Capítulo 122 — O Veredito
Tristan Blackwood
Por mais que a minha mente tentasse manter uma barreira de gelo, o peso da incerteza era uma força esmagadora. Dentro do carro, enquanto cruzávamos as ruas em direção ao hospital, mantive os olhos fixos na paisagem que passava depressa pela janela.
Eu tinha uma convicção cega e absoluta de que aquele filho que a Giovanna carregava não era meu. Eu conhecia cada armação daquela mulher, sabia do que ela era capaz para tentar se prender a mim e à minha conta bancária.
Mas, ainda assim, uma ponta de ansiedade corroía o meu estômago. A única coisa que me mantinha de pé, com a coluna ereta e o queixo erguido, era saber que eu tinha os meus amigos, os meus irmãos de alma, ao meu lado para o que der e vier, independentemente de qual fosse o resultado dentro daquele envelope.
Assim que estacionamos e entramos na recepção principal do hospital, avistamos o Dominic e a Ester parados perto dos elevadores. Caminhamos até eles e os cumprimentos foram breves, marcados pela tensão que flutuava no ar. Me aproximei da Ester e segurei a sua mão com força, olhando-a nos olhos.
— Obrigado por ter aceitado vir, Ester. De verdade.
Ela abriu um sorriso acolhedor e apertou os meus dedos com carinho.
— Não precisa agradecer, Stan. Somos uma família e você sabe muito bem disso. Eu não deixaria você passar por isso sozinho.
Antes que pudéssemos dar o próximo passo, a figura do Juan surgiu no final do corredor, caminhando na nossa direção com as mãos nos bolsos e um semblante descontraído. Ele cumprimentou cada um de nós com um aceno e um aperto de mão.
Dominic franziu o cenho na mesma hora, encarando o homem com desconfiança.
— O que você está fazendo aqui logo cedo, Snake? Caiu da cama?
Juan soltou um riso nasalado, dando de ombros com total naturalidade.
— A minha mulher foi quem me mandou estar aqui, amigo Costello. Para ser bem sincero, nem eu mesmo sei o real motivo ainda. Só obedeço às ordens.
Ester cruzou os braços sobre o peito, adotando aquela postura firme de médica que não aceitava desaforo de ninguém.
— Eu não confio na Giovanna e nunca engoli aquela história mal contada sobre ela e a Verônica terem se descoberto grandes amigas do nada. Tem caroço nesse angu. E para completar, a Taylor me ligou antes que eu abrisse os olhos só para me contar sobre o surgimento da Katy e a súbita viagem internacional da Tiffany para Londres.
Dominic bufou audivelmente ao ouvir o nome da esposa, passando a mão pelo rosto com uma expressão nítida de pura exaustão.
— Eu não acredito… A Taylor não consegue ficar quieta. Ela continua agindo pelas minhas costas e agora está conspirando com o resto de vocês.
Ester rebateu o amigo no mesmo instante, arqueando uma sobrancelha com deboche.
— Não é conspiração, Dominic. É apoio. Mulheres se apoiam, aceite isso.
Ozzie soltou um riso soprado e repetiu a palavra com ironia, balançando a cabeça.
— Apoio… Sei bem.

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