Capítulo 352 – Boa Mira
Evelyn
Voltamos para o quarto e contei às meninas sobre o pessoal que encontramos no posto médico e, como imaginei, isso nem mesmo assusta ou indigna mais minhas amigas. Jo disse que ainda estava tentando ver uma possibilidade de furar o bloqueio, isso demanda tempo e as ferramentas certas, mas estamos falando da senhorita Sophia Jordan Sterling, confio nela de olhos fechados para resolver isso.
— Benjamin não deveria ter saído. — Rosa nos disse.
— Eles terem ido é o que nos dá uma chance maior. — Comentou Lila.
— Acho que devíamos ver se tem uma sala de segurança, talvez haja algo para que eu consiga me comunicar com o Hugo. — Disse Jo.
— Vimos um segurança lá no posto médico, podíamos voltar até lá. — Foi a vez de Mia.
— Decidido então, nós quatro vamos até lá e verificamos. — As meninas concordaram comigo, então Jo me chamou.
— Evie, eu vou também.
— Tem certeza? — Alessa perguntou.
— Confio em vocês para cuidarem do pequeno Jack, e eu indo junto, ganhamos tempo, pois já avalio as nossas possibilidades.
— Combinado então, vamos? — perguntei, todas assentiram e saímos.
Chegamos ao posto e começamos a vasculhar o lugar, Chloe achou melhor ajeitarmos os corpos, ela se sentia mal em vê-los largados daquela maneira. Mia e Lila a ajudaram enquanto eu procurava algo útil com a Jo.
Assim que as meninas mexeram no segurança, viram que ele carregava uma arma de choque, chaves e um rádio.
— Jo, acha que isso funciona? — Chloe perguntou entregando a ela o rádio.
— Isso é perfeito, os outros seguranças devem ter um também. Se conseguir falar com alguém, ao menos saberemos o que está acontecendo.
Guardamos tudo e saímos novamente para o corredor. Foi quando um barulho metálico ecoou, como se algo tivesse caído alguns metros à frente.
Eu e Lila, no reflexo, já levantamos as armas. O resto fez o mesmo, e seguimos em silêncio, os passos lentos.
— O que acha que nos espera? — Jo me perguntou.
— Problemas e dos grandes, fiquem atentas, meninas. — eu disse, Mia e Chloe também estavam com as armas firmes nas mãos. E Jo seguia ao meu lado.
E então eles apareceram.
Três homens, roupas tradicionais sírias, rostos cobertos, ódio nos olhos. Não deu tempo para pensar, nem avaliar se estavam armados ou não, porque Lila foi rápida e atirou.
O homem da frente caiu, com a mão no peito e a thobe já coberta de sangue. Mas antes que tivéssemos tempo de respirar, outros quatro surgiram atrás de nós.
— Merda! — Mia gritou.
Levantei a arma para atirar, mas fui surpreendida por um deles, que me agarrou por trás.
— Me solta, seu cretino!! — Comecei a me debater, e minha arma caiu no chão. Os outros se aproximaram e logo nos encurralaram no corredor.
Eles não estavam armados com armas de fogo, mas sabiam lutar e eram fortes. Num segundo, a confusão se instalou.
Um agarrou Chloe, derrubando-a no chão. Outro arrancou a pistola da mão da Mia com facilidade. Jo conseguiu se esquivar, aproveitando a parede para dar uma joelhada no que tentou segurá-la. Lila também resistia, mas mesmo com a habilidade dela, eram muitos.
O filho da puta que havia me agarrado, me alisava e sussurrava em meu ouvido palavras em árabe. Ele prensou meu corpo no dele, e ria falando com o outro.
— Não ouse, seu maldito!! — Lila gritou para o homem, como quem entendia muito bem o que eles falavam. Continuei lutando, mas sabia que minha força não seria suficiente.
Meus olhos encontraram os da Jo que também estava rendida, ela olhou para algo no pé, depois olhou para mim e não precisei de muito mais para entender.
— Me solta!! — Ela dizia se forçando e vindo mais na minha direção, empurrando a arma com os pés sem que eles percebessem. O homem começou a cheirá-la como um animal, e então veio a brecha que a Jo precisava para chutar a arma até os meus pés.
— Seis?! — eu disse, e foi aí que ele me pegou. E não tive tempo para reagir, eu estava sem munição enquanto ele tinha uma arma na minha cabeça, senti o cano gelado na têmpora.
— Yedi. — Ele me respondeu, e era isso. Os malditos eram em sete, ele devia ter se escondido na hora da confusão.
— Não! — Mia gritou, levantando a arma, mas o cretino apertou ainda mais o metal contra mim.
— Atirem — ele disse o sotaque carregado — E ela morre. — engatilhou a arma a mantendo grudada em mim.
As meninas congelaram. Se errassem, eu estaria morta. O braço dele que estava em volta do meu corpo se apertou mais, ele levou os lábios até meu ouvido e eu pude sentir sua respiração quente em mim.
— Eu morri no instante que entrei nesse lugar. — A mão dele desceu pela minha barriga, mas a mão que segurava a arma se mantinha firme. — Emir, nos deixou em jejum de mulheres. Estou pensando em me aliviar, antes de ir me encontrar com Allah.
— Você é nojento. — respondi.
— E assim como eu, você já está morta. — ele disse com um sorriso nos lábios, eu não via seu rosto, mas o sentia, grudado em mim.
Olhei para as meninas, desesperadas decidindo se atiravam, esperavam.
Ele começou a caminhar para trás, me levando junto. Sabia bem sua intenção, atrás de nós estavam os quartos, e em um deles… estava minha família.
Fechei os olhos por um instante. Pensei em Alex. Na minha filha. No quanto eu ainda tinha para viver. E o quanto eu ia odiar se esse homem me tocasse mais uma vez. Abri os olhos, e olhei ao redor mais uma vez. Minhas opções eram quase zero.
Então… O clique metálico do gatilho ecoou. Mas não era o dele, a arma dele já estava preparada só esperando o momento. Ele parou, pois também ouviu, mas antes de pensar em qualquer coisa, um tiro cortou o ar.
O corpo dele se projetou para a frente, me levando junto.
— EVIE!! — Jo gritou, e correu até mim. No chão olhei para o homem caído, morto ao meu lado com um buraco no meio da cabeça. O corredor ficou em silêncio, só o som do meu coração disparado preenchia o ar.
— Quem…? — murmurei, ainda em choque.
Mas não havia tempo para respostas. Tudo que sabíamos era que, por um fio, eu estava viva.

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