POV: Massimo
O dia na organização havia sido um inferno completo. Problemas com carregamentos nas fronteiras, reuniões tensas com os chefes de território e aquela eterna necessidade de manter a guarda alta a cada segundo. Minha mente parecia prestes a explodir e o meu corpo implorava por um banho e pelo silêncio do meu lar. Finalmente, estacionei o carro na garagem da mansão e caminhei em direção à entrada principal, ansiando apenas pelo cheiro da minha mulher para aplacar a minha irritação.
Abri a porta de madeira e cruzei o saguão de entrada. No entanto, assim que me aproximei do aparador para colocar o meu molho de chaves e a carteira, algo fora do comum chamou a minha atenção. Havia um envelope de papel texturizado, perfeitamente posicionado bem no centro do móvel, com o meu nome escrito na frente com aquela caligrafia desenhada e delicada que eu reconheceria em qualquer lugar do mundo. Era a letra da Chiara.
Arqueei uma sobrancelha, sentindo a tensão dos meus ombros ceder um pouco pelo mistério. Peguei o papel, abri o envelope com cuidado para não rasgá-lo e comecei a ler o que ela havia escrito:
Meu amor,
Hoje eu preparei uma pequena aventura para você.
Você vai precisar seguir as pistas e confiar no seu coração.
Prometo que, ao final de tudo, encontrará o presente mais precioso que nós dois poderíamos receber em toda a nossa existência.
Está pronto?
Sua primeira pista está exatamente onde todos os nossos dias começam, o lugar onde compartilhamos os nossos cafés logo cedo e onde traçamos muitos planos para o nosso futuro.
Terminei de ler e um sorriso involuntário e intrigado brotou nos meus lábios. Aquela garota realmente sabia como prender a minha atenção e quebrar a minha postura de chefe implacável. Respondi em voz alta, falando sozinho no silêncio do saguão:
— Com certeza é a cozinha.
Caminhei em passos firmes pelo corredor de mármore e empurrei a porta da cozinha. O espaço estava impecavelmente limpo e silencioso, sem nenhum funcionário por perto — o que significava que ela havia planejado tudo para termos total privacidade. Olhei ao redor e, não demorou muito, avistei o segundo envelope descansando bem ao lado da nossa cafeteira expressa. Aproximei-me, peguei o papel e desdobrei a nota.
Aqui nós sonhamos com viagens, festas e tantos outros planos...
Mas existe um lugar especial na casa onde fazemos os nossos brindes mais íntimos e marcantes.
Vá até lá.
Li as palavras e estreitei os olhos, cruzando os braços por um breve segundo enquanto decifrava a charada.
— Adega — murmurei com a voz rouca, achando graça da inteligência da minha esposa.
Desci os lances de escada que levavam ao subsolo da mansão, onde o clima era consideravelmente mais fresco e o cheiro de carvalho e vinho dominava o ambiente. Acendi as luzes em tom suave da adega e passei os olhos pelas prateleiras repletas de garrafas históricas. Fui direto para o setor dos vinhos mais caros e antigos, parando exatamente ao lado da minha garrafa favorita, um Brunello di Montalcino de safra exclusiva. Lá estava ele: o terceiro envelope.
Abri o papel, sentindo a curiosidade morder o meu estômago.
Existem momentos na vida que merecem ser comemorados com o melhor dos brindes.
Mas o motivo da nossa comemoração de hoje é infinitamente maior do que qualquer vinho que você tenha guardado nesta adega.

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