Entrar Via

O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 113

Capítulo 113 — O Peso da Confiança

Fernanda Garcia

Minha vida costumava ser um ciclo de medos silenciosos e passos dados com extrema cautela, mas, desde que o Ozzie entrou nela, tudo parecia ter ganhado a velocidade de um trem-bala.

Olhar para a cumplicidade entre a Emma e a Bree, e logo em seguida para a Taylor, que parecia uma fortaleza pronta para defender qualquer uma de nós, me fazia refletir sobre o quanto nós quatro estávamos interligadas.

Enquanto conversávamos no apartamento da Tay após a nossa missão frustrada, eu só conseguia pensar na mudança que estava prestes a acontecer. A ideia de ir morar com o Ozzie na mansão do Damien me causava uma ansiedade boa, daquelas que dão frio na barriga.

Tudo estava acontecendo rápido demais, mas, ao mesmo tempo, parecia tão certo, tão natural, que meu único temor era acordar e descobrir que tudo não passava de um sonho bonito.

Nossa conversa descontraída na sala, cercada pelas guloseimas que a Diva havia preparado, trazia um conforto quentinho. Mas a trégua terminou no exato segundo em que o elevador privativo anunciou a chegada dos meninos.

Eles saíram um a um da cabine, com expressões tensas, mas foi a voz cortante da Taylor que ditou o tom do ambiente.

— Alguém pode me dizer que rolê foi esse, em que saíram daqui quatro Kens e voltaram com a Barbie?

Meus olhos abandonaram os rapazes instantaneamente e focaram na figura que vinha logo atrás deles. Era uma mulher de cabelos claros, com uma fisionomia visivelmente abatida, que parecia tentar usar os ombros largos dos meninos como escudo.

Notei de imediato que ela estava mais próxima do Ozzie do que dos outros, quase buscando a órbita dele, e meu estômago deu uma revirada incômoda.

Cada um dos caras seguiu em direção à sua respectiva mulher. O Damien foi para a Emma, o Dom para a Taylor e o Tristan buscou a Bree. O Ozzie parou por um breve segundo, murmurou algo em tom baixo para a moça ao seu lado e caminhou firme na minha direção.

Eu não tive tempo de processar. Assim que ele se aproximou, suas mãos seguraram minha cintura e ele me puxou para um beijo urgente. Foi um beijo que eu não estava esperando, mas meu corpo respondeu antes da minha mente, e eu o retribui com toda a intensidade que vinha aprendendo a sentir por ele.

Quando nossos lábios se separaram apenas o suficiente para respirarmos, ele não me soltou.

— Prometo te explicar tudo, só confia em mim… — ele murmurou contra a minha boca, a voz rouca e carregada de uma seriedade que me causou um arrepio.

Ele se afastou um pouco mais, segurando meu rosto entre suas mãos espalmadas, me obrigando a encarar as profundezas daqueles olhos azuis que costumavam ser sempre tão debochados, mas que agora transbordavam urgência.

— Pode fazer isso? — ele pediu.

Olhei para ele, sentindo a confusão nublar meus pensamentos.

— Confiar? Como assim?

Ozzie não respondeu com palavras. Em vez disso, se inclinou e me deu um selinho demorado, firme, como se estivesse selando uma promessa silenciosa no meu peito.

— Só diz que confia em mim — ele insistiu, a voz baixa.

Olhando para ele, vendo a honestidade estampada em cada traço do seu rosto, meu coração falou mais alto do que qualquer insegurança.

— Confio — respondi, sem hesitar.

Um sorriso genuíno e aliviado surgiu nos lábios dele. Ele soltou meu rosto, mas passou o braço ao redor dos meus ombros, me colando ao seu corpo em um gesto puramente possessivo. Então, ele se virou para a moça, que assistia a toda a nossa interação com um olhar confuso.

— Essa é a Katy — Ozzie anunciou para a sala.

A voz da Emma cortou o ar como um chicote, carregada de incredulidade.

— Katy? A Katy?

Olhei para a Emma e vi que ela estava pasma. O Damien a puxou mais para perto, colando as costas dela em seu peito, e sussurrou algo bem baixinho em seu ouvido. Vi minha amiga cruzar os braços, visivelmente irritada com o que quer que ele tenha dito, mas ela permaneceu em silêncio, apenas fuzilando a recém-chegada com o olhar.

Ozzie limpou a garganta e continuou a falar, mantendo o braço firme ao meu redor.

— Bem, como eu disse, essa é a Katy e ela vai passar um tempo no meu apartamento.

Ela desviou os olhos dele, olhou para mim, depois direcionou toda a sua atenção para a Katy, travando a mira na mulher com um desprezo palpável.

— O que eu quero falar — a Taylor continuou, dando um passo à frente com os braços cruzados — é o que a minha amiga provavelmente está com vontade de perguntar, mas está se controlando para não ser indelicada.

Olhei para a Taylor e depois para a Katy, sentindo a tensão na sala subir a níveis estratosféricos. A Taylor não deu tempo para ninguém respirar e disparou a pergunta diretamente para a loira:

— Que porra você está fazendo aqui?

Dominic tentou intervir, dando um passo na direção da esposa.

— Taylor…

Mas ela simplesmente levantou uma das mãos, espalmando-a no ar e interrompendo o marido sem sequer olhar para ele. O foco dela continuava na outra.

— Vai me responder, Barbie?

Katy recuou um passo, parecendo intimidada, e buscou o olhar do Ozzie como quem implorava por socorro. Senti o corpo do meu namorado enrijecer ao meu lado, os músculos do seu braço contra os meus se tornando pura pedra.

Ninguém na sala ousou dizer uma palavra, o ar estava tão denso que parecia que qualquer faísca causaria uma explosão.

Eu olhei para a Katy, depois para o homem que segurava meu mundo nos braços. Eu confiava nele, tinha acabado de prometer isso, mas eu não era boba e nem aceitaria ser coadjuvante no meu próprio relacionamento. Me virei um pouco mais para ele, quebrando o silêncio pesado da sala.

— Então responde você, Ambrose.

Ele baixou os olhos para me encarar, surpreso pelo uso do seu nome real. Mantive minha postura firme, sustentando o olhar dele enquanto concluía com toda a clareza do mundo:

— O que a Katy está fazendo aqui? E por que ela precisa ficar no seu apartamento?

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar