomar. Eu ia dar a ele o filho que ele tanto merecia.

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