Capítulo 48 — Será que quero descobrir?
Damien Knight
Fui atrás de Emma, e claro que ela não facilitou a minha vida. Ela nunca facilita. Mas, depois de deixá-la falar o que quis, eu mostrei para ela que não há ninguém para mim além dela; eu fui sincero quando disse que não pretendo abrir mão dela por ninguém.
No instante em que ela cedeu, nos perdemos no momento. Estávamos no meio do corredor e eu não me importei com isso; por mim, teria dito a todos que estamos juntos na mesa do café. Mas, assim que ouvimos a voz da Ellie:
— Então o tio Dam é que é seu namorado? — Emma me afastou com tudo.
— Ellie… — ela falou, já querendo fugir, mas eu não deixei. Passei meu braço por sua cintura, colando seu corpo no meu.
— Sim, princesa, eu sou o namorado da Emma.
Senti o corpo dela enrijecer sob o meu, mas ignorei; se ela tinha intenção de fugir disso, ela não ia conseguir. No primeiro momento, a menina só nos encarou. Depois, o sorriso que surgiu no rosto da pequena me desmontou, e olha que não desmonto fácil. Mas Ellie e Emma conseguiam essas façanhas às vezes.
Ellie correu até nós e abraçou nossas pernas.
— Eu sabia! Eu sabia!! — ela disse, empolgada. — Agora vamos poder ficar aqui para sempre, como uma família, né, Em? Agora não vamos ser só nós duas…
As palavras da menina não atingiram só a mim, mas a Emma também. Ela se soltou dos meus braços e agachou para falar com a irmã.
— El, Damien e eu começamos a namorar agora. — Ela passou a mão no rosto da irmã. — Não se empolga no “para sempre”, tá bom?
— Ah, mas eu pensei… — a voz de Ellie saiu embargada. — Que a gente agora… — A menina não terminou; Emma a abraçou e deu um beijo em sua cabeça.
— Vamos conversar sobre isso depois — ela garantiu. — Agora, volta lá com o Luca que eu já vou, ok? — Emma pediu à irmã, que assentiu e voltou para dentro, fechando a porta.
Quando Emma se levantou, a encarei, furioso.
— Por que disse isso a ela?
— Isso o quê?
— Sobre não sermos para sempre! — Emma me olhou incrédula, como se eu tivesse dito a coisa mais absurda do mundo.
— Não vou criar expectativas na minha irmã de seis anos, nem dar a ela falsas esperanças, Damien.
— Falsas esperanças? Acha que eu estou com você por brincadeira ou diversão?
Emma respirou fundo.
— Não é isso…
— É o quê, então? — retruquei, completamente irritado.
— Damien, o que você queria que eu tivesse dito?
— Concordado.
— Concordar seria dar à Ellie uma certeza que nem nós temos.
— Ninguém tem, Emma! — rebati. — Mas não começamos um relacionamento já pensando que ele vai terminar; pelo contrário, pensamos em fazê-lo durar. — Fechei a distância entre nós. — Ou você não quer que o nosso dure?
— Damien, para com isso. Eu não respondi à minha irmã baseada no que eu quero, e sim no… — Ela parou de falar no mesmo instante, como se percebesse que ia falar demais.
— Baseada no quê?
— Dam, vamos deixar isso para lá, tá? Vou voltar para dentro; já me ausentei demais do Luca.
— Não, você vai me responder. Baseada no quê? — Insisti na pergunta e vi algo brilhar em seus olhos; era medo.
— Olha, me desculpa, tá? — ela disse, passando os braços pelo meu pescoço. — Eu fiquei sem ação. Ver minha irmã criar expectativas sobre nós, desejar que não sejamos mais só nós duas, mexeu comigo.
A segurei pela cintura e a encarei por alguns segundos. Não era só isso, tinha mais, eu sei. Mas também sabia que ela não me contaria. Não agora.
— Tudo bem. — Dei um selinho nela. — Mas que fique claro, Emma Anderson: você ontem me cobrou uma posição e eu a assumi. Eu não estou com você por diversão. Estou porque gosto, e porque quero estar com você.
— Eu sei. E eu também gosto. E quero muito ficar com você.
— Então, prova — mandei.
— Você é muito mandão — ela disse, rindo.

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