PERSPECTIVA DA SERAPHINA
"Senhora Sera?"
A voz da Samantha cortou a névoa como uma lâmina.
Eu congelei e todos os meus nervos ficaram em alerta enquanto o som dos passos dela chegava aos meus ouvidos.
Meu corpo ainda pulsava, a umidade estava acumulada entre as minhas pernas e o polegar do Kieran pressionava o meu clitóris trêmulo, seu dedo indicador pronto para me penetrar.
Empurrei o peito dele em pânico, sussurrando roucamente: "Para! Para! Ela tá vindo..."
"Senhora Sera? Tá tudo bem..."
"Eu... Eu tô bem!" Gritei, com uma voz aguda e tensa. "Só vim buscar um pouco de água!"
Uma pausa. Passos se movendo contra os ladrilhos do lado de fora da cozinha.
"Eu deveria estar ajudando a senhora," ela disse suavemente, com preocupação transbordando em cada sílaba.
O pânico me tomou, cortante e frenético.
Meus olhos voaram para os do Kieran. Ele não se moveu, seu peito arfando contra o meu, seu olhar selvagem e escuro. Minhas mãos pressionaram contra ele, mas ele continuou tão imóvel quanto uma montanha.
"Não!" Minha voz se partiu. "Não precisa! Tô bem, sério. Só... Vá descansar. Você já fez o suficiente por hoje."
"Tem certeza?" A voz dela agora estava muito, muito mais próxima.
"Sim! Tô bem, Samantha. Boa noite!"
Mais um momento de silêncio. Então, finalmente, passos se afastando. O corredor engoliu a presença dela e a casa voltou a ficar silenciosa.
Soltei um suspiro de alívio, fechando os olhos brevemente, mas os abri imediatamente ao sentir a pressão entre as minhas coxas.
O Kieran ainda não tinha me soltado. Seu corpo me envolvia como uma prisão, seu membro roçava lenta e provocativamente contra a minha coxa, seu polegar pressionava a minha intimidade inchada e dolorida e sua respiração quente e ofegante soava ao lado do meu ouvido.
Mais um segundo, mais um deslize da força de vontade, e eu sabia que ele teria me possuído ali mesmo, no chão da cozinha.
E o pior? Eu não tinha certeza se o teria impedido.
Engoli seco, sentindo a garganta arranhar.
Meu corpo implorava para que eu o empurrasse, para que me livrasse do seu controle, mas a verdade era ainda mais perigosa: eu não queria. Pelo menos, não completamente.
O calor dele pressionando contra mim, o aroma que ultrapassava a quase inexistente barreira do autocontrole... Era como estar envolvida em uma tempestade da qual eu não tinha chance de escapar.
Finalmente, recuperei a minha voz. "Me solta, Kieran."
Ele não soltou. Seus dedos apertaram o meu clitóris e eu mordi o lábio para conter um gemido diante da onda de prazer que me percorreu.
Empurrei o pulso dele, mas ele não se moveu, como se me desafiasse a lutar com ele, como se ele pudesse me manter ali até a lua cair do céu.
"E se aparecer mais gente?" Sussurrei, com o calor temperando as minhas palavras. "Quer que alguém entre aqui e nos encontre assim? Como vamos explicar isso pro Daniel?"
O nome o atingiu como um golpe.
Pela primeira vez desde que os seus lábios se chocaram com os meus, algo vacilou no Kieran.
Eu podia ver a fúria do Ashar nas profundezas do olhar do Kieran como ouro derretido faiscando na escuridão e a mandíbula dele se apertou como se lutasse contra uma coleira invisível.
Eu conseguia ver uma guerra dilacerando-o e podia perceber como ele lutava contra a fome e o desejo a cada respiração brutal.
"Olhe pra você," eu disse suavemente, embora o meu próprio peito estivesse arfando. "Esse não é você. Você deve ter ingerido um pouco de veneno de cobra, ou a lua cheia tá te afetando. Droga, pode ser uma combinação dos dois. Mas não podemos..." Minha voz falhou e a minha garganta se apertou. "Não podemos repetir o erro que cometemos dez anos atrás."
O silêncio que caiu sobre nós foi sufocante.
Os olhos do Kieran queimavam os meus, selvagens e cheios de dor, mas a luta lentamente esvaía do seu corpo. O aperto afrouxou, embora ele não tenha me soltado de imediato.
"Kieran," eu sussurrei. "Por favor."
Era ridículo, tolo, na verdade, como eu tinha que me esforçar para não seguir as mãos dele quando ele as retirou da minha calcinha.
Um calafrio estranho se espalhou por mim quando o peso e o calor dele desapareceram ao se levantar.
Pisquei para o teto por alguns segundos desorientados antes de reunir energia para me sentar.
E, então, antes que me desse conta, as mãos dele estavam apoiando as minhas costas, levantando-me gentilmente para colocar-me de pé.
Minha primeira reação foi me inclinar sobre ele, agarrar o seu braço e nunca mais soltá-lo. Mas, assim que fiquei de pé, ele deu um passo para trás e quase tropecei com a ausência repentina.
O calor dele ainda pairava sobre a minha pele e o seu cheiro estava impregnando o ar ao meu redor como uma fumaça que se recusava a se dissipar.
Sem dizer uma palavra, ele se abaixou para pegar o robe que eu não tinha percebido que havia escorregado dos meus ombros.
Olhei para baixo e as minhas bochechas coraram ao perceber que ele tinha arrancado os botões da minha camisola e que os meus seios estavam praticamente expostos para ele.
As mãos dele, agora surpreendentemente firmes, puxaram o tecido do robe de volta sobre os meus ombros, os dedos roçando intimamente enquanto ele amarrava o cinto.
O toque era quase terno e não ajudou a apagar o calor que ainda retorcia o meu ventre.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei