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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 109

Capítulo 109 — Prazo de validade

Ambrose Blair

— Ozzie, ele vai me matar! Você não está entendendo... — ela chorou, o pânico na sua voz sendo tão real que cruzou a linha telefônica e pesou no ambiente.

Ouvir aquele choro desesperado, a menção a uma ameaça de morte, mexeu com um instinto antigo dentro de mim. Minha postura vacilou por um milésimo de segundo, e o Damien, que me conhecia como ninguém, percebeu a mudança imediatamente. Sem pedir permissão, ele se inclinou na direção do aparelho e assumiu a liderança da ligação.

— Katy, se você está com um problema dessa magnitude, não é o meu primo quem você deve procurar. É a polícia — Damien ditou, seu tom habitual de comando, frio, pragmático e desprovido de qualquer empatia.

Houve uma pausa nítida do outro lado, seguida por um soluço ainda mais forte.

— Damien? — ela não esperou resposta, pois sabe que realmente era ele. — Dam, por favor... se eu procurar a polícia, eu estou perdida. Ele é um cara muito influente. Eu estou sem dinheiro, sem lugar para ficar... A Giovanna não pode me acolher agora e a Tiffany ainda está em Londres.

Olhei para o Dom no mesmo instante e o vi reagir agressivamente à menção do nome da Tiffany. Suas sobrancelhas se juntaram e ele travou o maxilar. Pensei nas palavras dele de minutos atrás: "Abriram a porra da porta do inferno". E no final, parecia que tinham aberto mesmo. Giovanna infernizando o Stan, a mãe da Clara prestes a desembarcar na casa do Dam, a Tiffany sendo citada e agora a Katy na minha linha. Era uma avalanche de passados malditos retornando de uma só vez.

Respirei fundo, engolindo a minha própria raiva, e me recompus. Afastei o Damien com um gesto sutil e voltei a focar no telefone.

— Digamos que eu aceite te ajudar, Katy. O que exatamente você quer?

Ela soltou o ar, a voz trêmula enquanto começava a explicar a teia em que havia se metido. Ela explicou que havia se envolvido com um homem de forte influência política em Manhattan. Precisando de dinheiro e atraída pelo estilo de vida, ela havia assinado um contrato para ser sua acompanhante de luxo por um período determinado.

No começo, ela meio que curtia ficar com ele, os jantares, o status. Mas, de uns tempos para cá, o cara havia se tornado extremamente agressivo e possessivo. Quando ela tentou encerrar o contrato e se afastar, ele começou a cobrar uma multa rescisória com um valor absurdo, algo que ela jamais conseguiria pagar.

Para piorar, ele a trancou em casa, confiscou seus cartões e disse que ela só sairia dali quando o contrato vencesse ou quando o dinheiro da multa estivesse na conta dele. Ela aproveitou uma falha na segurança naquela tarde e conseguiu fugir apenas com o celular e a roupa do corpo.

Nós quatro ouvimos o relato em um silêncio absoluto. À medida que as palavras dela saíam pelo alto-falante, a imagem da Fernanda cruzou a minha mente. Me lembrei das cicatrizes físicas e da alma da minha namorada, de tudo o que ela havia sofrido na mão daquele desgraçado do Mike. Senti uma onda de irritação pura e genuína subir pelo meu peito. Como podia haver tanto cara cretino e covarde no mundo?

Por mais que eu tivesse minhas ressalvas cruéis com a Katy, por mais que ela tivesse quebrado o meu coração no passado, eu era um homem. E um homem daquela fraternidade não ignorava uma mulher sendo caçada e trancada por um covarde. Eu não conseguia dar as costas para aquela situação.

— Tudo bem... eu vou te ajudar — respondi, a decisão pesando na minha voz.

Senti os olhos de Damien, Dominic e Tristan queimarem em cima de mim, mas mantive a minha palavra, firme na minha postura.

— Onde você está? — perguntei.

Ouvi o som de um soluço violento de alívio do outro lado da linha.

— No... no Central Park...

Bufei, passando a mão pelo rosto, incrédulo.

— A essa hora, Katy? Sabe o tipo de gente que frequenta o parque nesse horário?

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