Capítulo 68 — Logo… não breve.
Damien Knight
Pedi para o Stan ficar de olho no Luca, peguei o carro e segui para Manhattan. A cada quilômetro que rodava, a imagem da Emma dominava meus pensamentos. Eu a conhecia bem o suficiente para saber que ela ficaria puta comigo chegando lá assim. Mas sempre fui um cara impulsivo, desde criança. E esperar não era da minha natureza; então, já que é para resolver, que seja logo.
Estacionei o carro em frente ao prédio dos caras. Todos os meus amigos moravam aqui, agora até o Eli. Fizemos faculdade juntos e criamos nossa própria fraternidade na época, pois não nos encaixávamos no “comum”; então, fizemos as coisas ao nosso estilo. Mesmo depois de formados, carregamos a fraternidade com a gente e a vivemos até hoje.
Estava no hall falando com o porteiro quando ouvi:
— Dam?! — A voz do Dominic chamou minha atenção. Me virei e estendi a mão para cumprimentá-lo.
— Dom, como vai?
— Estou bem, chegando agora depois de um plantão difícil. — Ele me olhou confuso. — E você? Aconteceu alguma coisa? O Luca? Ou os caras… o Stan surtou de novo? — Sorri para a preocupação do meu amigo.
— Não, o Luca está bem. E o Stan está mais do que bem, namorando a minha copeira.
— Aubrey? — ele perguntou, arqueando uma sobrancelha.
— Ela mesma. — Dominic balançou a cabeça em negação.
— Por isso, depois daquela confusão com a Gi, nunca mais o vi nem no Donjon e nem no Paradise.
— Pois é.
Dominic me encarou por alguns segundos, cruzou os braços e usou seu tom de agente federal comigo.
— Então, o que te traz aqui?
— Preciso subir no Simon. Emma e Ellie estão com ele, e a pequena não está bem.
— Eles já sabem que está aqui?
— Falei com ele ao telefone antes de vir para cá, mas não avisei ainda que estou aqui embaixo.
— Vamos. — Ele fez sinal com a cabeça. — Libero o privativo para você e o Charles avisa que está subindo. — Dom falou se direcionando ao porteiro, que somente assentiu.
Caminhamos lado a lado até o elevador privativo. Simon morava alguns andares acima do Dom. O elevador parou em seu andar.
— Até logo, irmão. Nos vemos sábado no casamento? — ele me perguntou antes de sair.
— Com certeza — respondi, estendendo a mão, e ele a apertou com firmeza.
A porta se fechou. Subi mais cinco andares até que o elevador parou e a porta se abriu. Dei dois passos para fora e a cena que vi me fez "ver vermelho".
Emma usava uma camisola que mais revelava do que escondia, uma que, por sinal, eu nunca a vi usando. E Simon estava tão próximo dela, sem camisa e ainda com a mão em seu rosto, sussurrando alguma coisa.
— Que merda é essa? — perguntei furioso, fazendo Emma e Simon se virarem para mim no mesmo instante.
— Boa madrugada para você também, Dam — Simon disse em um tom levemente irritado.
— Eu perguntei: que merda está acontecendo aqui? — falei, me aproximando deles.
Simon cruzou os braços e me respondeu:
— É uma hora da manhã, já tínhamos nos recolhido. O que acha que estava acontecendo? — ele rebateu.
— Damien — Emma chamou minha atenção, parando na minha frente. — O que está fazendo aqui uma hora dessas?
— Eu vim ver a Ellie — respondi no meu tom habitual. A ira e o ciúme já tinham me dominado. — Na verdade, vim buscá-las.
— Buscá-las? — Simon perguntou com deboche. — Sem avisar, sem perguntar se elas queriam ir embora?
— A Ellie não quer ficar aqui, e se ela não quer, ela não vai.
— E desde quando é você quem decide isso? — Simon falou, se aproximando mais de mim.
— E quem decide? — perguntei, fechando a distância entre nós.
— Damien — Emma entrou no nosso meio, colocando a mão no meu peito.
— Garanto que não é você, Dam! — Simon rebateu. — Você a mandou embora, terminou com ela. E agora aparece na minha casa como se mandasse em alguma coisa?
— Simon… — Emma disse, se virando para ele. — Eu resolvo — falou em um tom suave. Ele a encarou por alguns segundos e, depois, assentiu.
Ele deu dois passos para trás e Emma voltou a atenção para mim.
— Você devia ter me ligado antes; teria poupado sua viagem. Agora é melhor você ir.
— Não me manda embora sem falar comigo — falei, e ela arqueou uma sobrancelha para mim, e eu entendi o recado, porque foi exatamente isso que fiz com ela. Mas eu não ia deixar isso me intimidar, então continuei.
