Capítulo 101 — Leve para casa
Tristan Blackwood
Tão rápido como essa história começou, ela iria terminar. Eu tinha certeza absoluta, dentro de mim, de que o filho da Giovanna não era meu, mas, se por acaso fosse, isso não mudaria em nada nosso relacionamento.
O Dam decidiu me acompanhar, mesmo eu dizendo que o Ozzie estaria aqui, mas no final eu não me opus. Ter meus irmãos comigo era tão importante quanto o resultado desse teste. A Esther também se ofereceu e, como ela conhece bem este hospital e a direção daqui, sua presença era mais do que bem-vinda.
Assim que entramos no quarto, Giovanna não estava sozinha. Contrariando toda e qualquer lógica, a Verônica estava com ela.
— Que merda você está fazendo aqui? — Dam perguntou, deixando clara a insatisfação com a presença da ex.
— Se o Tristan precisa dos amigos… a Gi precisava de uma amiga também — ela respondeu.
— E desde quando vocês são amigas? — Ozzie perguntou, cruzando os braços.
— Desde sempre — ela rebateu.
— Bem, eu não me importo com quem acompanhe a Giovanna; só quero que o teste seja feito ainda hoje — falei, encerrando a discussão. Confesso que também achei estranha a presença da Verônica, mas eu não tinha tempo para entender essa tal “amizade” agora.
Olhei para a Esther e perguntei:
— Como funciona o teste?
— Vamos fazer o de sangue; as semanas dela nos permitem isso, não tendo a necessidade de coletar direto do feto. Coletamos o seu e o dela e então mandamos para análise. O laboratório filtra o sangue materno para isolar o DNA do bebê, que circula livremente na corrente sanguínea da gestante, e o compara com a amostra de sangue do suposto pai.
— Perfeito — falei.
— Vou ligar para o posto de enfermagem e informar que estamos prontos — Esther avisou.
Ela foi até o telefone no criado; eu e os caras ficamos no canto do quarto enquanto a Verônica e a Giovanna ficaram cochichando entre si.
— Desde sempre… — Ozzie bufou, encarando a Verônica. — Ela pensa que me engana. No mínimo, soube que estaríamos aqui e veio se fazer de “amiga”.
— Deixa isso pra lá, Ozzie — pedi.
— Concordo com o Ozzie, Stan — Dam disse, se virando para mim. — Não gosto disso. Depois do que a Verônica fez e do problema que ela teve com a Emma, a presença dela me deixa em alerta.
— A única coisa que ela quer é se aproximar de você, Dam. E provavelmente acha que o filho da Giovanna é meu; quando o resultado sair, nos livramos das duas — garanti.
— Está tão certo assim de que não é seu? — Ozzie perguntou.
— Estou — respondi, sem hesitar. — Ela tomava remédio, não falhava. Além do mais, eu pesquisei sobre o tempo que estamos separados com o da gestação e, de verdade, não b**e.
— Então o que estamos fazendo aqui? — perguntou Dam.
— Estamos aqui porque ela não quis admitir que estava mentindo nem mesmo quando eu ameacei tirar dela os dez milhões que dei. — Olhei para a Giovanna, que ainda falava com a Verônica, antes de concluir: — Então, se ela quer levar essa palhaçada até o final, eu vou. Porque a vergonha vai ser dela, e não minha.
Esther se aproximou de nós.
— Já estão vindo; o sangue será coletado de ambos — ela avisou. — E o resultado sai em três dias.
— Três dias? — A voz da Giovanna chamou nossa atenção.
— Exato — Esther respondeu, seca.
Verônica se levantou e caminhou lentamente até nós.
— O médico disse que ela não pode ficar sozinha depois do ocorrido — Verônica nos informou, em um tom baixo para que a Giovanna não ouvisse.
— Não fui informada disso — Esther disse, cruzando os braços e encarando a mulher.
— Se não acredita, pergunte a ele — Verônica disse, em um tom firme. — Ele veio aqui antes de vocês chegarem, me chamou para conversar lá fora e perguntou se eu era da família. Eu expliquei que éramos amigas e que ela não tinha parentes aqui.

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