Capítulo 105 — Não foi você
Damien Knight
Passei o dia entre reuniões, documentos e pensamentos intrusivos. Estava preocupado com o Stan, curioso sobre a amizade repentina de Verônica e Giovanna, ansioso pela visita da Izabel e com medo da Emma. Sim. Medo. De como ela iria reagir quando eu contasse a ela sobre o acidente.
Cheguei em casa e a Leah me informou que a Emma e as crianças estavam na sala de TV. Entreguei meu terno a ela e segui até onde minha mulher e as crianças estavam. Cheguei lá e Bree e a Em conversavam; nenhuma delas me ouviu se aproximar.
Não quis interromper o momento, então fiquei só ali admirando o quão madura, linda e maravilhosa minha garota era. Quando as crianças começaram a farra em cima das duas, os olhos da Emma encontraram os meus.
Falei com a Ellie e pedi à Savannah que levasse as crianças. A Bree passou ao meu lado com o Luca; acariciei a cabeça do meu filho e, assim que ficamos só nós dois, fechei a porta e fui até ela. Primeiro, eu matei minha saudade; era surreal o quanto ficar longe dela mexia comigo. Depois, eu fui ao que realmente interessava naquele momento.
— Eu não menti sobre estar com saudades. Mas também não menti sobre querer conversar.
— E sobre o que quer conversar? — Soltei o ar que havia prendido sem notar antes de responder.
— Sobre uma visita que teremos, e... sobre o acidente.
Emma me olhou confusa, e a puxei de volta para o meu colo. Precisava senti-la, não só para acalmar o turbilhão que estava se formando dentro de mim, mas também para criar coragem e dizer de uma vez.
— Lembra que te disse que descobri algo sobre o acidente e que conversaríamos depois do casamento?
— Sim… — a voz dela saiu num fio. Falar sobre isso ainda mexia muito com ela. Eu juro que não queria mais ter que tocar nesse assunto, mas eu odeio segredos e mentiras. Então precisava soltar a verdade logo.
— Antes de você me contar que era você quem estava dirigindo, eu já estava investigando o acidente. E naquele dia que fui te buscar no Simon, o John me disse que o Vicent havia descoberto um fato novo, além do nome do motorista do outro carro. E foi nesse mesmo dia que recebi a mensagem de que, em breve, ela chegaria.
— Ela?
— Sim. Izabel. A mãe da Clara. — Emma levantou do meu colo em um pulo.
— A mãe da Clara? Ela está chegando?

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