Capítulo 41 — Sonho
Damien Knight
A viagem até a mansão foi silenciosa, mas extremamente confortável. Passei o caminho todo com uma mão no volante e a outra na perna da Emma. Assim que parei o carro e soltamos nossos cintos, me virei para ela e a puxei para um beijo.
— Pronto — murmurei, com a boca ainda colada na dela. — Estamos em casa.
Senti o sorriso dela crescer; não resisti e sorri junto.
— Eu vi — ela respondeu, se afastando de mim. — Agora é hora de dar boa noite.
Olhei para ela, confuso.
— Como é que é?
Ela deu de ombros e, com um sorriso que me irritou ao mesmo tempo que me desmontou, falou:
— Pensei que seu objetivo era só me tirar da boate e trazer para casa. — Ela se inclinou para mim. — Então, senhor Knight, missão cumprida.
Passei os braços pela sua cintura e a puxei para o meu colo.
— DAMIEN!! — ela gritou, chamando minha atenção.
— Não estou pronto para dar boa noite — falei, passando meu nariz no dela, e a ouvi suspirar pela carícia.
— Não? — ela perguntou, envolvendo os braços no meu pescoço, e falou em um tom provocativo: — Então está pronto para o quê?
Levei uma mão à nuca dela, segurando com firmeza. Parei meus lábios bem rentes aos dela e falei com uma voz carregada de desejo:
— Vou mostrar — sussurrei.
Ataquei a boca dela com uma urgência que não condizia com o meu autocontrole habitual. Emma soltou um suspiro de surpresa que rapidamente se transformou em um gemido de entrega. Eu a queria mais perto, mais fundo, em um lugar onde o mundo lá fora não pudesse nos alcançar.
Sem romper o beijo, tateei o controle do banco e o fiz descer em um movimento suave. Emma acompanhou o declínio, os braços ainda enlaçados no meu pescoço e, em um segundo de agilidade, eu me movi, trocando as nossas posições. Me posicionei sobre ela no espaço limitado do carro, sentindo o peso do meu corpo ser recebido pela maciez do dela.
O decote da blusa que ela usava era um convite perigoso. Meus lábios abandonaram a boca dela para traçar o caminho de fogo pelo seu pescoço, descendo até a curva dos seus seios. A pele dela estava quente, perfumada com aquela baunilha que estava me enlouquecendo. Emma arqueou as costas, as mãos se cravando nos meus cabelos e puxando, como se implorasse por mais.
Eu estava perdendo o juízo. Eu me esfreguei nela, movendo meu quadril contra o dela para mostrar, sem palavras, o estrago que ela estava causando em mim. Eu era um homem de gelo, mas ela era o incêndio que eu não queria apagar.
— Damien... — ela arfou, o som do meu nome saindo entrecortado.
Desci uma das mãos pela lateral do seu corpo, sentindo cada curva sob o tecido fino, até que a levei para o centro de tudo. Comecei a alisá-la com uma firmeza possessiva, sentindo a umidade e o calor que provavam que ela estava tão pronta quanto eu. Emma jogou a cabeça para trás no encosto do banco, soltando um gemido alto que ecoou nos vidros fechados do carro.
Eu estava prestes a levá-la ao limite quando senti a mão dela cobrir a minha. O movimento dela foi suave, mas a intenção foi clara o suficiente para me fazer travar. Parei o movimento, embora cada fibra do meu corpo protestasse contra a interrupção.
Me apoiei nos cotovelos, ficando logo acima do rosto dela. A respiração de Emma estava curta, os lábios inchados e os olhos brilhando com uma névoa de luxúria e algo que parecia... consciência.
Eu a encarei, minha voz saindo em um tom que eu mal reconheci de tão rouco:
— O que foi?
— Alguém pode nos ver — ela disse, ainda ofegante.
— Querida, os seguranças estão em seus postos, as empregadas já se recolheram. — Abaixei os lábios até o seu pescoço, plantei um beijo ali e murmurei contra a pele dela: — Não se preocupe.
Voltei a beijar seu colo, desci minha mão novamente entre nós, mas dessa vez a coloquei por dentro de sua calça, já sentindo o tecido de sua calcinha.
