Capítulo 9 — O Santuário de Gelo
Emma Anderson
Saí do banheiro com a toalha em mãos, secando os cabelos úmidos, e meu coração deu um salto no peito. No meio da penumbra do quarto, uma figura pequena e imóvel me observava. Luca estava parado ali, como uma estátua de porcelana, os olhos fixos na porta por onde eu tinha acabado de passar.
Sorri, sentindo o ar voltar aos meus pulmões. Graças a Deus não era o pai, era o filho.
— O que está fazendo aqui, pequeno? — perguntei com suavidade.
Ele não respondeu, mas também não recuou. Joguei a toalha sobre a cama e me sentei no colchão macio, batendo levemente no lugar ao meu lado. Luca entendeu o gesto na hora; ele correu e se aninhou junto a mim, segurando minhas mãos com suas palminhas geladas. Eu o puxei para o colo e o abracei, sentindo aquele cheirinho leve de talco infantil que parecia ser a única coisa pura naquela casa.
— Está tudo bem? — perguntei, mas não tive resposta ele só me encarou. — Quer ir com a Emma ver se a Ellie acordou?
Ele olhou para mim, colocou a mão no meu rosto e balançou a cabeça em um "sim" silencioso. Levantei-me com ele nos braços, sentindo o peso reconfortante do seu corpo, e segui para o quarto da Ellie. Parei no corredor, e Luca apontou para a porta onde minha irmã estava.
Entramos e ela estava acordada, sentada entre os travesseiros de seda, os olhos arregalados de deslumbramento.
— Em! Olha esse quarto! Tem até TV no pé da cama! — ela exclamou, com uma energia que eu não via há dias.
— Eu vi, meu amor. O senhor Knight quer que você fique bem confortável — expliquei, sentando-me na beira da cama com Luca ainda no colo. — Agora vamos morar aqui por um tempo. A Em vai ser a babá do Luca, e a Savannah vai cuidar de você.
Expliquei rapidamente para minha irmã, porque, criança não precisa de detalhes, elas só precisam da verdade. Luca permaneceu calado, mas eu sentia seu corpinho relaxado, a cabeça encostada no meu ombro enquanto observava Ellie. Pouco depois, Leah entrou acompanhada de uma moça jovem de uniforme.
— Esta é Aubrey, a copeira — apresentou Leah. — Ela trabalha com a Nina, nossa cozinheira. Trouxemos o jantar de vocês.
Cumprimentei a moça, que deixou bandejas fumegantes sobre a mesa de canto antes de sair com a governanta. Savannah se aproximou da comida, os olhos brilhando.
— Estou me sentindo em um hotel cinco estrelas. Olha para essa refeição! — ela disse, deslumbrada, e eu não pude deixar de rir do seu jeito espontâneo.
Alimentar os dois ao mesmo tempo foi uma tarefa terapêutica. Luca aceitava a comida da minha mão com uma confiança que parecia ignorar o fato de nos conhecermos há poucas horas. Ellie comia com gosto, e a conexão entre os dois foi imediata, um entendimento silencioso entre duas crianças que a vida havia tentado quebrar.
Assim que terminei de alimentá-los, Savannah me convenceu a jantar também. Sentei à mesa com ela, puxei meu prato e tentei comer.
— Relaxa, menina — Ela disse, chamando minha atenção enquanto eu alternava o olhar entre as crianças e o meu próprio prato. — Eles dois não vão fugir.
Respirei fundo, sentindo o cansaço acumulado pesar nos meus ombros.
— Eu sei, mas ainda tudo parece muito surreal.
Ela me observou por um momento, a colher parada no ar, antes de perguntar com uma curiosidade sem filtros:


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