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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 83

Capítulo 83 — Um bom momento

Ambrose Blair

Fui com os caras atrás das meninas e, preciso dizer, que vontade de esfregar a cara daquele cretino do Mike no chão cheio de cascalho. Somos Doms, todos nós, mas nunca, em hipótese alguma, machucaríamos uma mulher dessa maneira. A dor que às vezes um Dom causa é para prazer mútuo, e não para inflamar o ego ou para mostrar que a mulher é pequena e nós somos grandes.

Chegamos à casa do Noah e subimos com o Dom direto para o seu quarto, onde ele acreditava que as meninas estivessem, e elas estavam. Entramos e cada um foi checar sua mulher. Eu fiquei de lado, esperando, mas aí eu a vi. Fernanda olhou para cada interação, para cada casal, e aí seus olhos me alcançaram.

Eu podia ter desviado, fingido que não estava vendo, mas que graça teria? Todos perceberam nossa troca de olhares e, claro, não me importei com isso. E quando eu vi que ela tentaria fugir e invalidar sua própria dor, eu intervim. E como sempre, tive o apoio dos meus amigos para isso.

— Pode ou quer? — ela me perguntou, e me perdi olhando para ela. Fernanda, mesmo com os hematomas no rosto, era uma mulher linda. Aproximei ainda mais meu rosto do dela e respondi:

— Posso e quero. — Dei um sorriso de lado, e ela corou novamente. Essa era a segunda vez; a primeira foi quando ela viu que todos tinham notado que ela estava me olhando.

— O que isso significa? — ela perguntou em um fio de voz.

— Significa, querida… — falei, colocando o cabelo dela atrás da orelha. — Que não me custa nada te fazer companhia; ou seja, eu posso. — Passei o dedo com cuidado pelo roxo em seu olho antes de concluir: — Mas também significa que, podendo ou não, era o que eu queria.

Ela ficou me olhando por alguns segundos a mais do que o necessário. Isso já estava começando a se tornar algo nosso.

— Por que todos vocês estão sendo tão legais comigo? — a confusão em sua pergunta era genuína.

— E por que não seríamos? — perguntei de volta.

— Vocês nem me conhecem… — ela respirou fundo antes de continuar: — Eu não estou reclamando. Gostei das meninas, e muito. E vou ser eternamente grata pelo que elas fizeram por mim. — Fernanda sentou na cama. — Mas… o que isso vai me custar?

— Como assim? — sentei ao seu lado. — O que isso iria te custar?

— Todos vocês, pelo visto, são cheios da grana, são pessoas influentes. — ela mantinha os olhos em suas mãos, que estavam agarradas à barra do vestido. — Eu sei que tem pessoas boas no mundo, e as meninas me provaram isso. — levantou os olhos para mim. — Mas e vocês? Por que vocês me ajudaram? Foi pelas meninas? Porque elas pediram?

Sorri para ela.

— Bom, meus amigos são meio pau-mandados das mulheres. Não vou negar isso. — Fernanda soltou um riso involuntário, mas genuíno. — Mas nós não escolhemos essas coisas, elas só acontecem. Poderia ser você precisando, ou só uma das meninas, ou qualquer outra pessoa. Meus amigos, eu, minha família... nós somos assim.

— Fazer o bem, sem olhar a quem… — ela murmurou.

— Basicamente isso — respondi, colocando mais uns fios caídos atrás de sua orelha.

— Obrigada, então.

— Disponha — falei, e ela riu de novo.

— Você é sempre assim?

— Assim como? — perguntei curioso.

— Assim — ela apontou para mim como se fosse óbvio. Mas, antes que eu respondesse com alguma provocação, ouvimos batidas na porta e, logo em seguida, ela abriu.

— Posso entrar? — Esther perguntou, colocando a cabeça para dentro.

— Por favor — falei em um tom dramático, fazendo minha amiga revirar os olhos.

— Olá, eu sou a Esther. As meninas me contaram sobre o seu incidente.

— Prazer, doutora Esther. Elas também me falaram da senhora — Fernanda respondeu firme, mas eu via o nervosismo em seus olhos verdes.

— Por favor, aqui nada de "senhora" — minha amiga respondeu com seu sorriso acolhedor de sempre. — Agora me deixe te examinar.

— Nós a encontramos no banheiro ferida, depois o ex dela apareceu e, no final, a Tay decidiu trazê-la para cá — Emma respondeu.

— A Tay me disse sobre os ferimentos, mas não me contou a história, tadinha — Esther lamentou.

— Eu levo — falei, sem hesitar.

— Ozzie… — Dam tentou intervir. Eu sabia o que ele ia dizer.

— Eu estou bem, irmão. Juro.

— Nós podemos ir também, a gente deixa as crianças com a Savannah — Emma disse.

— Não — falei firme. — Está rolando uma festa, depois vai rolar o final de semana em família. Vocês e as crianças merecem curtir isso, juntos. — acrescentei, não dando espaço para discussão.

Todos assentiram, mesmo visivelmente contrariados. Esther retornou ao quarto, explicou para Fernanda e, depois, Emma a ajudou a se levantar. Eu quis pegá-la no colo, mas ela recusou, e eu não insisti. Mesmo querendo insistir, eu me contive.

Chegamos ao carro do Dam. Esther e Emma a ajudaram a sentar.

— Tem certeza de que não quer que eu vá com você? — meu primo perguntou.

— Tenho. Você acabou de se entender com a sua mulher. Vá curtir seu momento.

— Eu vi como você ficou… — Dam começou. — Ambrose, eu sei o que isso faz com você.

— Eu também sei — falei sincero. — Mas, uma vez, vai ter que acabar. — Olhei para Fernanda sentada no carro me esperando, voltei para o Dam. E disse a coisa mais sincera sobre assunto, em anos.

— E acho este um bom momento para isso.

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