— Damien… — ela me chamou e respondi só um “hum” e continuei. — Damien! — O tom dela mudou. Levantei meus olhos para encontrar os dela e o que vi ali me fez afastar no mesmo instante.
Emma quis voltar ao banco dela e não me opus; a ajudei e levantei meu banco.
— Emma — chamei, mas ela nem me deixou falar.
— Desculpa se te fiz pensar que… — ela parou por um segundo. — Que a gente podia… — ela parou novamente, abaixando a cabeça dessa vez.
— Ei… — falei, levando meus dedos ao seu queixo para que ela me encarasse. — Está tudo bem. Eu me empolguei, mas não precisamos transar agora.
Ela assentiu com a cabeça, mas tinha mais coisa ali, eu via. Sugeri que descêssemos e ela concordou. Assim que dei a volta no carro, encostei na porta do passageiro e a puxei para mim. Beijei seu ombro.
— Fala comigo — pedi.
— Falar o quê? — Arqueei uma sobrancelha para ela, mas Emma ainda parecia confusa. — Me fala qual é o problema. Não foi só medo de alguém nos ver.
Emma prendeu os lábios nos dentes e desviou os olhos dos meus. Virei seu rosto com cuidado, puxei seus lábios com meus dedos e pedi de novo:
— Emma…
— Era medo de alguém nos ver, mas também… — fiquei esperando com expectativa. — Você sabe, Damien. Não me faça dizer isso em voz alta, que é humilhante demais.
Eu realmente não estava entendendo e insisti que ela falasse comigo abertamente. Emma suspirou e então disse, em um tom que era uma mistura de tristeza e vergonha:
— Antes de sermos só eu e a Ellie, eu já tinha aberto mão da minha juventude. Sem saídas. Sem amigos. Sem… namorados. Tudo isso — ela fez sinal entre nós — é novo para mim.
Interrompi o beijo, acariciei seu rosto com o polegar e encarei aqueles olhos azuis que eu tinha aprendido a adorar.
— Não quero. — Ela riu e falou:
— Mas precisa.
Mesmo contrariado, a soltei e a deixei entrar. Entrei no meu quarto e fui direto para o banheiro; eu precisava de um banho frio com urgência. Saí do banheiro e ouvi risadas vindas do corredor; eu não precisava abrir para saber que era o Tristan e a minha copeira.
Balancei a cabeça em negação e pensei o quanto eu e meu amigo estávamos completamente fodidos por causa dessas garotas. Deitei e demorei a pegar no sono, mas, assim que ele me atingiu, apaguei.
No primeiro momento, achei que estava sonhando. Depois o som veio mais alto e levantei num pulo. Olhei para a sacada; a porta estava aberta e era de lá que vinha a voz. Parei na porta e foi aí que ouvi:
— PAPAI! MAMÃE!
— Emma?! — A confusão me atingiu, até que ouvi novamente.
Corri para fora do quarto e abri a porta dela. Emma estava deitada, se debatendo e chorando muito. Dizendo coisas desconexas, fui até ela, sentei ao seu lado e a puxei para mim.
— Me perdoa. Me perdoa, papai.
— Emma… — a chamei. — Acorda, querida, é só um sonho. — Beijei o topo de sua cabeça. Ela estava suada.
— Era eu… — ela disse entre as lágrimas. — Eu não devia…
— Emma. Por favor, acorda. — A apertei em meu peito.
— VAI EXPLODIR!! — ela gritou. — NÃOOO!!
E com esse grito ela despertou.
— Emma… — Ela olhou para mim, os olhos arregalados e carregados de lágrimas. Emma demorou alguns segundos para entender o que estava acontecendo; quando entendeu, me abraçou e desabou.
— Me desculpa, Damien… Me desculpa.
— Emma, desculpa pelo quê? — Eu senti o corpo dela tremer, o suor ficar mais gelado. — Emma… — chamei, mas ela não me respondeu. — Emma, fala comigo. — Bati de leve no seu rosto. — Ela puxava o ar, como se não conseguisse respirar.
— Querida, por favor, o que está sentindo? — perguntei, mas não tive resposta. Emma começou a virar os olhos, os espasmos se intensificaram e ela murmurou: — Me desculpa… — Depois disso, ela apagou.
Emma desmaiou.

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