Capítulo 34 — Ele mostrou
Emma Anderson
Depois que Damien saiu do provador, eu levei alguns minutos para acreditar e entender o que tinha acontecido. Eu fui ousada demais o enfrentando daquela maneira, mas, se Bree estiver certa sobre o interesse dele, chegou a hora de ele se decidir.
No fundo, eu ainda tinha medo pelo que eu escondia dele. Mas, se Damien Knight for corajoso o suficiente para admitir que entre nós está nascendo um sentimento, eu também vou ser e contar a ele sobre aquela noite.
Me troquei, saí do provador, Bree e eu pagamos nossas compras e eu mandei uma mensagem ao Damien.
“Terminamos” — foi tudo o que escrevi.
“Me espere em frente ao elevador”, ele respondeu.
Em minutos, ele veio com Ellie em seu colo, e Luca estava com Ozzie. Conversamos por alguns minutos, a conversa se resumiu com Ambrose confirmando o horário em que passaria na mansão. Damien nos lançou uns três olhares, e uns quatro, não, uns cinco rosnados.
— O patrão está quase precisando de uma coleira — Bree sussurrou só para que eu ouvisse, e eu ri, porque era verdade.
A viagem de volta foi tranquila. Ellie, assim como na ida, foi falando o caminho todo. Chegamos e o restante do dia passou como um borrão. Eu estava de folga, mas não quis deixar ninguém colocar o Luca para dormir; eu mesma coloquei. Contei uma história, cantei algumas músicas e insisti em ouvir um “boa noite”. Mas tudo o que ganhei foi um beijo e um chamego, e, para ser sincera… isso, para mim, basta.
Fui até o quarto da Ellie e fiz o mesmo com a minha irmã, mas para esta eu não precisei insistir em ouvir "boa noite". Porque veio até mais que isso.
— Boa noite, Em.
— Boa noite, princesa. Nada de ficar acordada; daqui a pouco é desligar a TV e cama, combinado?
— Combinado. Em, você vai sair para namorar?
— O quê? — perguntei, quase engasgando.
— É, a tia Sa disse que você ia sair hoje para namorar e balançar o esqueleto — minha irmã se remexeu na cama.
Olhei para Savannah, fulminando-a, mas ela nem se importou; pelo contrário, me deu uma piscadinha e um sorriso provocador.
— El, não tem nada de namorar. Eu vou sair com a Bree só para conversar e, talvez, dançar um pouco.
— Mas você pode namorar se quiser, Em.
— Ah, eu posso? — perguntei, arqueando a sobrancelha. — Então você me autoriza a arrumar um namorado?
— Sim — ela disse, balançando a cabeça.
— Você é uma figurinha, Ellie — falei, rindo e dando um beijo em sua cabeça.
Dei as últimas instruções para a Savannah e conferi com ela as medicações da minha irmã. Meu celular vibrou; era uma mensagem do Ozzie falando que chegava em uma hora. Me despedi das meninas, saí do quarto e segui para o meu. Encontrei Damien encostado ao lado da minha porta, de braços cruzados e cabeça baixa.
— Senhor Knight, precisa de alguma coisa?
Ele desencostou da parede e caminhou até mim.
— Sim, preciso falar com você.
— Eu quis te beijar naquele dia… — ele começou — porque é o que quero fazer desde a nossa primeira conversa no meu escritório.
Comecei a sentir meu coração bater mais rápido e ele continuou:
— Eu não te beijei porque, quando ouvi o Tristan na porta, ele me trouxe para a realidade. Além de ser seu patrão, você estava frágil pelo que aconteceu com a Ellie e grata demais pelo que fiz por vocês. — Ele fechou a distância entre nós e abaixou o tom de voz. — E eu queria que você me beijasse porque também queria isso, e não por obrigação ou gratidão.
Damien passou a mão no meu rosto, colocou uns fios atrás da minha orelha. E eu não conseguia nem me mexer.
— E, depois, eu não fingi que não aconteceu. Eu só não sabia o que fazer depois daquilo; eu não entendia o que estava sentindo.
— Agora você sabe? — minha voz saiu em um sussurro.
— Sei — ele respondeu, sem hesitar.
— Vai me contar? — perguntei, sentindo minha respiração acelerar.
Damien passou um braço pela minha cintura e eu agradeci por isso, pois precisava de algo para me apoiar, porque minhas pernas estavam virando gelatina.
— Não… — Olhei para ele, confusa com a resposta, e ele sorriu, um sorriso que eu nunca tinha visto em seus lábios. Ele passou a mão no meu rosto, descendo até a minha nuca e me puxou para ele encostando o rosto no meu, me fazendo sentir sua respiração se misturar com a minha.
Então, ele repetiu:
— Não vou contar. — O senti apertar a minha cintura e ele concluiu: — Eu vou mostrar.
E ele mostrou…

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