POV / ISADORA
Dois anos tinham se passado desde aquela noite claustrofóbica, abafada e barulhenta dentro da SUV. Dois anos inteiros que pareceram uma eternidade de transformações drásticas na minha rotina, no meu corpo e na forma como eu enxergava o mundo ao meu redor.
O primeiro grande corte que fiz na minha própria carne foi definitivo, um marco divisório na minha trajetória: eu saí do Ambrosia Club de uma vez por todas. Largar o clube noturno foi um processo doloroso, arrastado, um verdadeiro desmame daquela armadura de palco que usei por tanto tempo para me proteger do mundo exterior e das garras dos homens que tentavam me comercializar. Deixar as roupas de lantejoulas, o mistério das luzes vermelhas e a adrenalina do shibari foi como arrancar uma segunda pele, mas eu precisava dar esse passo se quisesse construir um futuro real.
Hoje, a minha realidade era o ambiente corporativo, trabalhando em tempo integral no setor de Direito Trabalhista da TechGlobal, dividindo os meus dias entre relatórios jurídicos complexos, auditorias internas e as cobranças maçantes do horário comercial.
Tecnicamente, o meu relacionamento com o Mathew já estava mais do que assumido para quem quisesse ver. Não existiam mais termos de exclusividade comprados por trás de portas fechadas, transações financeiras para garantir o meu tempo ou segredos sussurrados nos corredores escuros da empresa para evitar os falatórios do RH. Todo mundo no escritório sabia quem eu era para ele. E a verdade nua e crua, que eu não tinha mais nenhum medo ou vergonha de admitir para o espelho todas as manhãs, era que eu nunca tinha sido tão feliz em toda a minha vida como eu era agora. Aquele homem metódico, possessivo e absurdamente irritante tinha virado o meu porto seguro, o único eixo firme e inabalável no meio do meu caos mental crônico.
Na prática, a nossa dinâmica tinha mudado tanto que o meu próprio apartamento conjugado tinha virado quase um depósito para as minhas roupas velhas; eu passava infinitamente mais tempo morando no apartamento dele, dividindo a mesma cama de casal imensa e o mesmo teto, do que no meu próprio canto isolado.
No entanto, a nossa convivência diária estava longe de ser um mar de rosas comercial ou um conto de fadas previsível. Nós dois tínhamos o gênio forte demais, uma teimosia de nascença e um orgulho blindado que transformavam qualquer detalhe banal da rotina doméstica numa verdadeira guerra de trincheiras. A gente quase não tinha outros gostos em comum além da química violenta, daquela p***** carnal e da eletricidade destrutiva que nos puxava um para o outro com a força de um ímã toda vez que entrávamos no mesmo cômodo.
Se a gente tentava sentar no sofá nas raras noites de folga para escolher um simples filme para assistir na televisão, a situação virava motivo para uma discussão inflamada de trinta minutos sobre estética, roteiro e lógica cinematográfica, terminando com um dos dois cruzando os braços com raiva. Se íamos decidir o cardápio do jantar após um dia exaustivo de trabalho, o b**e-reb**e estressante começava porque ele queria tudo pesado milimetricamente, focado na sua dieta rígida e na sua rotina de treino, enquanto eu preferia o improviso de uma comida de rua ou uma pizza gordurosa pedida de última hora.
Discutíamos por tudo: pela forma como as toalhas eram estendidas no banheiro, pelos horários britânicos que ele tentava me impor, pelas opiniões jurídicas cruzadas nos corredores da holding e até pelo lado da cama que cada um usava.
No meio de todo esse atrito cotidiano, aquela frase antiga que eu tinha disparado contra ele no quarto VIP — de que eu nunca iria me submeter, abaixar a cabeça ou deixar que as rédeas da minha vida fossem controladas pelas mãos dele — continuava ecoando como um fantasma no fundo da minha mente. Eu tentava me convencer todos os dias de que continuava sendo a mesma garota intocável de antes, mas a verdade oculta era que o Mathew tinha mexido com as engrenagens mais profundas da minha mente de um jeito definitivo e perturbador.
O jeito dele de antecipar os meus passos, de ler as minhas reações físicas antes mesmo de eu abrir a boca e de se impor com aquela autoridade silenciosa e viril tinha entrado direto no meu sistema nervoso, bagunçando as minhas convicções de independência absoluta. Eu gostava de ser dele, mesmo que o meu orgulho berrasse contra isso em silêncio.
Para piorar o meu estado mental, a situação da Clara vinha pesando como uma tonelada nos meus ombros nas últimas semanas. Toda vez que eu conversava com ela pelo telefone ou tirava uma hora para visitá-la, sentia o peso sufocante da exaustão e do desespero na voz da minha única amiga.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido
Eu recomendo o romance: O Bilionário Obsecado e a Babá Virgem do Club Proibido. Ao ler o romance fui transportada para um mundo paralelo cheio de sentimentos, amor, sedução e prazer. Foi uma leitura intensa prazerosa que fez florescer em mim desejo que eu não sabia que tinha. Parabéns!!!...