Capítulo 183 — O Jogo da Arrogância
Dominic Costello
Foram três longos dias de puro malabarismo burocrático e pressão institucional até que eu finalmente conseguisse emitir e validar a intimação legal para colocar a Verônica Ortega dentro de uma sala de interrogatório na sede do FBI.
Três dias em que a poeira dos crimes tentou baixar, mas a minha equipe não deu um segundo de trégua.
As investigações sobre a morte da Clara continuavam avançando a passos largos. Tanto o Chris quanto o Snake estavam operando com maestria nas sombras do submundo para levantar o rastro do mecânico que sabotou a tubulação de freios daquele carro anos atrás.
Ao mesmo tempo, os meus rapazes da divisão federal, cruzando dados com a inteligência do Snake, estavam em uma caçada frenética pela namorada do segurança da mansão que acabou sendo executado como queima de arquivo. Nós sabíamos que a mulher tinha fugido levando o aparelho celular do falecido, o telefone que guardava os registros das ordens diretas, transferências e chaves de acesso.
Aquele aparelho era a peça definitiva que faltava para indiciar a Verônica Ortega não apenas como cúmplice, mas como mandante intelectual de múltiplos homicídios.
Assim que cruzei as portas do departamento, percebi o circo montado. Verônica não tinha vindo sozinha; trouxe consigo uma banca inteira de advogados de elite, homens de terno alinhado e sorrisos treinados, pagos a peso de ouro para blindá-la de qualquer deslize.
Quando entrei na sala de custódia e me acomodei na cadeira à sua frente, a postura daquela mulher era o puro suco da arrogância aristocrática. O queixo erguido, as pernas cruzadas com elegância e aquele olhar de superioridade que tentava diminuir qualquer autoridade na sala.
— Boa tarde, agente Costello. — ela começou, a voz aveludada, sem um fio de nervosismo. — Espero que esta pequena conversa não se estenda por muito tempo. Minha agenda hoje está significativamente atarefada.
Ajeitei os braços sobre a mesa de fórmica, cravando os meus olhos nos dela com a frieza habitual de quem já viu de tudo nesta profissão.
— O seu tempo agora pertence à Justiça Federal, senhorita Ortega. — declarei em tom calmo e cortante. — Então vamos direto ao ponto. A sua amiga, Giovanna Hampton, prestou um depoimento oficial e detalhado. Ela confessou que você foi a mente por trás de toda a armação do teste de DNA forjado e que a ordem para desligar as câmeras da mansão no momento do ataque contra a Aubrey Fox partiu diretamente de você.
Verônica nem piscou. Ela soltou um suspiro teatral, ajeitando a manga do seu casaco de grife, e exibiu um sorriso condescendente.
— A Giovanna é uma jovem profundamente perturbada, agente. Uma garota desesperada que se enrolou na própria teia de mentiras e que agora, vendo a sua vida desmoronar em uma cela fria, tenta desesperadamente encontrar um bode expiatório para dividir a conta dos seus atos inconsequentes.
— Um bode expiatório que por coincidência trocou mensagens de texto com ela no exato minuto do atentado na escadaria? — provoquei, inclinando o tronco para a frente.
Verônica vacilou por um milésimo de segundo. Vi a pupila dela dilatar e a sua respiração travar levemente, mas ela se recuperou com uma rapidez impressionante, recostando-se na cadeira com ar de deboche.
— Mensagens curtas de apoio moral, agente. Eu estava apenas tentando ser uma boa amiga, confortando uma mulher grávida e emocionalmente instável que me pedia ajuda a todo momento.
Soltei uma risada curta e sem humor, balançando a cabeça.
— Uma excelente amiga, não é mesmo? Tão dedicada que se tornou cúmplice de fraude processual, tentativa de homicídio e mandante da execução do segurança da mansão que sabia demais.
Verônica soltou uma gargalhada baixa e refinada, olhando para o seu advogado principal, que apenas permaneceu em silêncio, sabendo que a cliente dominava a encenação.
— Tudo o que o senhor está dizendo não passam de meras suposições e teorias conspiratórias, agente Costello. O senhor não tem absolutamente nada concreto contra a minha pessoa. A única coisa que repousa sobre essa mesa é a palavra de uma criminosa confessa contra a reputação irretocável de uma mulher de família tradicional.

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