Capítulo 78 — Achou mesmo?
Emma Anderson
— Que merda é essa? — a pergunta da Taylor ecoou pelas paredes do banheiro.
— Por favor, me ajuda… — a mulher pediu, ofegante. Sem pensar, corri até ela; ela tinha um roxo no olho e um corte na perna visível pela calça rasgada.
— O que aconteceu com você? — perguntei, me abaixando ao seu lado. Tay e Bree vieram para o nosso lado.
— Eu… eu fugi dele. Eu pulei do carro, vi esse lugar e… e corri para cá.
— Ele quem? — Tay perguntou em um tom diferente do de antes; este era carregado de autoridade.
— Meu ex. Mike.
— Foi quando pulou do carro? — perguntei, apontando para a perna ferida dela.
— Não, este eu machuquei pulando a cerca; aí eu vi a janela aberta. — Ela fez sinal com a cabeça para a parede ao nosso lado. — Eu não pensei, só escalei para entrar e machuquei mais ainda.
— Ok — a voz da Tay chamou nossa atenção. — Precisamos resolver uma coisa de cada vez. Primeiro, vamos começar pelo seu ferimento. Depois, vou conversar com os seguranças para chamar a polícia.
— NÃO!! — ela gritou, em desespero. — Ele é policial, ele conhece todo mundo, eles vão me entregar para ele. Ele tem amigos, ele é… ele é importante — ela falou, levantando-se rápido, e gemeu.
— Cuidado… — falei, a segurando pelos braços. Ela me olhou com gratidão.
— O que você pretende fazer, então? — Bree perguntou, parando do outro lado dela.
— Só me ajudem a sair daqui. Eu dou um jeito, me escondo em uma dessas vans de serviço. Volto para o Queens e arrumo minhas coisas, sei lá. Só não liga para a polícia; o Mike é um cara importante, e eu sou uma ninguém.
— Olha… — Tay começou, parando em sua frente. — Eu estou pouco me fodendo para quem seja esse cretino do seu ex. Nós vamos cuidar desses ferimentos, depois daremos um jeito de te tirar daqui em segurança.
— De verdade, eu agradeço… — a mulher começou. — Mas eu não quero trazer problemas para vocês, e o Mike... ele se torna um para todos que tentam me ajudar. Eu só preciso sair daqui sem chamar atenção, só isso… por favor — ela pediu, olhando para Tay.
— Garota — Taylor começou, segurando a mão dela. — Se esse babaca é um “problema”, eu sou a encarnação da confusão e adoro um desafio. Então… — ela deu dois tapinhas na mão da moça e concluiu: — Só relaxa e confia em mim.
Ela soltou um suspiro, encarou cada uma de nós.
— Tudo bem, eu confio. Mas eu juro que, se as coisas complicarem e eu notar que piorei tudo para vocês, eu corro para aquela estrada de novo.
— Justo, temos um combinado então… — Taylor fez uma pausa, e a mulher entendeu.
— Fernanda — ela respondeu.
— Prazer, Fernanda. As circunstâncias são péssimas — Tay disse com aquele jeito sincero que nos fez rir. — Mas ainda é um prazer. E eu sou a Taylor. — Ela estendeu a mão, e Fernanda a pegou, ainda com receio.
— Eu sou a Emma — falei, e ela me olhou com um certo carinho.
— E eu, a Aubrey, mas pode me chamar de Bree. — Fernanda sorriu para cada uma de nós.
— Beleza, agora vamos cuidar disso. — Taylor apontou para a perna da moça, que assentiu. O celular de Bree tocou; ela o pegou na bolsa e olhou para nós.
— É o Stan — ela avisou.
— Recusa — Tay disse. Ela recusou, mas antes que colocasse o celular na bolsa, ele voltou a tocar e Bree olhou para Taylor.
— O Stan é persistente, ele não vai desistir. — Tay revirou os olhos.
— Todos eles são; é mal de "Dom". — sem aviso, Taylor pegou o celular da mão dela, rejeitou a ligação e desligou o aparelho. — Pronto, problema resolvido. — ela pegou o celular dela e fez o mesmo; depois, olhou para mim e eu apontei para minha bolsa antes de falar.
— Quer descansar um pouco, Fer? — perguntei, e ela acenou um sim com a cabeça.
— Está doendo pra cacete — ela disse.
Encostamos ela em uma das árvores. Tay se abaixou para olhar o corte.
— Ainda está sangrando, e o corte parece fundo. Talvez seja melhor… — ela começou, mas ouvimos um barulho. Taylor levantou em um pulo, já se colocando na frente da Fernanda. Por instinto, Bree e eu fizemos o mesmo.
— Senhoras… — um segurança disse, se aproximando. Taylor relaxou os ombros e encarou o cara. — Está tudo bem? — ele perguntou, olhando por cima do nosso ombro, parando os olhos direto na Fernanda.
— Estamos indo para a casa principal. Eu sou a Taylor Costello. — Tay manteve os olhos no homem. — Não me lembro de você… — ela disse, mantendo um olhar desconfiado no homem à nossa frente. — E eu praticamente conheço a equipe inteira do Gayer.
O homem tentou manter a postura firme, mas eu vi, e a Tay também, ele vacilar por um segundo.
— Eu sou da equipe contratada para o casamento. Vou escoltá-las até a casa — ele anunciou, mas Taylor levantou a mão, impedindo-o.
— Não é necessário — ela disse, em um tom autoritário. — Pode voltar ao seu posto.
— Mas, senhora, eu só quero… — Taylor fechou a distância entre eles.
— O que você quer não é do meu interesse — ela manteve os olhos fixos nos dele. — Mas o que eu quero deveria ser do seu. E o que eu quero é que você volte ao seu posto e nos deixe passar.
Os dois ficaram se encarando como se estivessem medindo quem mandava mais. Eu tinha que admitir: o que a Taylor não tinha em tamanho, ela tinha em coragem. E eu curtia isso nela.
Ouvimos um barulho de graveto se quebrando, seguido de passos. Senti a mão da Fernanda em meu braço. Olhei para ela por cima dos meus ombros e depois voltei meus olhos para frente, de onde vinha o barulho. E foi aí que ele apareceu.
— Achou mesmo que eu não ia te encontrar… — o homem foi dizendo, parando ao lado do segurança. Mas os olhos? Estes estavam nela. Então ele concluiu: — Fernanda.

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