Capítulo 111 — Cedo ou tarde
Emma Anderson
Olhei para a fachada do edifício, sentindo uma descarga de adrenalina. Ontem à noite, quando estávamos todas reunidas na casa do Noah em Hudson Valley, nossa intenção era genuinamente simples: queríamos apenas ir ao shopping, gastar um pouco de dinheiro, distrair a cabeça e ter uma noite típica de garotas.
Mas tudo o que havia acontecido de manhã no hospital, a suposta tentativa de suicídio da Giovanna e a bomba de que ela poderia se instalar na mansão do Damien, acendeu um alerta vermelho coletivo em todas nós.
Em Taylor, o alerta foi ainda maior. Com aquele gênio impulsivo e superprotetor, ela teve a brilhante ideia de usar as credenciais e o sistema de segurança do marido para rastrear algumas informações ocultas sobre a Giovanna Hampton. E uma das coisas que ela descobriu foi crucial: a Giovanna não estava sozinha no mundo.
Ela tinha uma rede de amigas ricas em Manhattan, e não apenas a Verônica que havia brotado misteriosamente no hospital. Ela tinha amigas de verdade, com apartamentos enormes, que poderiam perfeitamente acolhê-la e cuidar da sua "depressão" sem que houvesse qualquer necessidade real de ela se instalar na casa do Damien e do Tristan.
— Vamos lá — falei, ajeitando minha blusa.
Eu e Taylor descemos do carro, deixando a Bree e a Fer de vigia no banco traseiro. Caminhamos com passos firmes até a portaria imponente de vidro. O saguão era luxuoso, decorado em mármore. Nos aproximamos do balcão onde um porteiro de uniforme impecável nos atendeu com um aceno cortês.
— Boa noite, senhoras. Em que posso ajudar?
— Boa noite — Taylor assumiu, com uma postura inabalável de alta sociedade. Quem a visse nem acreditaria que ela era “cria” de South. — Nós gostaríamos de falar com a senhorita Tiffany Wise, por favor. Apartamento 142.
O homem consultou rapidamente o sistema no monitor à sua frente e depois nos olhou como quem pede desculpas.
— Sinto muito, senhoras, mas a senhorita Wise não se encontra. Ela está em uma viagem internacional de negócios e não tem previsão exata de retorno para as próximas semanas.
— Viagem? — franzi o cenho. — Você saberia dizer para onde ela foi?
— Me desculpe, mas esse tipo de informação não posso passar.
— Entendo… — respondi em um tom entristecido.
Taylor debruçou no balcão, fez uma cara de cachorrinho abandonado.
— Agora me lembrei. Tiff falou dessa viagem, é um negócio importante. Mas com a Giovanna no hospital, acabei me esquecendo completamente.
— A senhora Hampton está hospitalizada? Eu não sabia disso. — o homem disse com pesar.
— Pois é… — Tay disse soltando o ar, e eu quis rir da atuação da minha amiga. — Não estamos conseguindo contato com ela, e nem sabemos para onde foi, nem quando volta.
O homem encarou Taylor por alguns segundos, depois voltou a mexer no computador.
— Consta aqui que o destino final foi Londres, e ela volta em duas semanas. Isso é tudo que tenho neste momento.
Taylor deu um sorriso agradecido antes de falar.
— E já nos ajuda muito, pelo menos agora sabemos quanto tempo temos.
O porteiro nos olhou confuso, agradecemos pelas informações. Giramos nos calcanhares e caminhamos de volta para o carro.
— Tiff? — perguntei com deboche para Tay que deu de ombros.
— Lembrei de você com a Veve… — nós duas rimos e seguimos nosso caminho. Assim que entramos e batemos as portas, a Bree e a Fer se inclinaram para a frente, ansiosas.
— E aí? — Fer perguntou.
— Nada feito — Taylor bufou, batendo as mãos no volante. — A tal da Tiffany Wise voou para Londres. Está fora do país.
— Que conveniente… — Bree resmungou, cruzando os braços. — Justo quando a amiga tenta se matar, a outra viaja.
Taylor deu um sorriso de canto, um brilho perigoso surgindo em seus olhos. Ela enfiou a mão na bolsa e puxou um aparelho celular preto, robusto e visivelmente diferente dos modelos comerciais.
Clique.
O som digital de mensagem enviada ecoou pelo interior do carro. Taylor piscou duas vezes, olhando para o topo da tela, e o sangue pareceu sumir do seu rosto em um segundo.
— Merda! Puta que pariu, merda! — ela xingou alto, a voz subindo de tom em puro pânico.
— O que foi, Taylor?! — Bree se inclinou, assustada.
— Eu esqueci de trocar os aparelhos! Eu mandei a mensagem usando o número do Dominic. A mensagem foi em nome do meu marido! Que desgraça Taylor! — ela xingou a si mesmo.
— Cancela o envio. — falei.
Mas antes que a Taylor conseguisse tentar apagar o registro, o aparelho começou a vibrar em sua mão. A resposta havia sido instantânea. A pessoa do outro lado estava acordada.
— Dominic vai me matar. — Taylor bufou.
Ela engoliu em seco, com os dedos trêmulos, abriu a tela de conversa. Não era um texto. Era um arquivo de áudio de poucos segundos.
— Ai, meu Deus… — Fer sussurrou.
— Não tem nome, não tem como ela saber que o número é do Dom. — avisei.
— Reproduz isso logo, Tay. — Bree pediu ansiosa.
Taylor apertou o botão de play. O som do alto-falante do celular do Dominic preencheu o interior silencioso do carro, e a voz de uma mulher, com um tom absurdamente meloso, arrastado e carregado de uma intimidade antiga, ecoou por todos os cantos:
— Dom, querido... Eu sabia que, cedo ou tarde, você acabaria me procurando.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar