Capítulo 67 — Indo buscar minhas meninas
Damien Knight
Ouvir a voz dela pedindo para falar comigo, depois de me ignorar o dia inteiro, foi um bálsamo. Eu já tinha entendido o recado: ela estava magoada, e eu não queria tirar a razão dela; tudo o que eu queria era a chance de conversarmos.
— Claro que sim, amor… — a palavra saiu sem que eu controlasse. Foi como se meu cérebro tivesse decidido antes de mim.
— É Emma — ela me corrigiu, seca.
— Tudo bem, me desculpe. Foi sem querer — e tinha sido mesmo. Levantei da cama com cuidado para não acordar o Luca e segui para a varanda. — Sobre o que quer conversar?
Ouvi quando ela soltou o ar; notei o seu cansaço pelo som. Ela disse que estava tudo bem, mas foi ali que percebi que não estava.
— Emma… — chamei.
— Só um minuto, Damien — ela me pediu, e ouvi sua voz ao fundo: — Posso conversar com ele sozinha? — Emma perguntou, e a resposta veio em seguida:
— Claro, querida. — Apertei o telefone com força ao ouvir a forma como Simon a chamou.
Emma se manteve em silêncio, mas eu ouvia que ela se movimentava; ouvi seus passos, o abrir e fechar de uma porta, até que ela se voltou a mim.
— Damien.
— Sim.
— Eu não queria ter que te ligar, mas eu realmente precisei.
— Emma, você sempre pode me ligar. Na verdade, eu ainda queria conversar com você sobre… — ela me interrompeu.
— Não te liguei para falarmos sobre o que aconteceu ontem à noite, e muito menos para falar o que houve hoje pela manhã — o tom dela não vacilava, e aquilo me doía mais do que eu admitiria em voz alta.
— Ok — tentei responder no mesmo tom. — Então me diz do que precisa.
— É a Ellie. — A menção da minha pequena mexeu comigo.
— O que aconteceu com ela? Você me disse que estavam bem — falei, sentindo uma leve irritação por ela mentir para mim.
— E estamos, na medida do possível.
— Emma, não me enrole — falei, agora deixando a irritação transparecer.
— Não estou enrolando, senhor Knight. Estou procurando as palavras, é diferente! — rebateu.
— Então as encontre — retruquei.
— Damien, eu nunca vou cansar de dizer o quanto você é babaca — ela disse, e eu bufei em resposta. — Ela passou mal — Emma começou, e a ouvi com atenção. — Começou com crises de tosse, depois veio a febre e a queda da saturação.
— Então a leve para o hospital. Eu pego o carro, passo aí e vamos.
— Se fosse necessário, eu mesma a teria levado, Damien — Emma respondeu, exasperada. — Mas o Elijah veio até aqui e disse que não é necessário; a febre está controlada e a saturação estabilizou.
— Então qual é o problema?
— Ela não aceitou muito bem o que aconteceu. Se recusou a vir embora, se recusa a ficar aqui. Está com saudade do Luca… — Emma fez uma pausa. — Não para de chamar por você. Elijah diz que a doença dela não nasce do estresse, mas que ele pode ser o gatilho para as crises, ou até piorá-las.
As palavras dela foram um soco no meu estômago. O murro que o Ozzie me deu não era nada comparado ao que estou sentindo agora.
— Minha princesa está sofrendo… por minha causa — as palavras saíram sinceras, e Emma ficou em silêncio por alguns segundos.
— Eu não disse isso, Damien. Falei sobre o estresse, sobre a dificuldade dela em aceitar a mudança.
— Volta, Emma… traz ela de volta. — A ouvi soltar um riso, mas eu sabia que não era de alegria.
— Você me mandou embora. Disse que não me queria aí quando voltasse. — Passei a mão pelo cabelo em frustração.
— Em, eu sei o que eu disse.
— Claro que sabe — ela rebateu, irritada.

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