Capítulo 121 — Linhas de Frente
Damien Knight
A calmaria em Hoboken nunca durava o suficiente para que eu pudesse realmente relaxar. Enquanto terminava de abotoar os punhos da minha camisa social, minha mente trabalhava em uma velocidade incômoda.
A volta da Katlyn estava tirando o meu sono. Por mais que o Ambrose insistisse em dizer que estava bem com toda aquela situação e que tudo isso havia ficado no passado porque ele tem a Fernanda agora, algo dentro de mim ainda me deixava em total estado de alerta.
Eu conhecia o meu primo, sabia o peso das suas cicatrizes e odiava pontas soltas no nosso círculo. E para piorar, o pedido que a Emma havia me feito na cama há dois dias atrás ainda martelava na minha cabeça.
Eu não era contra a vinda da Taylor, do Dominic e da menininha deles para passar uma temporada aqui; o Dom é como um irmão para mim e a minha mansão tem espaço de sobra.
O problema era que eu sabia perfeitamente qual era a real intenção por trás daquela súbita mudança de ares. Aquelas quatro garotas estavam montando uma linha de frente. Queriam transformar a minha casa em um quartel-general para fazer da vida da Giovanna um inferno absoluto caso aquele exame de DNA desse positivo para o Tristan.
E hoje era o dia. Hoje nós saberíamos a verdade sobre o suposto filho do Stan. Como se não bastasse toda essa voltagem, hoje também era o maldito dia em que, após quase dois anos de afastamento, a Izabel pousaria de volta nos Estados Unidos.
E, pelos relatórios que recebi, ela parecia decidida a se instalar na minha casa, reivindicando um espaço que nunca foi dela.
Estava parado em frente ao espelho do closet, terminando de ajeitar o nó da minha gravata escura, quando vi pelo reflexo a Emma se aproximar. Ela parou bem na minha frente, estendeu as mãos com delicadeza e assumiu o controle do tecido, terminando de moldar o nó com aquela precisão suave que só ela tinha.
Assim que ela terminou, segurei sua cintura e a puxei para os meus braços, colando nossos lábios em um beijo calmo, mas cheio de posse.
— Obrigado — murmurei contra a boca dela ao nos separarmos apenas o suficiente para respirar.
Ela sorriu, deixando as mãos repousarem no meu peito. Começamos a conversar sobre o dia intensamente agitado que teríamos pela frente. Emma me lembrou de que a Ellie tinha uma consulta médica de rotina hoje para fazer um check-up completo.
— Eu queria muito ir junto com vocês, querida — comentei, ajeitando uma mecha do seu cabelo loiro atrás da orelha. — Mas, infelizmente, tenho uma reunião crucial na empresa logo cedo e preciso me preparar. Além disso, combinei de ir com o Tristan, o Ozzie e o Dominic no hospital para pegar o resultado oficial do teste de DNA.
Emma se inclinou e me deu mais um beijo rápido, acariciando o meu ombro.
— Está tudo bem, Dam. A Savannah vai comigo para me ajudar com os dois. Depois da clínica, nós vamos nos encontrar com as meninas no shopping para comprar o material escolar deles.
Bufei na mesma hora ao ouvi-la mencionar a escola, sentindo o meu maxilar travar de leve. Ontem à noite, nós dois havíamos tido uma discussão bastante calorosa sobre esse assunto. Eu ainda não achava que o Luca estivesse totalmente preparado para enfrentar o ambiente escolar e, acima de tudo, temia pela saúde frágil da Ellie.
Mas a doutora Beatriz havia garantido que a socialização seria excelente para o desenvolvimento do meu menino, e o Henry alegou categoricamente que a Ellie estaria segura. Foi o único motivo que me fez ceder e assinar a autorização.
Descemos as escadas juntos em direção à sala de jantar. Assim que entramos no ambiente do café da manhã, o cenário que encontramos já era o reflexo dos últimos dias: uma verdadeira e barulhenta bagunça.
