Capítulo 102 — Pela primeira vez...
Tristan Blackwood
— Só pode ser brincadeira — falei, passando a mão no cabelo para me controlar.
— Will, quem fez essa avaliação? Eu sei o que ela tentou fazer, mas “acompanhamento direto”? Isso soa exagerado demais para mim — Esther disse.
— Podemos solicitar uma nova avaliação, mas estamos falando de uma gestante que já tentou contra a própria vida e que está visivelmente estressada.
— Gostaria muito de participar da conversa — Giovanna disse, chamando nossa atenção.
O médico virou para ela antes de dizer:
— Senhorita Hampton, estou avisando seus amigos que está de alta com algumas ressalvas.
— Ressalvas? — ela perguntou.
— Sim. Infelizmente, aquele médico que conversou com a senhorita ontem informou que a senhora precisa de um acompanhamento até se sentir melhor.
— Melhor? — a voz dela saiu mais baixa. O homem se aproximou da cama.
— Sim. Pelo seu bem e o do bebê, o ideal é estar no meio de familiares. Tem alguém que possamos ligar para vir buscá-la? — Giovanna buscou meus olhos.
— Sinto muito, mas não posso ficar com você — falei direto, e vi os olhos dela se encherem de lágrimas.
— Tristan… — Verônica tentou, mas não permiti.
— Nem vem, Verônica. Eu posso contratar uma cuidadora se for necessário, ou podemos pensar em uma clínica; eu pago, não me importo. Mas não vou assumir uma responsabilidade que não me pertence. A Giovanna e eu já estamos separados há meses e nem sabemos ainda o resultado do teste.
— O filho é seu! — Giovanna disse, antes de desabar a chorar. Verônica correu até ela e a puxou para um abraço.
— Nunca imaginei que fosse capaz disso, Tristan — ela disse, embalando a amiga.
— Olha, eu não estou me negando a ajudar. Só não vou levá-la para minha casa.
— Bem… — o médico começou — vou assinar a alta enquanto se decidem.
— Vou com você — Esther anunciou, e ambos seguiram para fora do quarto.
— Tristan, você ouviu o médico — Verônica insistiu.
— Tudo bem. Eu espero no hospital pelo resultado.
— Gi! — Verônica a repreendeu, mas ela ignorou.
— Mas se o filho for mesmo seu, Stan, e o médico disser que preciso de apoio até ele nascer… não quero cuidadora. Quero ficar com você até esse dia chegar.
— Hum — Ozzie bufou.
— Conversaremos sobre isso quando chegar a hora — falei.
— Não! — ela disse, segurando meu braço. — Quero que me prometa. Eu fiz tudo como você exigiu. Aceitei fazer o teste que eu nem queria, pois sei a resposta. O filho é seu!
— Giovanna…
— Por favor, Stan. Pelo bem do nosso bebê. Só prometa.
Olhei para os caras. Vi nos olhos do Ozzie que ele queria que eu negasse. Já nos de Dam, era um claro “aceita e depois resolvemos”. Pensei na Bree, e em como ela reagiria se as coisas chegassem a esse ponto.
— Stan... — Giovanna me chamou, e pela primeira vez desde que a Giovanna me jogou dentro desse furacão. Eu não sei o que fazer.

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