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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 11

Capítulo 11 — Sombras e Segredos

Emma Anderson

Acordei antes mesmo do despertador tocar. O quarto luxuoso, que na noite anterior parecia uma prisão, agora sob a luz da manhã, assemelhava-se a um cenário de filme. Vesti uma calça jeans e uma blusa de malha simples, prendendo o cabelo em um rabo de cavalo prático. Ao sair, meus pés hesitaram por um segundo no corredor, mas minha mente repassou o mapa mental da noite anterior. Eu sabia exatamente onde estava. Sem erros. Sem invasões. Sem o olhar gélido de Damien Knight me atravessando.

Entrei no quarto da Ellie e a encontrei sentada na cama, enquanto Savannah organizava os frascos de medicação com uma calma invejável.

— Bom dia, meu milagre — falei, me aproximando e dando um beijo estalado em sua bochecha.

— Em! Olha só, a tia Savannah disse que eu posso ganhar gelatina no lanche! — Ellie exclamou, os olhinhos brilhando. — E olha o tamanho dessa TV, ainda não acredito que tenho uma TV no pé da minha cama. Dá pra ver desenho o dia inteiro!

— Nada de desenho o dia inteiro, mocinha — brinquei, apertando o nariz dela. — Temos que seguir as ordens da Savannah para você ficar boa logo e a gente poder passear no jardim.

— É uma promessa? — ela perguntou, esticando o dedinho mindinho.

— Uma promessa de dedo — respondi, selando o pacto.

A porta se abriu e Leah entrou, seguida por Aubrey, que trazia bandejas fartas para o café da manhã. O cheiro de pão fresco e frutas inundou o quarto. Leah se virou para mim com seu habitual tom zeloso.

— Emma, querida, Luca ainda não acordou. O senhor Knight pediu para que você fosse falar com ele no escritório antes de buscar o menino. Ele quer passar a rotina do garoto e algumas regras da casa.

Senti um aperto imediato no estômago.

— Tudo bem. Leah, você poderia me acompanhar? Eu ainda não conheço bem o caminho.

— Aubrey fará isso, eu preciso passar algumas coisas para a Savannah. — Leah explicou gentilmente.

Saí do quarto acompanhando Aubrey. Eu não tive tempo de conhecer a mansão, e depois do incidente de ontem no quarto do Damien, evitei até respirar fora do meu próprio espaço. Aubrey percebeu meu olhar distraído, saltando de quadro em quadro, de estátua em estátua.

— Parece assustadora no começo, mas depois você se acostuma — ela disse, sorrindo.

— Eu nunca entrei em um lugar assim — confessei, me sentindo pequena diante da imensidão do mármore.

— Eu também não, até a tia Leah me trazer para cá.

Olhei para ela, surpresa.

— Tia?

— Sim, ela é irmã da minha mãe. Depois que ela faleceu, minha tia me chamou para viver com ela. A casa precisava de uma copeira na época e a senhora Clara perguntou se eu não queria a vaga. Eu aceitei na hora.

A menção ao nome de Clara fez o ar parar nos meus pulmões por um segundo. Engoli em seco, tentando desviar do assunto antes que Aubrey notasse minha reação.

Ela saiu, me deixando sozinha diante daquela porta que parecia o portal para um julgamento. Segundos depois, ouvi o estalo metálico da tranca. Entrei.

O escritório era frio e mal iluminado, as cortinas pesadas bloqueando a maior parte da luz da manhã. Damien estava sentado em sua cadeira de couro, de costas para mim, olhando através das grandes janelas. Ele não se virou quando entrei.

— Bom dia, senhor Knight. Leah disse que o senhor queria me ver — falei, tentando manter a voz o mais firme possível.

Damien girou a cadeira devagar. Os olhos azuis estavam afiados, desprovidos de qualquer cordialidade matinal. Sem dizer uma palavra, ele pegou alguns documentos de cima da mesa e os jogou em minha direção. Os papéis deslizaram pelo mogno polido até pararem na borda.

— Quando pretendia me contar sobre isso, senhorita Anderson?

Franzi a testa, confusa. Aproximei-me e peguei os documentos. Meus olhos percorreram as linhas e o sangue fugiu do meu rosto. Eram registros. Minha ficha escolar, histórico de empregos anteriores e, principalmente, a notificação judicial sobre a hipoteca atrasada e a dívida bancária acumulada em meu nome. Mas também tinha…

— Como o senhor… — As palavras morreram na minha garganta.

Damien levantou-se com uma elegância predatória. Deu a volta na mesa e encostou-se nela, cruzando os braços sobre o peito, sem nunca desviar os olhos dos meus.

— Gosto de saber exatamente quem coloco em minha casa, principalmente de quem será responsável pelo meu filho — ele disse, o tom de voz gélido. — Gosto de estar um passo à frente e odeio surpresas.

Ele desencostou da mesa e caminhou em minha direção, parando a poucos centímetros de mim, o suficiente para que eu sentisse a pressão da sua presença.

— Então… vai me contar sobre isso? Ou vai deixar que eu tire minhas próprias conclusões?

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