Capítulo 99 — Está só começando
Giovanna Hampton
Eu estava ferrada. Completamente fudida. Tristan não acreditou em mim e ainda exige a porra do teste de DNA.
Eu achei que fingindo que tinha tentado me “suicidar” ele esqueceria isso; ele iria sentir pena de mim, iria me apoiar. Mas não. Em vez disso, me chantageou e ainda esfregou aquela copeira na minha cara.
Estava jogada na cama, ligada a um soro que eu nem precisava, quando ouvi a porta abrir. Provavelmente era mais uma daquelas enfermeiras insuportáveis ou o médico amigo da idiota da Esther. O barulho dos saltos altos batendo no chão e ecoando no quarto chamou minha atenção; levantei a cabeça.
— Verônica? — perguntei confusa. Eu já não a via há anos. A última vez foi em uma viagem com o Tristan.
— Como vai, Gi? — ela perguntou, se aproximando. “Gi”, ela disse, como se fôssemos íntimas. A encarei, levantando o braço com a punção.
— Já estive melhor — respondi, seca.
— Imagino — Verônica disse, sentando-se na cadeira ao lado da minha cama.
— Não sabia que estava de volta. — Ela sorriu para mim.
— Voltei logo depois do seu término com o Tristan.
— Tá, e o que faz aqui? Como sabia que eu estava internada?
— Eu soube por acaso… — ela fez uma pausa, e eu entendia bem o que o “acaso” dela queria dizer. — Que o Dam estava vindo até este hospital com os meninos para te ver. — Ela cruzou as pernas e ajeitou a postura. — Mas, infelizmente, cheguei tarde demais; ele já tinha ido.
Me joguei de volta nos travesseiros e respondi sem olhá-la:
— Ele não entrou aqui. Eu nem sabia que ele estava lá fora. — Virei meu rosto para encará-la. — Se era só isso… — falei, olhando para a porta antes de olhar para ela novamente. — Eu gostaria de ficar sozinha agora.
— Está me mandando embora? — ela perguntou, arqueando uma sobrancelha.
— Sim — respondi, sem hesitar. — Não estou com humor para visitas, sinto muito. — Verônica riu.
— Gosto da sinceridade. E se me permitir ser também… — ela descruzou as pernas e inclinou o corpo na minha direção antes de dizer: — Não tenho a intenção de sair.
— Como é? — perguntei, já sentindo a irritação subir em minhas veias.
— Exatamente o que ouviu — Verônica disse, olhando para as unhas. — Eu irei, mas só depois que conversarmos. E você vai me ouvir, quer queira ou não.
— Você é ousada.
— Ah, querida, você não imagina o quanto. Mas… — ela fez uma pausa drámatica. — Não tanto quanto você. Mentir sobre o pai do bebê? Fingir suicídio? Olha, preciso te aplaudir.
Senti meu rosto esquentar. Me sentei na cama e a encarei.
— Do que está falando? Como é que sabe disso?
— Pedi para o meu “acaso” descobrir o que você estava fazendo aqui. E ele me contou sobre a insistência do Tristan em fazer o DNA. O restante eu deduzi.
— Verônica, é sério, eu não estou com humor. Então vou te perguntar pela última vez: o que diabos está fazendo aqui?
— Vim te ajudar.
— Me ajudar? — repeti suas palavras com deboche. — E como acha que pode me ajudar?
— Com o Tristan. — Bufei ao ouvir o nome dele.
— Você não pode me ajudar. Ele não quer mais saber de mim e já está com a cretina da copeira. Você tem razão: ele não é o pai. O pai é um babaca que me usou, me roubou e foi embora. Pensei que conseguiria algo com o Tristan, mas me iludi. — Encostei na cama, frustrada. — Ele não caiu na minha, não vai me dar o tempo de que preciso. E no instante em que o DNA acontecer, acabou para mim.

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