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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 27

Capítulo 27 — Tenham uma vida linda

Damien Knight

Eu estava agarrado a Emma. No meio do corredor. Aliviado por Elijah estar atendendo Ellie. Mas destruído após ouvir as palavras dela.

Ontem, Emma quis trocar de lugar com os pais. E hoje, com a irmã, foi ainda pior. Ela estava deixando claro naquele momento que… se Ellie não saísse lá de dentro. Ela também não voltaria para casa.

Ambrose estava de um lado, e Savannah de outro. Ambos ouviram o que ela disse, a mulher chorava de forma silenciosa.

Já Ambrose, quando nossos olhos se encontraram eu vi ali o desejo cru de puxar Emma para ele. Mas eu jamais permitiria isso. Ela permaneceria ali. Nos meus braços. Até que ela entenda que não vou permitir que nada aconteça com sua irmã, e muito menos com ela.

Segundos se tornaram minutos. E os minutos beiravam uma hora quando a porta se abriu.

Meu corpo inteiro ficou alerta. Emma também, eu senti. Elijah passou por ela, o olhar dele era sério… não era o olhar de quem estava trazendo uma sentença de morte.

Mas era o olhar de quem ia dizer algo que mudava tudo.

— E então? — minha voz saiu mais dura do que eu pretendia.

Emma se afastou um pouco de mim, mas minhas mãos permaneceram na cintura dela, sustentando. Eu sabia que, se soltasse, ela cairia.

— A oxigenação foi estabilizada — ele começou, direto. — Conseguimos reverter a crise. Ela está recebendo oxigênio e medicação. Por enquanto, está segura.

Senti o corpo da Emma ceder contra o meu. Mas o alívio durou pouco. Elijah não tinha terminado.

— Nós fizemos alguns exames — ele continuou, cruzando os braços, postura firme. — E o que desencadeou essa crise não foi apenas a pneumonia.

O corpo da Emma enrijeceu.

— Como assim? — a voz dela saiu baixa, mas carregada de medo.

Elijah sustentou o olhar dela.

— A sua irmã tem um quadro compatível com fibrose cística.

O silêncio que se seguiu foi pesado. Denso e ao mesmo tempo irreal.

— Não — Emma disse imediatamente, balançando a cabeça. — Não… isso não faz sentido.

Ela se afastou de mim dessa vez, se virando completamente para ele.

— Quem tinha isso era o meu pai. Ele… — a voz dela falhou por um segundo, mas ela forçou para continuar — Ele sempre teve. Só piorou no seu último ano de vida dele. As crises ficaram frequentes, ele perdeu o emprego… mas a Ellie não tem isso. Ela só está com pneumonia. Está sendo tratada.

Emma tentava justificar mais para ela, do que para meu amigo. Elijah não se moveu.

— Eu entendo por que você está dizendo isso — ele respondeu com calma. — Mas uma coisa não exclui a outra.

Emma franziu o cenho, perdida.

— A fibrose cística é uma doença genética — ele continuou, em um tom firme, mas acessível. — A pessoa nasce com ela. Em alguns casos, os sintomas aparecem cedo. Em outros… eles passam despercebidos por anos, principalmente se forem mais leves no início.

Vi o olhar da Emma vacilar.

— Então… você está dizendo que…?

— Que a sua irmã pode sempre ter tido a doença — ele completou. — E nunca foi diagnosticada. Ou… alguém sabia e decidiu não te contar.

O impacto daquelas palavras foi físico. Eu senti o corpo dela ceder de novo contra o meu.

— Não… — ela sussurrou, negando, mas sem força. — Não… isso não pode…

— Os exames não mentem, Emma — Elijah disse, com firmeza suficiente para não deixar espaço para negação, mas sem ser cruel. — O padrão pulmonar dela, a resposta respiratória, os indicadores… tudo aponta para fibrose cística.

O choro voltou. Mais baixo. Mais quebrado. Como se agora viesse de um lugar ainda mais profundo. Apertei minha mão na cintura dela, a trazendo de volta para mim sem dizer nada.

— E agora? — perguntei, direto, olhando para Elijah. — Quais são os próximos passos?

Ele assentiu, como se esperasse por isso.

— Eu cuido disso — Elijah respondeu.

O silêncio voltou. Mas agora era diferente. Mais pesado. Mais definitivo.

Olhei para Emma. Ela estava parada, imóvel… mas completamente quebrada.

Apertei levemente a cintura dela, a puxando de volta contra mim. E dessa vez… ela não resistiu.

— Vou preparar tudo. — Elijah disse chamando minha atenção. — Preciso que alguém venha comigo para assinar os termos de responsabilidade e transferência.

Olhei para Ambrose que entendeu no mesmo instante.

— Vou com você. — ele avisou, Elijah assentiu e os dois saíram.

Savannah olhou para mim, depois para Emma e falou.

— Querida, quer beber alguma coisa? Uma água? Talvez um chá? Sei que eles tem na cantina do hospital.

Emma negou com a cabeça, Savannah soltou o ar.

— Busque uma água pra ela. — falei em meu tom habitual.

A mulher acenou em um sim, e saiu.

— Não faz sentido… — Emma murmurou, sabia que não era pra mim, mas respondi assim mesmo.

— Não precisa fazer. — Ela levantou os olhos para encontrar os meus. — O que precisamos é cuidar dela, dar o melhor tratamento, para que ela tenha uma vida linda…

Eu não sou bom com palavras, mas elas saíram sinceras. E algo nelas, mexeram com Emma… eu vi. Não era só pela irmã, foi porque eu disse as mesmas palavras que usei com ela no túmulo dos pais. E no fundo eu as usei com um único propósito…

Mostrar para ela que não estou disposto a deixá-la desistir. Que farei de tudo por Ellie, e por ela. Porque nesse momento tudo que eu quero é garantir, que as duas…

Tenham uma vida linda.

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