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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 12

Capítulo 12 — Entre Vidros e Sombras

Emma Anderson

O papel queimava em minhas mãos. Meus olhos estavam fixos na foto granulada da ficha de funcionários do Blue Velvet. Eu aparecia com o uniforme padrão: um vestido curto demais, justo demais, com o logotipo do bar bordado no peito. Ao lado, a descrição do cargo era clara: garçonete. Mas eu sabia o que Damien Knight via ao olhar para aquilo. Ele não via uma jovem desesperada tentando pagar as contas e sustentar a irmã; ele via uma mulher trabalhando em um bar de stripper.

— O senhor... o senhor mandou me investigar? — Minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia. Será que foi só isso que ele descobriu? Será que ele já sabe que eu…

— Eu investigo todos que cruzam o meu portão, senhorita Anderson. — Damien deu mais um passo, diminuindo o espaço que nos separava. O cheiro de café forte e sândalo que vinha dele era quase sufocante. — Mas admito que seu currículo é... eclético.

— Eu disse ao senhor no hospital, que fiz de tudo um pouco para sustentar a mim e a minha irmã.

— Disse, falou sobre ser garçonete, entregadora… mas não disse nada sobre o bar de strip-tease.

— Eu era garçonete — rebati, sentindo o sangue subir ao rosto. A vergonha era um sentimento que eu tentava enterrar há meses, mas ele a trazia de volta com uma única frase. — Eu servia mesas, senhor Knight. Nada mais.

— Em um lugar onde a moralidade é tão escassa quanto a iluminação — ele retrucou, o tom de voz gélido. — Quando me contou sobre seus "trabalhos temporários", omitiu esse detalhe propositalmente. Por quê? Receio de que eu não quisesse alguém com esse... histórico, cuidando do meu filho?

— Primeiro vamos deixar claro que quem me quis perto do seu filho, foi o senhor mesmo. Eu praticamente implorei pela vaga de limpeza. E o senhor insistiu na de babá. — Cruzei os braços irritada. — E segundo, eu omiti porque não achei que fosse relevante! — Encarei-o, recusando-me a baixar a cabeça. — Eu precisava de dinheiro rápido. Aquele lugar pagava em dia e as gorjetas eram boas. Eu nunca fiz nada do que o senhor está insinuando com esse seu tom de voz.

Damien soltou um riso seco, sem qualquer traço de diversão. Ele se aproximou ainda mais, me forçando a inclinar a cabeça para trás para manter o contato visual.

— Eu não insinuo, senhorita Anderson. Eu constato fatos. O fato é que você mentiu por omissão. E eu detesto mentiras. Como posso confiar o Luca a alguém que frequenta lugares onde o caráter é negociável?

— O meu caráter nunca esteve à venda! — Minha voz subiu um tom, a indignação finalmente vencendo o medo. — O senhor fala de caráter sentado em uma cadeira de couro que custa mais do que a minha casa antiga. Você não sabe o que é ter que escolher entre comprar comida ou o remédio da sua irmã. O senhor não tem o direito de me julgar por ter sobrevivido. E vou lembrá-lo de novo senhor Knight, foi o senhor quem nos colocou nessa situação quando me disse em um tom autoritário “assine.”

Houve um silêncio tenso no escritório. Eu podia ouvir minha própria respiração acelerada. Damien me observava com uma intensidade perturbadora, como se estivesse tentando decifrar se minha fúria era real ou apenas uma máscara.

— Eu não a estou julgando pela sua pobreza, senhorita Anderson. Estou julgando sua falta de transparência. — Ele estendeu a mão e tirou o documento de entre meus dedos, um toque rápido que fez minha pele formigar. — Luca é tudo o que eu tenho. Se eu descobrir que um único fragmento daquela vida noturna respingou na educação do meu filho, as consequências serão severas. Estamos entendidos?

— Perfeitamente, e se o senhor fez uma investigação completa, viu que não há reclamações de conduta, nunca fiz nada além do que era minha função. Eu trabalhava e ia para casa, era só um emprego. Mas se não me acha boa o suficiente para estar perto do seu filho pelos trabalhos que exerci para sobreviver. Pode cancelar aquele contrato agora mesmo.

Respondi engolindo seco. Eu sei dos riscos de permanecer aqui, amo o Luca, sei que é o melhor para Ellie. Mas se ele nessa investigação não descobriu sobre o acidente, não vai demorar muito a descobrir. Se essa for a minha oportunidade de quebrar esse contrato, usarei isso a meu favor.

Damien me encarou, como se estivesse ponderando minhas palavras.

— Veremos se essa sua ética de trabalho se aplica à minha casa. — Ele deu a volta na mesa, voltando à sua posição de comando. — Leah te passou as instruções necessárias?

— Não senhor. Ela me pediu para que o encontrasse e o senhor me informaria.

— Luca ainda não vai à escola, mas ele tem profissionais que acompanham seu desenvolvimento aqui em casa. Uma psicopedagoga, psicoterapeuta e a fonoaudióloga. — ele me encarou para ver se eu prestava atenção. — Os horários ficam todos disponíveis na agenda no quarto, mas Leah tem um quadro na copa também.

— Sim senhor. — respondi.

— Se atente aos horários senhorita Anderson, sou rígido com isso. Luca tem horário, para as refeições, para as terapias, para dormir e principalmente para acordar. — Damien olhou no relógio antes de concluir. — E ele acorda em dez minutos. Por tanto não se atrase.

Ele me dispensou com um gesto de mão, como se eu fosse nada mais do que uma inconveniência resolvida. Saí do escritório bufando pelo jeito como falou comigo.

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