Capítulo 241 — O Quinteto Fantástico
Taylor Costello
Eu tinha tudo para odiar a loira do banheiro. Absolutamente tudo! Mas a cada dia que passava, ela deixava de ser aquela assombração do passado que precisava de um exorcismo urgente para se transformar no meu próprio Gasparzinho na versão feminina. Sim, "Gasparzinho, o Fantasminha Camarada". Pegou a referência? Meu Deus, tem horas que nem eu mesma me aguento de tanta criatividade!
A verdade nua e crua é que eu já não sentia apenas empatia pela Katy; eu sentia um carinho genuíno. Eu nunca na vida vou entender ou engolir o que ela aprontou com o Ozzie lá atrás, mas consigo lidar perfeitamente com o fato de que ela se arrependeu de verdade e quer virar essa página nojenta.
Por isso, quando o Juan deu a opção de chamar a tal amiga advogada dela que, por sinal, já foi submissa do meu grandão, e eu nem vou comentar sobre esse detalhe para não desenterrar defuntos, ou colocar uma de nós na linha de frente, a escolha foi óbvia: nós iríamos.
Só que eu não sou boba. Sabia perfeitamente que se fôssemos apenas eu e a loira, o alerta do Estevan ia apitar até na China. Ninguém é burro. Por isso, tive a ideia genial de recrutar o esquadrão completo: a minha Barbie profissões, a minha Ferferzinha e a minha Dory, vulgo Breezinha. Gente, hoje eu estou um mimo ambulante de referências da Universal e da Disney!
Resumindo a ópera: seríamos o Quinteto Fantástico. Se deixasse, juntava todo mundo e virávamos um duodécuplo. Que palavra feia da bexiga! Mas, além do nome bizarro, doze mulheres juntas chamam atenção demais.
Então seremos só nós cinco como a isca mais brilhante e apetitosa daquele shopping. E eu tinha certeza absoluta de que tudo vai dar certo.
Nos reunimos perto dos carros na alameda da mansão. Nós cinco iríamos no meu SUV blindado. Antes de eu sequer colocar as mãos no volante, o meu marido me puxou pelo braço até um canto da garagem.
Dominic estava com aquela carranca monumental de agente que costuma fazer bandido borrar as calças.
— Taylor, você vai me ouvir com muita atenção — ele começou, a voz grave e baixa. — Isso não é um passeio com as suas amigas. Vocês vão entrar na loja, vão manter a rota planejada e, ao menor sinal de qualquer irregularidade fora do roteiro, você pega as quatro e entra no primeiro perímetro seguro.
— Relaxa, grandão! Eu tenho cara de quem se arrisca à toa?
Ele me encarou com uma sobrancelha arqueada.
— Tem. Todos os dias da sua vida.
Dominic soltou o ar ruidosamente e, mesmo visivelmente contrariado e contrariando todos os manuais federais, tirou uma pistola compacta do coldre e colocou na minha mão por baixo da jaqueta.
— Fica com isso. Destravada. Só usa se o Gael ou a equipe externa forem cortados.
Guardei a arma no cós da calça com a maior naturalidade do mundo. Puxei o colarinho dele, fiquei na ponta dos pés e dei um beijo daqueles de tirar o fôlego do meu agente federal.
— Pode deixar, amor. Eu sei me cuidar.
Dom colou a testa na minha.
— Eu sei que sabe, amor. Mas isso não me tira o direito de se preocupar. — envolvi meus braços ao redor do pescoço dele.
— Te amo, Dom.
— Te amo mais, Tay.
Quando nos separamos, logo atrás do meu marido, Coletti se aproximou com a postura rígida e me estendeu um micro-ponto auricular quase invisível.
— Coloca isso no ouvido esquerdo, Tay. Deixa ligado o tempo inteiro. Eu e o Dominic vamos estar na van de monitoramento com escuta aberta em frequência direta.
— Pode deixar, cretinão. Se você ouvir a gente fofocando, finge demência — pisquei para ele e enfiei o fone no canal auditivo enquanto ele se afastava.
Ao nosso redor, Damien estava abraçado à Emma em uma despedida silenciosa e cheia de cuidados, enquanto Ambrose segurava o rosto da Fer, enchendo a noiva de beijos e lembranças de precaução.
Depois das despedidas, as meninas e eu nos reunimos. Foi aí que eu bati os olhos no canto da varanda.
Coletti deu três passos largos, quebrou a pose profissional e puxou a Katlyn para um canto reservado. Nós quatro paramos no mesmo segundo, nos cotovelando e soltando risadinhas abafadas de longe.
Bruno segurou a loira pelos ombros, a puxou para um abraço firme e protetor e abaixou a cabeça, sussurrando algo bem baixinho no ouvido dela. O rosto da Katlyn se iluminou com um sorriso doce e bochechas coradas antes de ela se afastar, arrumando a bolsa no ombro e vindo em direção ao carro com passos rápidos.
Emma, Bree e Fer se acomodaram confortavelmente no banco traseiro espaçoso, e a loira sentou no banco do passageiro ao meu lado. Fechei as portas, dei a partida no motor e manobrei para fora dos portões.
Assim que pegamos a rodovia, olhei de rabo de olho para a Katy e soltei com puro deboche.
— Ô, loira do banheiro! Você é muito mole, sabia?! Tinha que ter aproveitado a deixa daquele abraço e ter lascado um beijo cinematográfico de tirar o fôlego naquele brutamontes de terno!
Katy soltou uma risadinha tímida, ajeitando uma mecha de cabelo atrás da orelha.
— Talvez isso aconteça depois que tudo isso acabar, Taylor…
Aubrey arregalou os olhos no banco de trás, bateu palminhas empolgadas e se enfiou no vão entre os dois bancos dianteiros.
— Ai, meu Deus! Foi isso que vocês combinaram lá no canto?! Que vocês vão ser felizes para sempre quando aquele cretino estiver atrás das grades?!
Katy virou o rosto para a Bree, rindo da empolgação dela.
— Felizes para sempre já é exagero, Bree… Mas… ele me convidou para jantar. E eu… bom, eu aceitei.
— AAAAAAH! — um grito em coro explodiu dentro do carro.


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