Capítulo 79 — Seu pior pesadelo
Fernanda Garcia
Eu pensei que tinha conseguido me livrar do Mike, mas no instante em que coloquei o pé para fora da lanchonete onde trabalho e trombei com ele, vi o quão enganada estava. Tentei fugir, como sempre, mas o soco veio sem aviso e me desorientou.
O cretino me jogou no carro e pegou a estrada, e passou o caminho todo me dando os sermões de sempre: “Você não diz quando acaba, eu digo”, “Você é minha, só minha”, “Você vai comigo, Fernanda. E já está decidido”.
Mas, quando ele diminuiu a velocidade para atender o chefe, eu vi ali minha oportunidade. Olhei ao redor, avaliei minhas possibilidades, os riscos. Era melhor morrer tentando do que morrer nas mãos desse babaca. Então, eu abri a porta e pulei.
Não tive tempo para processar a dor; levantei machucada mesmo e corri. Pulei a cerca de uma propriedade e, mais uma vez, me machuquei. Vi que estava rolando uma festa, muita gente, muitos seguranças, mas eu consegui passar pelos fundos, onde ninguém estava olhando. Entrei pela janela, era um banheiro e acabei trombei com três anjos…
— Só se for dos caídos — uma delas disse, e acabei sorrindo.
Mas escapar do Mike nunca é fácil, e claro que hoje não seria diferente.
— Achou mesmo que eu não ia te encontrar… — ele disse, com os olhos cravados em mim. — Fernanda.
Eu ia responder, mas a Taylor respondeu no meu lugar.
— Provou que é ótimo no caça-tesouro, Mike — ela disse o nome dele, mostrando que sabia quem ele era. — Mas caçar tesouro em propriedade alheia é crime.
— Não é crime quando o tesouro me pertence — Mike deu um passo à frente. — E ela é minha.
— Engraçado... até onde eu sei, só podemos possuir objetos. Não pessoas. — Taylor também deu um passo à frente. — E eu não vejo nenhum objeto por aqui. — Tay olhou para Emma, que tinha dado um passo junto com ela. — Você vê, Emma?
A loira olhou ao redor e, com um tom firme, respondeu:
— De jeito nenhum.
— Ótimo — Taylor começou. — Já que aqui não existe nada que pertença ao senhor — ela apontou para Mike — Peço educadamente que se retire imediatamente. Aproveita que ainda estou sendo educada.
— Quem você pensa que é? — Mike disse, fechando a distância entre eles, o que me fez desencostar da árvore e dar um passo à frente. Eu conhecia aquele tom, eu conhecia aquele olhar; Mike estava pronto para atacar.
— Vai depender, Mike — Tay disse com deboche. — Eu posso ser a sua salvação ou o seu pior pesadelo. A sua próxima ação é quem vai decidir isso.
Mike não esperou. O ódio brilhou em seus olhos e ele avançou contra Taylor, desferindo um tapa violento em seu rosto. O estalo ecoou no silêncio, mas Taylor sequer cambaleou; ela apenas virou o rosto lentamente de volta, com um sorriso sanguinário nos lábios.
— Foi só isso? — ela provocou.
O segurança que estava ao lado de Mike avançou para intervir, mas a Emma foi mais rápida e o interceptou. O homem, muito maior, a empurrou com força, a fazendo cair no chão de terra.
Vi Mike empalidecer instantaneamente. A mão que segurava a arma começou a tremer de verdade. Olhei confusa para Emma e Bree e vi sorrisos surgirem em seus lábios, sorrisos de quem sabia que o jogo tinha acabado.
Mas quem parecia mais satisfeita era Taylor. Ela olhou para o homem imponente que havia surgido ali, com mais três homens logo atrás dele, e disse:
— Oi, amor.
O homem caminhou até onde estávamos, os olhos fixos em Mike como se ele fosse um inseto prestes a ser esmagado. Ele não gritou. Ele apenas disse:
— Solta ela. Agora.
Mike soltou meu braço como se minha pele o queimasse. Mesmo trêmula e confusa, eu me afastei dele o mais rápido que pude, sendo imediatamente acolhida por Emma e Bree, que me cercaram em um abraço protetor.
Taylor caminhou calmamente até Mike, que agora mantinha a arma abaixada, parecendo pequeno diante da presença dos homens que haviam chegado. Ela parou na frente dele e perguntou com o mais puro deboche:
— Lembra do que eu te disse antes? Salvação ou pesadelo? Lembra?
Mike não conseguiu articular uma única palavra; o queixo dele tremia. Taylor sorriu, se aproximou do homem de mais de dois metros de altura e que ela tinha chamado de “amor”, segurou o braço dele com possessividade e concluiu:
— Vou me apresentar formalmente a você agora, Mike — ela disse o nome dele com escárnio, antes de continuar: — Taylor Costello… — ela fez uma pausa dramática, olhando para Mike, que agora parecia um condenado à morte, e concluiu: — o seu pior pesadelo.

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