As crianças corriam de um lado para o outro perto das cadeiras, enquanto Ozzie, Fernanda, Tristan e Savannah já estavam acomodados ao redor da mesa farta.
Nos sentamos e nos servimos em meio ao falatório. Em dado momento, o Ozzie esticou o braço para pegar a jarra de suco e me olhou com um sorriso de canto.
— E então, Dam? O Dom vai vir mesmo passar as férias dele aqui em Hoboken, longe de toda a loucura de Manhattan?
Tristan soltou uma risada rústica, limpando a boca com o guardanapo antes de brincar.
— O Dominic faz absolutamente tudo o que a Taylor manda hoje em dia, Ozzie. Então, a resposta para a sua pergunta é com certeza. Eles chegam amanhã.
Balancei a cabeça, dando um gole longo no meu café preto antes de opinar sobre o assunto, sentindo os olhos atentos da Emma focados na minha lateral.
— Eu nunca imaginei que veria aquele ogro do FBI sendo domado daquele jeito por uma baixinha. Chega a ser vergonhoso o controle que ela tem sobre ele.
Ozzie soltou os talheres no prato e me encarou com uma expressão carregada de puro deboche.
— Vergonhoso, é? Me diz uma coisa então, primo… Como foi mesmo que a Taylor conseguiu o passe livre para se mudar para a mansão Knight com malas e bagagens tão rápido? Quem foi que conseguiu tão facilmente a autorização mesmo?
A mesa inteira explodiu em gargalhadas com a provocação dele. Resmunguei, sentindo minhas bochechas aquecerem de leve com o flagrante.
Emma, sentada logo ao meu lado, segurou a minha gravata com delicadeza, me puxou para baixo e me deu um selinho carinhoso na frente de todos, tentando conter o próprio riso.
— Emma… — comecei e ela me interrompeu.
— Eu não preciso de mais dinheiro, Dam.
— Emma, não seja teimosa — insisti, segurando os dedos dela e forçando o cartão de volta para o seu domínio, fechando a mão dela ao redor do objeto. — Você não é mais apenas a babá do Luca, você é a minha mulher. Prover para vocês é o meu papel. Usa o cartão e não discuta comigo sobre isso.
Ela me mediu de cima a baixo, bufando com a minha insistência, mas vi o brilho de rendição naqueles olhos azuis. Com o jeitinho certo e a dose exata de autoridade carinhosa, eu sempre conseguia fazê-la ceder.
Me inclinei e selei a minha decisão com um último beijo demorado, sentindo a textura macia dos seus lábios antes de girar os calcanhares e caminhar em direção à saída da mansão.
Encontrei o Tristan e o Ozzie já me esperando na área externa, perto dos carros. Ajustei o paletó do meu terno e parei diante deles.
— Prontos? — perguntei, olhando para os dois.
Ozzie assentiu com a cabeça, a expressão séria. Tristan, no entanto, mantinha os punhos fechados dentro ao lado do corpo, os olhos fixos no horizonte com um semblante nítido de apreensão que ele tentava disfarçar a todo custo.
— Eu estou pronto, irmão — Stan respondeu, o maxilar tão travado que as linhas do seu rosto pareciam esculpidas em pedra. — Pronto para pegar aquele pedaço de papel e expulsar a Giovanna de uma vez por todas da minha vida.
Ozzie deu um passo à frente, cruzando os braços e o encarando com uma dúvida legítima.
— Você ainda mantém isso? Mantém a certeza de que aquele filho não é seu, Stan?
Tristan girou a cabeça devagar, encarando meu primo com uma convicção cega e absoluta antes de garantir:
— Tenho. Eu sei o que fiz e sei o caráter daquela mulher. Aquele filho não é meu.
Caminhei até o Tristan e coloquei a minha mão firme sobre o seu ombro, apertando o tecido em um gesto de apoio fraternal puro.
— Então vamos lá, irmão. Vamos até aquele hospital buscar a verdade e apagar de vez essa página maldita da sua vida.

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