Capítulo 203 — Emma sua bobinha
Emma Anderson
O alívio que tomava conta do meu peito parecia quase grandioso demais para caber em mim. Horas atrás, eu estava destruída pela culpa e pelo medo de ter perdido para sempre o carinho da Aubrey; agora, a memória do nosso abraço sincero na sala e a certeza de que a minha melhor amiga se lembrava do nosso amor me davam um suporte inabalável.
E, para que a felicidade fosse completa e absoluta, o Damien tinha acabado de encontrar a Ellie na floresta.
Eu andava de um lado para o outro na varanda que dava para a área da piscina, esfregando as mãos trêmulas de ansiedade.
— Emma, você precisa respirar e se acalmar um pouco, meu bem. — Juliet aconselhou com um tom doce e maternal, pousando a mão carinhosamente no meu ombro. — Essa agitação toda e esse nervosismo não fazem nada bem para os dois bebês aí dentro.
— Eu sei, Ju… Eu sei perfeitamente, é só que eu…
Não consegui terminar a frase.
Pelo canto da cerca viva que delimitava a propriedade, a silhueta alta e inconfundível do Damien surgiu entre as luzes dos refletores externos. Ele carregava um pequeno vulto aninhado firmemente em seus braços largos, escoltado pelo Dominic, pelo Elijah, pela Esther e por oficiais do parque.
— ELLIE!!
O grito rasgou a minha garganta. Esqueci o cansaço, a queda de pressão e as recomendações médicas. Disparei pela beirada da piscina em direção à grama, correndo como se a minha própria vida dependesse de alcançar aquele abraço.
— EMMA, DEVAGAR!! — a voz de trovão do Damien soou em repreensão no mesmo segundo. — CUIDADO COM OS BEBÊS!!
Ignorei solenemente a ordem dele. Cheguei até eles praticamente tropeçando nos meus próprios pés e puxei a minha irmãzinha do colo dele num movimento desesperado, trazendo o corpinho miúdo dela para colar no meu peito.
— Ellie, meu amor… Pelo amor de Deus, nunca mais na sua vida faça isso!! — falei entre os soluços e as lágrimas que lavavam o meu rosto, cobrindo a pele gelada dela de beijos apressados. — Eu não vivo sem você, minha pequena… Não existe uma Emma neste mundo se não existir a Ellie junto!
Os bracinhos finos da minha irmã envolveram o meu pescoço com força. Ela afundou o rostinho no meu ombro e murmurou com uma vozinha rouca e culpada.
— Desculpa, Em… A Ellie não queria te deixar triste, de verdade. Era a Ellie que estava triste demais e não queria ficar atrapalhando a sua família nova…
Afastei o corpo dela devagar, segurando os seus ombrinhos para encará-la nos olhos, a testa franzida em pura confusão.
— Do que você está falando, Ellie? Atrapalhando quem?!
Damien deu um passo à frente, pousando a mão firme nas minhas costas e me puxando suavemente de lado.
— É uma longa história, amor… Fica calma. Eu te conto cada detalhe com calma daqui a pouco.
Olhei para ele sem entender nada daquele mistério, mas decidi não insistir. Naquele instante, tudo o que me importava era a sensação física de sentir o coração da minha irmã batendo firme contra o meu.
— Eu odeio ser a chata que precisa intervir e atrapalhar esse reencontro lindo de vocês… — Esther deu um passo à frente com a sua postura médica impecável e o cenho franzido. — Mas a Ellie precisa de cuidados reais e imediatos agora, Emma. Você sabe que eu sempre prefiro ser direta e sincera quando o assunto é saúde, então serei.
O meu alarme interno disparou no mesmo milésimo de segundo. Apertei a menina contra mim.



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