— E não usa isso comigo. — Emma sabia do que eu estava falando. — Sei que errei, que me precipitei, mas estou tentando consertar. — Olhei para ela, naquela camisola provocante, e depois para Simon, antes de voltar a encará-la. — Mas agora sei por que não faz questão de falar comigo.
— O que está insinuando? — ela perguntou.
— Você entendeu — falei ríspido, meu tom se elevando.
— Melhor controlar o tom, Damien — Simon avisou, dando um passo em minha direção, e Emma levantou a mão, impedindo-o de se aproximar.
— Se veio aqui somente para me levar embora, pode seguir seu caminho. Eu não vou.
Fechei a mão em punhos ao lado do corpo, tentando controlar a minha vontade de socar meu amigo e de jogar a Emma nos meus ombros para levá-la comigo.
— Quero ver a Ellie. Depois, vou embora.
Seguimos para o quarto; Savannah nos acompanhou e Emma ficou parada no meio da sala nos olhando. Fiquei esperando ela vir atrás de mim, mas isso não aconteceu. Entramos no quarto e vi que ele já estava adaptado para a Ellie; eu não esperava menos do Simon.
Mesmo sentindo um ciúme mortal dele e uma raiva que beirava a fúria, conhecia bem o amigo que tinha e sabia que ele daria o seu melhor pelas meninas.
— Essa é a cama, tio Dam. Viu como ela é feia? — Ellie fez uma careta e eu ri.
— Ela parece normal para mim — respondi, beijando seu rostinho.
— É isso, ela é normal! Não tem o lençol rosa que você comprou, nem minha almofada da Frozen. — Ellie fechou a cara e o gesto me lembrou a irmã. Balancei a cabeça e a coloquei sentada em sua cama.
— Savannah, poderia nos deixar a sós por uns minutos, por favor? — pedi. Ela assentiu e saiu. Ellie olhou para mim com expectativa.
— Agora podemos ir? — Meu peito apertou. Queria poder dizer que sim, mas tinha que respeitar a Emma.
— Infelizmente não vou poder levá-la hoje. — O semblante dela caiu, e a dor que senti ao me despedir dela pela manhã voltou com força total. — Mas é só hoje — garanti, e ela levantou os olhos para me olhar.
— É amanhã? — neguei com a cabeça. — Então que dia eu vou poder ir? — Eu não tinha essa resposta, não ainda. Me sentei ao seu lado e a peguei no colo.
— Em breve, eu prometo.
— Não gosto dessa palavra… — ela falou, fungando. — A Emma dizia sempre isso, “em breve”, e as coisas sempre demoravam. — Uma lágrima escorreu por seu rosto, e eu a sequei rapidamente.
— Eu prometo que meu "breve" se tornará "logo". Dessa palavra você gosta? — Ela assentiu e me abraçou; beijei seu cabelinho. Quando nos separamos, ela me olhou por alguns segundos e eu sabia que não ia gostar muito do que viria a seguir.
— Tio Dam… por que a gente teve que vir embora? Eu não queria. — Acariciei seu rostinho. Eu não sabia explicar os sentimentos que ela despertava em mim, mas eram os melhores. E eu não gostava de mentiras e não iria começar agora, não com a minha pequena Ellie.
— Eu e a Emma tivemos uma conversa, e eu fiquei tão nervoso que não consegui me controlar. — Ellie me ouvia atentamente. — Então, eu pedi para que ela deixasse de ser a babá do Luca.
— E sua namorada também? — perguntou e assenti com um aceno.
— Sim, querida. Eu disse para ela que não podíamos mais ficar juntos.
— Você não gosta mais da Emma? E nem de mim? — Sorri para sua pergunta, mas não havia humor.
— Eu amo vocês duas, minha princesa. Eu amo muito… — tirei uns fiozinhos de cabelo de seu rosto. — Só que, naquela hora, eu deixei um sentimento ruim tomar conta de mim e me arrependo por isso. Estou tentando consertar. Por isso, preciso que você fique bem e espere eu acertar as coisas com a Emma; depois, vocês voltam para casa.
Ellie jogou os bracinhos ao redor do meu pescoço e enterrei meu rosto em seus cabelinhos.
— Eu também te amo, tio Dam. A Emma também ama. — suas palavras aqueceram meu coração. — Eu espero, mas na palavra “logo”. — Ela disse, e eu ri do seu jeitinho.
— Combinado, no “logo”. — confirmei. — Eu prometo: logo vocês duas voltarão para casa.
Ficamos ali abraçados e, mesmo sentindo a indiferença da Emma e sentindo o ciúme avassalador dela com o Simon, eu faria de tudo para cumprir minha promessa.
Logo… não breve. Logo minhas meninas estariam de volta.

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