Capítulo 32 — Não é tão simples
Emma Anderson
Quinze dias se passaram depois que minha irmã saiu do hospital; ela estava bem e recebendo o melhor tratamento que existia. Criamos uma boa rotina na mansão do Damien; às vezes, nem mesmo parece que sou só a babá. Mas fico me lembrando que sou, para não me perder no caminho.
Depois daquele dia no escritório, Damien e eu, nunca mais ficamos sozinhos, mas, com ele mais participativo nas terapias do Luca e completamente ativo no tratamento da Ellie, estamos mais próximos.
Eu nunca me apaixonei de verdade. Tive paixonites na minha adolescência, mas nunca tive um relacionamento sério ao ponto de dar o próximo passo. Resumindo: eu sou virgem… que vergonha. Acho que é por isso que Damien mexe comigo a níveis extraordinários. Porque nunca tive ninguém que me olhasse da forma como ele me olha, ou que me causasse arrepios com simples toques acidentais.
E, mesmo que no começo ele tenha sido um babaca comigo, hoje se dedica a me ver bem, a cuidar da minha irmã. Damien Knight faz eu me sentir protegida, cuidada, mesmo sem perceber que é isso que está fazendo.
Bree insiste em dizer que estou apaixonada por ele, e eu nem nego mais; eu sei que estou. Mas isso não muda o fato de que eu sou a funcionária e ele, o patrão. Então, essa paixão não vai sair dos meus sonhos, e tem hora que eu brigo com a minha mente pelos sonhos absurdos que ela cria.
Hoje é minha folga, e Damien se ofereceu para nos acompanhar ao shopping, já que minha irmã de seis anos decidiu que queria ir. No fundo, ela sabe que tem meu patrão nas mãos, por isso pediu na frente dele.
Mas com ela eu me entendo depois; neste momento, eu preciso me entender com o meu coração, que está batendo descompassado diante da mulher deslumbrante que está parada na nossa frente.
— Verônica — Damien disse em um tom surpreso.
A mulher se aproximou dele, invadindo completamente seu espaço, e o envolveu em um abraço. Apertei Luca no meu colo e senti a mão de Bree no meu braço. Ellie se manteve ali, de mãos dadas com o “tio Dam”.
— Quanto tempo — ela disse, se afastando.
Damien parecia desconfortável, eu notava isso, mas ele manteve a pose de sempre.
— Sim. Não sabia que tinha voltado da Europa.
Ela olhou para minha irmã agarrada a ele e, com um sorriso que me deu ânsia de vômito, ela disse:
— Pensei que você era pai de um garotinho e não de uma princesa.
Antes que Damien respondesse, Ellie falou:
— Ele não é meu papai. Esse aqui ó… — ela apontou para o Luca no meu colo. A mulher me mediu, depois olhou para o menino. — É o Luquinha, ele é o filho do tio Dam.
— Ah, claro. Me desculpe pela confusão, querida — a tal Verônica disse em um tom solene.
Ela se aproximou mais uma vez de Damien, colocou uma mão em seu peito antes de dizer:
— Sinto muito pela Clara, eu só soube recentemente.
— Obrigado — foi tudo o que ele disse, mas não afastou a mão dela. Comecei a sentir meu corpo tremer. Luca, que já me conhecia, colocou a mão em meu rosto.
— Está tudo bem, pequeno… — murmurei para ele.
— Amiga, nós vamos à loja ou não? — Bree perguntou e, antes que eu respondesse a ela, Damien falou com Verônica:
— Foi bom vê-la, Verônica, mas, se nos der licença, temos compromisso.
Ela olhou para mim, depois voltou a olhá-lo.
— Não tenho mais seu número. Você poderia me passar e marcamos algo qualquer dia?
Um “hã?” saiu da minha garganta antes que eu pudesse controlar. Damien e Verônica olharam para mim, e Bree riu.
— Claro — ele disse, encostando o aparelho dele no dela. — Enviado.
A mulher agradeceu com um sorriso e um beijo em seu rosto. Acariciou os cabelos da minha irmã e acenou para Bree e para mim. Dei um beijo no Luca e o entreguei sem aviso no colo do Damien.
— Nos separamos aqui, senhor Knight — minha voz saiu mais dura do que eu pretendia, mas a mão daquela mulher nele era a única coisa que vinha à minha mente, e isso estava me tirando do sério. Olhei para minha irmã: — Obedeça ao meu patrão — falei e olhei para ele de relance. — Quando eu terminar, eu ligo para nos encontrarmos e ir embora.
— Tá bom. Compra uma tiara nova para mim? — ela pediu.
— Compro — respondi e a beijei. — Vamos, Bree.
Saí andando sem olhar para trás e ouvi Aubrey correndo para me acompanhar.
— Não é tão simples, Bree.
— Emma, se for por você ser a babá… — eu a interrompi.
— Não é só por isso…
Ela me olhou confusa.
— É pelo quê?
Mordi os lábios. Guardar esse segredo estava me sufocando. Outro dia quase confessei ao Ambrose quando ele me perguntou: “Do que você tem medo, Emma?”. Não consegui responder. Guardei tudo para mim.
— Emma?!
— Por tudo… — respondi finalmente. — Por eu ser eu, por ele ser ele.
Aubrey revirou os olhos para mim, encerrou o assunto e me arrastou até a loja. Eu a segui fingindo que o ciúme e todo esse sentimento tinham ficado de lado. Mas a verdade é que ainda estava tudo aqui, vivo e crescendo a cada segundo. Assim como o medo… o medo de me entregar a esse sentimento e, quando Damien descobrir a verdade, ele me odiar.
Entramos na loja e foi a Bree quem escolheu a roupa que eu usaria; disse que estava na hora de eu me vestir como um mulherão e não como uma dona de casa.
Nós vamos com o Ambrose a uma boate que inaugurou recentemente. Eu disse que nunca tinha ido a um lugar desses e não sabia se iria gostar. Ozzie respondeu: “Só descobrimos se gostamos ou não experimentando”. Então, vou viver essa experiência.
— Entra na cabine; quando estiver pronta, vem me mostrar — Bree disse, me entregando as roupas.
Entrei no provador e, quando acabei de me vestir, eu nem mesmo me reconheci. A roupa era perfeita: a blusa evidenciava meus seios e a calça moldava as minhas curvas. Puxei o zíper da blusa, mas ele emperrou; não consegui ir até o final.
— Bree… abre a porta e vem me ajudar com o zíper! — gritei e, em segundos, a porta se abriu. Joguei o cabelo para frente para não atrapalhar. — Amiga, puxa até o final, por favor.
Senti as mãos nas minhas costas, mas elas não eram pequenas como as da Bree. Quando levantei os olhos para encarar o espelho:
— Pronto — foi tudo o que ele disse.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar