O treinamento brutal que recebi desde a infância, as surras, as noites sem dormir, a exposição precoce ao sangue... tudo o que meu pai me fez passar me transformou no predador que sou hoje. Rico além de qualquer conta bancária comum, perigoso o suficiente para ser evitado por governos e, agora, pressionado a cumprir a última obrigação. Gerar herdeiros para ensinar sobre o negócio. Criar homens para a máfia e mulheres que seriam as rainhas de outros criminosos.
— Vou perguntar de novo... Desde quando o senhor faz acordos nas minhas costas?
— Massimo, ela é uma boa garota — meu pai disse, ignorando minha fúria latente. — Foi treinada para ser obediente, moldada para ser uma verdadeira esposa dentro das regras da nossa sociedade.
— Pode desfazer — falei, a voz soando como o bater de uma tampa de caixão. — Não haverá acordo nenhum.
— Você sabe que não é assim que as coisas funcionam! — meu pai alterou a voz, batendo com a mão na mesa.
— Eu sei muito bem como as coisas funcionam, pai. Eu sou o dono dessa porra toda agora. E estou dizendo que não haverá acordo de casamento com o sul. Agora, se me dão licença, estou indo embora. Boa noite.
Levantei-me sem esperar resposta. Meu pai continuou falando atrás de mim, mas eu já estava mentalmente longe daquela sala de jantar sufocante. Ele não entendia. Não haveria acordo com nenhuma princesa da máfia treinada para a obediência.
Porque eu já tinha alguém em mente.
Chiara Rossi.
A primeira vez que a vi, ela foi como um soco no estômago que eu não vi chegar. Linda, com curvas que pareciam ter sido desenhadas para que as minhas mãos as explorassem. Foi em uma das visitas de rotina à sede administrativa da empresa de tecnologia que a Tríade Negra usa como fachada e investimento. Eu, Matteo e Adrian tínhamos decidido participar ativamente das ações daquela empresa, mas as obrigações com o sangue e a pólvora me mantiveram longe de lá nos últimos meses.

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