Capítulo 240 — Uma de Nós
Emma Anderson
Dias se passaram desde o final de semana que virou as nossas vidas de cabeça para baixo.
Dez dias desde o assassinato brutal da Izabel, da fuga da Verônica, e exatos oito dias do basta definitivo que Fernanda deu em sua mãe e no covarde do Mike.
E, acima de tudo, uma semana desde que o escritório do Damien quase se tornou um ringue enquanto eles decidiam usar a Katlyn como isca para neutralizar o herdeiro dos Vance.
A manhã de terça-feira começou em uma calmaria que parecia até ensaiada. Damien já tinha saído cedo para a empresa, as crianças completaram suas sessões de terapia com serenidade, e Dona Marina já se movimentava pela casa como se sempre tivesse pertencido a ela. Diva e Savannah pareciam velhas companheiras de infância.
Tudo parecia perfeito.
Exceto pelo detalhe que pesava como uma bigorna no meu peito: amanhã seria o dia de colocar o plano de Juan em prática.
Depois do almoço, nos reunimos todas sob a pérgula florida do jardim. Esther tirou a tarde de folga para trazer a pequena Carina para brincar com Luca, Ellie e Arianna, e Mia e Violet aproveitaram o passeio para escapar do ritmo frenético de Manhattan.
O clima era leve, embalado pelas tiradas da Taylor.
— Mia, pelo amor de Deus, essa barriga parece que vai explodir a qualquer segundo! — Tay soltou, abanando o próprio rosto. — Parece que foi ontem que você e o Eli descobriram a gravidez, e agora faltam dias para conhecermos o mini Eli com aquela cara de médico engomadinho!
Todas nós caímos na risada, com Mia acariciando o ventre arredondado com um sorriso iluminado.
— Eu não aguento mais carregar esse peso todo, Tay! Mas o Eli está pior do que eu, já conferiu a mala da maternidade umas quinze vezes hoje de manhã.
A conversa seguiu animada, mas meus olhos se desviaram para a ponta do banco de madeira. Katlyn estava sentada um pouco mais afastada, com os dedos entrelaçados no colo e o olhar perdido nas flores, rindo de forma contida apenas por educação.
Me levantei devagar da minha espreguiçadeira, cruzei o deck de madeira e me sentei ao lado dela.
— Tudo bem por aqui, Katy? — perguntei em um tom suave.
Ela piscou, saindo do transe, e deu um meio sorriso tímido.
— Tudo sim, Em… Só estava observando vocês.
— Posso te fazer uma pergunta sincera? — ela assentiu.
— Claro que sim.
— No que você está pensando? Digo… sobre o futuro. O que pretende fazer quando toda essa loucura com o Estevan acabar de vez?
Katlyn soltou o ar devagar pelos lábios, encarando o gramado.
— Para ser bem sincera, eu ainda não consegui pensar em nada muito concreto. A única certeza que tenho é que nunca mais na minha vida quero ouvir falar de contratos, de submissa e dominador. Eu curto a intimidade a dois, não sou puritana… mas no fundo, bem lá no fundo, tudo o que eu quero à partir de agora é ter um relacionamento de verdade. Um amor real, cúmplice e tranquilo, exatamente como o que todas vocês têm.
Um brilho de melancolia cruzou os olhos dela quando ela desviou o olhar de relance para a Fernanda, que gargalhava de alguma bobagem com a Aubrey do outro lado.
Toquei suavemente no braço dela, fazendo-a me encarar.
— Katy… você se arrepende de não ter ficado com o Ambrose lá atrás?
Ela respirou fundo, sustentando o meu olhar com uma honestidade que me comoveu.
— Eu estaria mentindo se dissesse que não, Emma. Mesmo não expressando, eu gostei muito dele na época. Mas olhando para trás hoje… eu sei que não era a mulher certa para ele. Quando vejo o Ambrose e a Fernanda juntos, a forma como ele cuida dela e como os dois se completam com tanta verdade, eu entendo tudo. Se as coisas entre nós tivessem seguido adiante, nunca teriam sido perfeitas como são para eles dois. Eles nasceram um para o outro.
Apertei a mão dela com carinho.
— Você tem um coração enorme, Katy. E tenho certeza absoluta de que muito em breve você vai encontrar alguém que te ame com essa mesma intensidade… Na verdade — inclinei a cabeça, deixando escapar um sorriso carregado de malícia — Eu acho que você já encontrou.
O rosto da Katlyn pegou fogo no mesmo instante, tingindo-se de um vermelho escarlate.
— Emma!
— O que foi? Vai negar?
Ela olhou ao redor, sem graça, e mordeu o lábio inferior antes de sussurrar.
— Posso te confessar uma coisa?
— Sempre.
— Eu não consigo parar de pensar no Bruno… — ela confessou, com a voz baixinha e os olhos brilhando de pura vergonha. — O que é um absurdo completo! Nós mal trocamos meia dúzia de frases desde que nos conhecemos. Mas toda vez que aquele homem me olha com aqueles olhos escuros e aquela presença séria… Emma, não é só o meu corpo que arrepia. Parece que a minha alma inteira estremece.
Soltei uma risada baixa, encostando o ombro no dela.
— Minha querida, isso aí tem nome e sobrenome. Parece a reação clássica de um corpo que está se apaixonando.
Katlyn negou com a cabeça, gesticulando com as mãos.
— Não, não pode ser… Uma atração física forte, com certeza. Mas amor à primeira vista? Isso é coisa que só existe em filmes de romance e livros açucarados!
Taylor, que não perdia uma única vírgula de qualquer conversa em um raio de dez metros, virou o tronco na nossa direção no mesmo segundo.
— Amor à primeira vista é coisa de filme uma ova, loira do banheiro! Escuta aqui: no instante em que eu e o meu grandão batemos os olhos um no outro, nós pegamos fogo e não foi no bom sentido! Mas aquele cretino gostoso e autoritário decidiu me carregar para o apartamento dele no mesmo dia, me deu uns amassos inesquecíveis e antes que o sol se pusesse já estava me chamando de "amor" e decretando que eu era dele para o resto da vida!

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