POV: Chiara
Três meses se passaram desde aquela noite mágica em que transformei a nossa suíte master em uma caça ao tesouro. Três meses em que meu corpo começou a mudar sutilmente, adaptando-se para abrigar a vida que crescia em meu ventre. Hoje, a expectativa no ar era palpável. Eu estava deitada na maca da sala de exames da clínica obstétrica, com a camisa levemente erguida e aquele gel gelado cobrindo a minha pele. Meus olhos estavam fixos, quase sem piscar, na tela escura do aparelho de ultrassonografia. Ao meu lado, sentado em uma cadeira colada à maca, Massimo segurava a minha mão esquerda. Seus dedos grandes estavam entrelaçados nos meus com uma firmeza que me ancorava no chão, embora eu pudesse sentir uma leve e quase imperceptível vibração de ansiedade vindo dele.
A doutora Katherine, uma médica extremamente dócil e competente em quem depositamos toda a nossa confiança, deslizava o transdutor pela minha barriga com movimentos lentos e concentrados. O silêncio na sala era quebrado apenas pelo zumbido baixo do equipamento. Katherine franziu os olhos por um segundo, ajustando o foco da imagem na tela preta e cinza, e um sorriso enorme começou a se desenhar em seus lábios. Ela olhou de relance para nós dois e voltou a atenção para o monitor.
— Bem, Chiara... Massimo... olhem bem aqui para este ponto — a doutora Katherine começou, apontando com a ponta do dedo para a tela do computador. — Estão vendo essa divisão aqui? Deixem-me ajustar o som para vocês.
De repente, um som alto, rápido e ritmado preencheu cada canto daquela sala silenciosa. Tum-tum-tum-tum. Era o som mais lindo que eu já ouvira na vida. Mas, antes que eu pudesse sequer formular um pensamento, o som pareceu se duplicar, criando um eco perfeito e sincronizado em frequências ligeiramente diferentes.
— O que estamos ouvindo aqui não é o ritmo de apenas um coraçãozinho — a doutora Katherine anunciou, com a voz carregada de uma alegria contagiante. — Não é apenas um bebê, Chiara. São dois. Vocês estão esperando gêmeos!
No mesmo instante em que a frase ecoou, Massimo apertou a minha mão com tanta força que por um segundo achei que ele fosse esmagar os meus ossos, mas eu não me importei. Eu olhei para ele imediatamente. Nunca, em toda a minha vida, eu imaginei que um homem como Massimo Capone — um homem moldado pelo frio da máfia, acostumado com a violência crua, treinado desde o berço para o combate e profundamente orgulhoso pelo autocontrole absoluto que sempre possuiu diante de qualquer situação — fosse desabar daquele jeito. Eu vi, com os meus próprios olhos, o corpo imponente e viril do meu marido tremer dos ombros até as mãos ao ouvir o pulsar dos seus herdeiros ecoando na sala da clínica. A armadura implacável do chefe da organização simplesmente evaporou, dando lugar a um pai em choque de puro amor.
O meu próprio rosto, tenho certeza absoluta, era a imagem viva da mais profunda emoção. Eu não conseguia conter as lágrimas de felicidade que começaram a jorrar livremente, borrando a minha visão e escorrendo pelas minhas têmporas até molhar o lençol de papel da maca.
— Dois corações... — a doutora Katherine repetiu, sorrindo abertamente diante da nossa reação. — Dois corações perfeitos, fortes e batendo no ritmo certo. E vejam só, a posição deles me dá uma excelente visibilidade hoje. Querem saber o sexo ou preferem esperar?
— Diga, doutora. Por favor — pedi com a voz embargada, virando o rosto para olhar novamente para a tela, enquanto Massimo levava a minha mão até os lábios dele, beijando os meus dedos sem desviar os olhos do monitor.
Katherine moveu o aparelho mais um pouco, aplicando uma leve pressão, e soltou uma risada satisfeita.
— Parabéns ao casal. Vocês não vão precisar se preocupar com laços cor-de-rosa por enquanto. São dois meninos. Dois homenzinhos fortes vindo por aí.
Dois meninos. Dois pequenos Capone. Olhei para o Massimo e vi que os olhos dele também estavam marejados, brilhando com um orgulho primitivo e uma devoção que me fez perder o fôlego. Ele se inclinou sobre a maca, ignorando completamente a presença da médica, e colou a testa dele contra a minha, deixando que as nossas lágrimas se misturassem.

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