Capítulo 40 — Se bem me lembro...
Tristan Blackwood
Semanas se passaram depois do que Giovanna fez comigo. Ambrose achou melhor eu dar um tempo na mansão do Damien. No começo, eu fui contra, até me perder em olhares com a ousada copeira: Aubrey Fox. Ou, como a chamam por aqui, Bree.
Eu não estou buscando um relacionamento amoroso. Talvez um contrato. Um caso. Algumas noites para não acabar sozinho pensando na cretina da minha ex. Mas, quando vejo a Aubrey passando de um lado para o outro, eu repenso todas essas opções.
Ambrose decidiu levar as garotas para se distraírem, e eu sabia bem a intenção do meu amigo. Como dizem por aí: “quem não te conhece, que te compre”, e eu o conheço bem. Assim que chegamos, eu ceguei; na verdade, eu enxerguei muito bem.
E, em segundos, quebrei meu primeiro nariz da noite. Depois disso Bree foi dançar, e eu não ia deixar mais nenhum babaca se aproximar dela, então passei praticamente a noite inteira grudado nela. Mas, quando ela foi ao banheiro e Ozzie me chamou, acabamos nos separando e, enquanto eu a esperava, Tiffany, uma sub do Donjon, tentou chamar minha atenção. Mas logo a dispensei.
E foi aí que eu vi a Bree flertando com outro babaca no bar. Resultado: o segundo nariz da noite quebrado. Eu não pensei, eu só quis tirá-la dali. Mas é claro que essa garota malcriada tinha que me desafiar. A carreguei até o carro, a imprensei nele e então a beijei.
Não foi um convite; foi uma invasão. Eu precisava calar aquela boca atrevida que me chamava de velho e me desafiava a cada frase. No instante em que meus lábios colidiram com os dela, o gosto de tequila e audácia me atingiu como um soco. Aubrey soltou um som de surpresa que morreu em sua garganta quando eu aprofundei o contato, transformando a discussão em uma batalha de línguas onde eu não aceitaria nada menos que a rendição total.
Minhas mãos, que antes a seguravam com irritação, agora agiam por puro instinto possessivo. A puxei para mais perto, esmagando seu corpo contra o meu e contra o metal frio do carro, mas a única coisa que eu sentia era o calor absurdo que emanava dela.
Para minha surpresa, a "garota malcriada" não lutou. Ela se fundiu a mim. As mãos de Aubrey subiram para o meu pescoço, os dedos cravando-se na minha nuca, enquanto ela devolvia o beijo com uma fome que me fez perder o pouco juízo que me restava. O gemido que ela soltou contra a minha boca foi o estopim. Eu queria mais. Eu precisava de tudo.
Segurei suas coxas com força e a ergui. Aubrey prontamente entrelaçou as pernas na minha cintura, me prendendo a ela. Com uma das mãos, tateei o trinco da porta traseira do carro e a abri com um movimento brusco. Sem romper o beijo, eu a deitei no banco de couro, entrando logo em seguida e puxando a porta com o pé para fechá-la, isolando o mundo lá fora.
O espaço era confinado, quente e carregado com o cheiro do perfume dela e a eletricidade do nosso desejo. Eu me posicionei entre suas pernas, sentindo cada curva sob o tecido fino daquela roupa que me deixou possesso na boate. Meus beijos desceram para o seu pescoço, onde a pulsação dela martelava frenética.
— Você não tem ideia do quanto me irritou hoje, Aubrey — sussurrei com a voz rouca, minha respiração quente contra a pele dela. — E de como eu quero acabar com essa sua marra agora mesmo.
Minha mão subiu pela lateral do seu corpo, sentindo a textura do tule, me aproximando perigosamente da curva do seu seio. Eu estava no limite. O controle que eu tanto prezava havia sido deixado na calçada da Velvet. Eu a queria ali, naquele banco, do meu jeito.
As mãos dela vagavam por minhas costas, puxando minha camisa, exigindo contato pele com pele. Estávamos em uma espiral descendente, prestes a ultrapassar a linha de não retorno, quando senti os dedos dela pararem o movimento em meu peito.
Aubrey afastou o rosto, a respiração tão curta quanto a minha. Seus olhos verdes estavam dilatados, brilhando com uma mistura de luxúria e uma súbita consciência.
— Tristan… — ela arfou, colocando a palma da mão contra o meu ombro, exercendo uma pressão leve, mas firme. — Para. A gente… a gente não pode. Não aqui. Não assim.
Eu travei. Meus músculos retesaram, meu sangue fervia, mas o comando dela me trouxe de volta à realidade como um balde de água gelada. Olhei para ela, vendo os lábios inchados, o cabelo bagunçado contra o banco e a hesitação em seu olhar.
Ela estava certa. Eu não era um animal, e ela não era apenas uma diversão de uma noite. Por mais que meu corpo protestasse, eu me afastei lentamente, saindo de cima dela e me sentando no espaço pequeno do carro, tentando recuperar o fôlego e a dignidade que tinham acabado de ser nocauteados por uma copeira de vinte e poucos anos.
— Acho que agora eu aceito ir embora — ela disse, e senti um tom de tristeza em sua voz.
— O que houve? — perguntei, tirando uns fios de cabelo do seu rosto.
Bree se sentou e me encarou.
— Não foi assim que imaginei que seria nosso primeiro beijo.
Algo se aqueceu dentro de mim. Ela imaginou isso. O que significa que ela queria tanto quanto eu.
— E como imaginou? — perguntei, me aproximando um pouco mais dela.
Ela deu de ombros.
— Sei lá. Não pensei que seria com raiva assim, e depois de você ter ficado com a loira lá dentro.
— Espera, o quê? — perguntei, tentando entender. — Que loira?
Bree revirou os olhos para mim, e isso não ajudou muito no controle que eu tentava manter.
— A loira peituda jogada no seu colo! — ela disse, bufando e cruzando os braços, irritada.
E, ao invés de responder, tudo o que consegui fazer foi rir.
— Ah, muito obrigada, senhor Blackwood. Me humilha mais. Além de me fazer dividir a baba com a loira vagabunda, ainda ri de mim.
— Querida… — passei a mão pela cintura dela, a puxando para o meu colo. — Eu não fiquei com a Tiffany. Ela tentou, mas eu a dispensei, e quando fui atrás de você, a vi com o cara no bar.
Bree mantinha o rosto virado; ela claramente não acreditava em mim. Passei o nariz por seu pescoço e sussurrei:

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