Capítulo 30 — Quase
Emma Anderson
O caminho para “casa” foi silencioso. Os pequenos foram no banco de trás e eu fui ao lado de Damien. Eu sentia os olhos dele em mim, e eu não resistia à vontade de olhar também.
A presença dele não me assustava mais. O que me assustava… era o quanto ela me confortava, e o quanto ela era necessária.
Chegamos em casa Bree e Sa correram até nós.
— Graças a Deus vocês voltaram! — Bree disse me abraçando e depois pegando Ellie no colo.
— Finalmente em casa. — Sa disse pegando a bolsa da Ellie das minhas mãos.
— Finalmente. — respondi com um suspiro cansado, mas agradecido.
Leah e Nina também nos cumprimentaram, depois entramos.
— Savannah, fica com a Ellie para Emma tomar um banho e descansar.
Damien disse assim que paramos no pé da escada. Há semanas ele tem sido assim, dado ordens em meu nome sem nem mesmo me perguntar antes.
Savannah assentiu e todas subimos. Luca relutou um pouco em me soltar, mas Bree o convenceu a me esperar no quarto da Ellie.
Entrei em meu quarto e tomei um banho como não tomava há dias. Não porque não tivesse um bom chuveiro no hospital, mas era pelo alívio em estar em casa, em saber que minha irmã estava bem.
Saí do banheiro, coloquei uma roupa leve e ouvi batidas em minha porta. Assim que abri, era a Bree.
— O senhor Knight pediu para te chamar. Ele está no escritório.
— Ok. Vou só passar no quarto da Ellie e já desço.
Ela me puxou para um abraço. E eu sorri agarrada a ela.
— Estou tão feliz que vocês estão de volta.
— Eu também, Bree. Eu também. — respondi.
— Agora vai lá que o seu “patrão”... — ela fez sinais de aspas e eu revirei os olhos. — Está te esperando.
Balancei a cabeça para ela e a segui para fora do quarto. Trombamos com o Tristan. Ele ainda estava por aqui desde que teve problemas em seu apartamento. Ele nos cumprimentou educadamente como sempre, depois seguiu para seu quarto. Bree praticamente comeu o homem com os olhos.
— Agora limpa a boca. — falei para ela sorrindo, e ela me olhou confusa. — Depois de engoli-lo com os olhos, tá toda babada.
Nós duas rimos.
— Amiga, isso é tudo que me resta. Comer com os olhos, porque um homem desses… é muita areia pro meu caminhãozinho.
— Não desanima amiga. — falei em um tom incentivador.
Bree passou os braços nos meus e voltamos a caminhar em direção ao quarto da minha irmã.
— Falando em não desanimar… como vai você e o “patrão”.
— Para com isso Bree! — Chamei sua atenção.
— Ah, qual é Em. Vocês dois sim se comem com os olhos.
Senti meu rosto esquentar.
— Bree… — foi tudo que eu consegui dizer. Mas ela tinha razão, depois daquele dia que ele me ouviu, que nos trombamos… a forma como ele me olha é intensa.
Decidi não dar mais corda para ela, entrei no quarto da minha irmã, dei uma olhada rápida nela e no Luca e segui com a Bree para o andar de baixo.
Descemos rindo, claro, porque minha amiga estava verdadeiramente obcecada pelo senhor Blackwood. Parei em frente à porta do escritório e, antes que eu batesse, ela abriu. Passei por ela apreensiva. Fechei a porta atrás de mim. E ali estava ele, me encarando como sempre.
— O senhor queria me ver. — Damien desencostou da mesa e caminhou até mim, parando bem na minha frente.
— Sim.
Coloquei as mãos para trás e as apertei para esconder o quão nervosa eu estava.
— Bem… — comecei tentando manter o tom de voz natural e falhando miseravelmente. — Estou aqui. — disse com um sorriso forçado.
— Por que aceitou o convite dele? — Olhei para ele confusa.
— Convite?
— Sim. — ele disse naquele tom frio. — O de Ambrose.
— É… — comecei tentando buscar uma resposta que o agradace. — Ozzie e eu…
— Ozzie?! — ele repetiu irritado, eu engoli seco.
— Ambrose se tornou um amigo. Ele disse que minhas semanas haviam sido exaustivas e que eu precisava relaxar.
— Relaxar… — ele repetiu a palavra como se fossem vespas.

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