Capítulo 31 — Presença
Damien Knight
Clara sempre cobrou de mim uma única coisa: presença.
Para minha mulher, eu podia estar ao lado dela, mas nunca estava presente. O que ela não entendia era que eu sempre fui assim, na infância, na adolescência, na faculdade e em todas as fases do nosso relacionamento. No fundo, eu estava presente; só não conseguia expressar isso.
Quando ela morreu, eu decidi que, a partir daquele momento, iria impor minha presença. E, mais uma vez, errei. Não é isso que as pessoas querem de mim. Principalmente meu filho, meu primo, meus amigos... a minha família.
E então, no meio desse meu caos interno, dessa minha confusão particular, surgiram duas garotas: Emma e Ellie.
Tenho que confessar que as semanas que Ellie passou no hospital mexeram drasticamente comigo, e eu acabei me vendo em uma posição que nunca imaginei. Eu não queria deixar de estar presente, e nem impor minha presença, mas queria que elas me quisessem ali. E isso me assustou pra cacete.
O nosso pós-hospital não foi como eu queria, mas foi melhor do que imaginei. Eu tenho sido mais participativo nas terapias do Luca, o que, segundo a Beatriz, além da presença da Emma, a minha tem contribuído muito para a melhora do meu filho.
Que Ambrose não me escute, mas eu realmente estou rendido à Ellie. Ela é uma versão mirim da Emma, só que mais mandona, e eu adoro isso nela.
E a minha relação com a Emma também melhorou. Ainda somos patrão e funcionária, só que tem algo novo; ainda não tenho nome para isso. Mas eu gosto do que está acontecendo, e gosto muito.
Depois do dia no escritório nunca mais ficamos sozinhos daquele jeito... mas aquele "quase beijo" ainda mexe comigo.
Resumindo: lá fora eu ainda sou o CEO de Gelo. Aqui dentro, eu sou só o Damien.
— Bom dia — falei assim que entrei na cozinha.
— Bom dia, tio Dam — Ellie disse, virando o rosto para que eu a beijasse. Essa garotinha era ousada.
— Bom dia, princesa — respondi, dando a ela o beijo que esperava.
Luca jogou os braços para mim; o peguei e dei um beijo nele também.
— Bom dia, campeão.
O coloquei de volta em sua cadeira e me sentei, e só neste momento me direcionei a ela.
— Bom dia, Emma.
— Bom dia… — ela disse em um tom baixo.
O café ocorreu como tem sido todas as manhãs de sábado. Ellie está melhor; o tratamento dela é intensivo, diário, mas ela é forte. Como combinamos, a cada quinze dias Emma poderia ter seu dia de folga. A ideia de passar suas folgas naquele muquifo que ela chamava de casa antes de vir para cá já não existe mais. Ela optou por entregar o apartamento e viver por aqui pelo tempo que durar nosso contrato.
Essa vai ser sua primeira folga depois do hospital, e acabei cedendo à persistência da Aubrey e dei folga para ela no mesmo dia.
— Está pronta, Emmy? — Aubrey entrou perguntando.
— Pronta? — A pergunta saiu antes que eu pudesse controlar.
— Sim, nós vamos ao shopping. Tenho coisas para comprar para mim e para Ellie.
— Eu quero ir ao shopping! — Ellie anunciou.
— Sinto muito, El, não vou arriscar te levar a uma viagem dessas de metrô. Na próxima, se o Henry autorizar. Hoje você fica com a Sa.
— Mas, Emma… — Ellie insistiu.
— Pequena, por favor…



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Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar